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24/05/2013
AGRONEGÓCIO
EM PÉ DE GUERRA

O clima esquentou na Câmara dos Deputados, na terça-feira 16 de abril, na semana de comemoração do Dia do Índio. Cerca de 100 índios invadiram uma reunião da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e suspenderam por 50 minutos uma sessão de votação no Plenário da casa. Os protestos tentavam derrubar a criação de uma comissão especial, instalada para discutir a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 215, que dá ao Congresso a competência legal para demarcar terras indígenas hoje uma função da Fundação Nacional do Índio (Funai). 0 tumulto e as reivindicações em Brasflia são apenas o capítulo mais recente de um longo embate, que se tornou mais frequente nos últimos anos, entre comunidades indígenas e produtores rurais do sul de Mato Grosso do Sul. Conflitos que expõem a necessidade de reconhecimento de terras que pertencem aos índios, de um lado, e a manutenção de atividades agropecuárias, de outro. O último episódio mostra a tensão envolvida nessa região: na noite do dia 12 de abril, uma sexta-feira, o fazendeiro Arnaldo Alves Ferreira, 68 anos, morreu em confronto direto com 30 índios das etnias guarani e kaiowá, em Douradina. O proprietário reclamava de invasão em sua propriedade de 30 hectares, enquanto os índios reinvindicavam a demarcação de terra. Apesar da resistência de alguns produtores dessa região em aceitar estudos técnicos da Funai que comprovam que suas propriedades estão em áreas indígenas, a grande maioria dos fazendeiros concorda em desocupar suas fazendas com plantações e criações de gado. É o que diz o procurador da República em Dourados (MS), Marco Antônio Delfino de Almeida. O problema é que faltam recursos para compensar os fazendeiros. "Já há relatórios finais do governo que reconhecem várias áreas de conflito como terras indígenas, mas a Funai não tem recursos suficientes para indenização", diz ele.

 

O procurador Delfino de Almeida acompanha desde o início o acampamento montado no ano passado por 160 índios das etnias guarani e kaiowá da aldeia Pyelito Kue na Fazenda Cambará, no município de Iguatemi, às margens do rio Hovy. Os protestos desses índios por assistência médica e melhores condições de vida chegaram inclusive a motivar a criação de uma comissão externa do Congresso para avaliar a situação. 0 estopim foi uma ação de despejo, decretada pela Justiça Federal, que suscitou uma carta assinada por líderes dessas etnias. No texto, os indígenas dizem que lutariam para continuar em seu território e falaram, inclusive, de "morte coletiva", levando à interpretação de suicídio de todo o grupo, caso a Justiça e o proprietário forçassem sua saída.

Em dezembro do ano passado, uma comissão de parlamentares coordenada pelo deputado Sarney Filho (PV-MA) visitou a aldeia Pyelito Kue. "A comissão reconheceu os direitos históricos dos índios e concluiu que a situação deles é crítica e desumana", afirma o deputado. Ele diz que o grupo conseguiu aumentar de R$ 2 milhões para R$ 40 milhões o volume de verbas para desapropriar a área. "O proprietário da fazenda não é culpado, uma vez que o título de imóvel rural foi distribuído pelo Estado a vários fazendeiros na primeira metade do século 20", diz Sarney Filho. Se a concessão dos títulos aos fazendeiros rurais há quase 100 anos desalojou os indígenas, agora são produtores rurais que correm o risco de receber o troco. "Quando as terras são cedidas aos índios, muitas vezes os produtores rurais são realocados em regiões improdutivas", diz o assessor jurídico da Federação da Agricultura de Mato Grosso do Sul (Famasul), Carlo Daniel Coldibelli.

 

Segundo ele, em alguns casos, a área transformada em reserva indígena acaba se tornando improdutiva, por falta de equipamentos e assistência técnica. "Essa discussão acontece justamente nas áreas mais férteis para agricultura do Estado, e por isso existem atualmente 56 propriedades invadidas nessa região", afirma Coldibelli. Os conflitos estão até desestimulando transações de compra e venda de terras na região sul do Estado. "Quando os investidores rurais se deparam com essa insegurança jurídica, preferem migrar para outras regiões", diz o assessor jurídico da Famasul. A Funai argumenta que, desde 2008, formou seis grupos de trabalho para estudos de identificação de terras indígenas no sul de Mato Grosso do Sul, que seriam destinadas aos guarani e aos kaiowá. Em visita à região, em novembro do ano passado, a presidente da Funai, Marta Maria Azevedo, disse aos produtores que o governo federal vem estudando uma forma de compensar quem tem título de propriedade nos limites das terras reconhecidas como tradicionalmente indígenas. O que dificulta a conclusão do processo, segundo a Funai, é a falta de acordo sobre quem é, de fato, o dono das terras.


