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  • Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura
  • A agricultura, prioridade para o desenvolvimento sustentável das Américas

Novos marcos político-institucionais e trabalho coordenado de organismos internacionais de cooperação, chaves para impulsionar a bioeconomia na América Latina e no Caribe

Novos marcos político-institucionais e trabalho coordenado de organismos internacionais de cooperação, chaves para impulsionar a bioeconomia na América Latina e no Caribe

O IICA reuniu especialistas para discutir como impulsionar plenamente o potencial da bioeconomia na América Latina e no Caribe, com o objetivo de estimular o desenvolvimento produtivo da agricultura e dos territórios rurais

Buenos Aires, 23 de novembro de 2018 (IICA). Maiores incentivos nos mercados e novas condições político-institucionais são necessários para que os recursos biológicos possam ser melhor aproveitados pela agricultura e gerar novas oportunidades para os territórios rurais do continente americano, concluíram especialistas internacionais que participaram do painel "O potencial da bioeconomia para a América Latina e o Caribe", organizado pelo Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA).

Da esquerda para a direita: Adrian Rodriguez (CEPAL), Andrés
Murchison (Agroindústria Argentina), Guy Henry (CIRAD)
e Marcelo Poppe (CGEE).

A riqueza biológica e a disponibilidade de recursos naturais na região, junto com o avanço do conhecimento e o surgimento de tecnologias disruptivas, abrem grandes oportunidades produtivas no âmbito da chamada bioeconomia, segundo as conclusões dos especialistas compiladas pelo coordenador do Programa Bioeconomia e Desenvolvimento Produtivo do IICA, Hugo Chavarría.

O evento fez parte da Semana da Agricultura e Alimentação, organizada em Buenos Aires pela Secretaria de Agroindústria da Argentina e FAO, da qual o IICA participa como parceiro.

"Através do aproveitamento da bioeconomia, se potencializaria o desenvolvimento produtivo com valor agregado em nível local, se contribuiria ao cumprimento das contribuições ambientais acordadas pelos países e novas oportunidades seriam geradas para os atores presentes nos territórios rurais, especialmente jovens e mulheres", disse Chavarría.

A bioeconomia é considerada a visão mais ampla para promover o desenvolvimento sustentável baseado em padrões de produção e consumo alinhados com objetivos de conservação de recursos e mitigação e adaptação às mudanças climáticas. Essa visão contempla a implementação de estratégias de desenvolvimento baseadas no uso intensivo e eficiente de recursos, tecnologias e processos biológicos, de forma a prover de forma sustentável os bens e serviços que as sociedades demandam.

Em suas novas diretrizes institucionais, conhecidas como Plano de Médio Prazo 2018/2022, o IICA incluiu a Bioeconomia e o Desenvolvimento Produtivo como um de seus principais programas de trabalho.

A bioeconomia, além disso, fomenta a densidade econômica em um território e as interações entre as cadeias ali presentes. Trata-se de utilizar recursos e processos biológicos de forma mais eficiente e sustentável para agregar valor através do conhecimento, deixando de lado a visão da agricultura atrelada ao produto primário.

Mas o maior aproveitamento produtivo dos recursos biológicos da região "requer condições político-institucionais, bem como incentivos de mercado, que o viabilizem e possibilitem", disse Chavarria, indicando que "são estas condições que permitiriam implementar estratégias e investimentos para o aproveitamento da biomassa e os novos usos da biodiversidade".

A cooperação internacional também desempenha um papel fundamental na promoção do aproveitamento da bioeconomia na região, concordaram os especialistas.

Chavarria sustentou que durante a reunião se destacou a necessidade de que os organismos trabalhem de maneira coordenada e integrada para "sensibilizar, gerar evidências sobre o potencial e construir capacidades para o aproveitamento da bioeconomia; mobilizar experiências, construir espaços de diálogo e facilitar a Cooperação Sul-Sul, além de apoiar a construção e o intercâmbio de ciência, conhecimento e tecnologia para um maior aproveitamento ”.

Neste sentido, afirmou que "todos estes apoios devem servir para os países e territórios construírem suas próprias visões, políticas e estratégias que permitam um aproveitamento da bioeconomia a partir de suas potencialidades."

As dissertações estiveram a cargo de Andrés Murchison, Secretário de Alimentos e Bioeconomia da Argentina; Marcelo Poppe, do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) do Brasil; Adrián Rodríguez, Diretor de Política da CEPAL; e Guy Henry, pesquisador do CIRAD na França.

O painel foi apresentado por Eduardo Trigo, Assessor do Programa de Bioeconomia e Desenvolvimento Produtivo do IICA, e moderado por Federico Villarreal, Diretor de Cooperação Técnica do organismo interamericano especializado.

Além disso, em resposta ao mandato para trabalhar de forma coordenada e integrada para o aproveitamento dos recursos de fortalecimento da bioeconomia, o Programa de Bioeconomia e Desenvolvimento Produtivo do IICA organizou um seminário para conhecer experiências, projetos e iniciativas de cada instituição no tema e trabalhar em possibilidades de colaboração e trabalho conjunto.

O encontro contou com a presença de representantes do IICA, UNESCO, CIRAD, CATIE, CEPAL, EMBRAPA, CGEE (Centro de Gestão e Estudos Estratégicos do Brasil), Fundação Inovação Agrária do Chile, Instituto Dominicano de Pesquisas Agropecuárias e Florestais (IDIAF-RD) e CIAO Argentina, que identificaram, analisaram e elaboraram propostas de trabalho que serão consolidadas nas próximas semanas.

Mais informação:
Hugo Chavarría, Programa de Bioeconomia e Desenvolvimento Produtivo, IICA
hugo.chavarria @ iica.int

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