24/05/2013
AGRONEGÓCIO
O FIM DA ESTIAGEM

Crédito para o agronegócio sempre foi um tema controverso no sistema financeiro — como regra geral, os bancos costumavam fugir dele como se fosse o próprio diabo na terra do sol. Durante décadas, o Banco do Brasil era praticamente a única fonte de recursos bancários para financiar os agricultores e pecuaristas, ao lado dos fornecedores e das tradings. Os demais bancos evitavam cuidadosamente esse tipo de empréstimo, temerosos do histórico de inadimplência do setor, que não raro era socorrido por moratórias e perdões de suas dívidas pelo governo. No entanto, há pouco mais de dois anos, esse cenário mudou. A contínua expansão do mercado interno, a ascensão de 40 milhões de brasileiros à Classe C e principalmente o bom momento das exportações geraram efeitos positivos no meio rural. A melhoria do cenário foi expressa em um aumento no crédito para o agronegócio. No primeiro trimestre de 2013, esse avanço chegou até o financiamento para a agricultura familiar, que vinha atravessando uma fase de secura. Depois de passar um ano muito fraco em 2012, o financiamento para a agricultura familiar inicia 2013 em alta. O Banco do Nordeste do Brasil (BNB) liberou R$ 567 milhões a agricultores familiares no primeiro trimestre deste ano, um crescimento de 82,8% em relação aos R$ 311 milhões concedidos no primeiro trimestre de 2012. A maior parte desses recursos foi destinada ao crédito emergencial, em razão da estiagem no semiárido nordestino.

O Banco do Nordeste fechou 2012 com uma carteira de R$ 5,3 bilhões do Pronaf. Segundo o banco, sua participação nos financiamentos na região Nordeste corresponde a 78,2% do volume de crédito. No Ceará, especificamente, foram contratados R$ 92,2 milhões, volume maior do que o de 2012, quando foram liberados R$ 37,9 milhões, de acordo com Stélio Gama Lyra Júnior diretor de gestão de desenvolvimento do BNB. Lyra Júnior disse, em nota, que a atual administração do banco estatal tem dado prioridade aos financiamentos para os agricultores familiares em decorrência da estiagem que assola a região.

O novo quadro foi percebido pelos demais bancos e, atualmente, o financiamento agrícola está sendo objeto de concorrência: a Caixa Econômica Federal, por exemplo, anunciou, no início deste ano, uma ofensiva nesse setor, equipando gerentes e agências localizadas em áreas estratégicas para financiar o produtor. Os números demonstram o avanço desse negócio. Em 2012, segundo o Banco Central (BC), o total de financiamento concedido ao agronegócio, incluindo custeio, investimento e comercialização, atingiu um recorde de R$ 111,4 bilhões, registrando um crescimento de 18,4% em relação a 2011. No ano anterior, ainda segundo o BC, o crescimento já havia sido de 14,7%. Agora, essa acelerada deverá puxar, também, o financiamento à agricultura familiar.

 

Há duas justificativas para isso. A primeira é a determinação do governo federal de aplicar 30% dos recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Escolar (FNDE) na compra de géneros cultivados por produtores da agricultura familiar, na merenda escolar. A segunda é que o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) está preparando, para safra 2013/2014, um plano safra diversificado, com capítulos voltados especificamente para pequenos agricultores.

Além de uma linha de crédito para assentamentos rurais, o ministério prevê a criação de juros menores e de linhas de crédito específicas para quem produzir alimentos. A oferta de alimentos é uma preocupação central da presidenta Dilma Rousseff. O aumento da produção ajudaria a derrubar a inflação dos alimentos, que chegou a 13,48% nos últimos 12 meses. Os alimentos como um todo foram responsáveis por 60% da alta de 0,47% do IPCA em março.

Pelas contas do MDA, os recursos emprestados para o Plano Safra de 2013/2014 deverão chegar a R$ 17 bilhões, de um total de R$ 18 bilhões reservados. Para o próximo plano safra, a ser lançado no fim de maio, o valor para linhas de custeio e investimento deve ficar perto de R$ 22 bilhões. Também está sendo analisada uma redução das taxas de juros cobradas em algumas linhas para os pequenos produtores. Atualmente, os juros do Pronaf variam de 1% a 4%.



24/05/2013
AGRONEGÓCIO
REESTRUTURAÇÃO DA BRF NA ARGENTINA SÓ DEVE TERMINAR EM 2014

Por Cesar Felício | De Buenos Aires

 

O vice-presidente da BRF para a América Latina, Nelson Vas Hacklauer, afirmou ontem que a empresa só deverá concluir a reestruturação de suas operações na Argentina em meados de 2014. "Precisamos gerar fluxo no curto prazo, porque nossos resultados estão ruins", disse em evento na embaixada brasileira em Buenos Aires.

A BRF entrou na Argentina no fim de 2011, quando decidiu adquirir a Avex, processadora de aves, e a Dánica, produtora de maioneses e margarinas. A empresa buscou o mercado argentino como alternativa após o Cade obrigá-la a desinvestir no Brasil. Em maio de 2012, a companhia fez uma operação de troca de ativos com a Marfrig, assumindo a subsidiária argentina Quickfood, processadora de carne bovina.

 

Cotada em bolsa, a Quickfood publicou há dois meses o balanço dos primeiros nove meses de gestão da BRF. O faturamento caiu do equivalente a US$ 307,9 milhões, entre julho de 2011 e março de 2012, para US$ 280,4 milhões, entre julho de 2012 e março de 2013. A nova gestão conseguiu, porém, reduzir o prejuízo líquido, de US$ 29,3 milhões para US$ 11,8 milhões, na mesma comparação.

 

"Nossos problemas não são com a conjuntura econômica da Argentina, são as circunstâncias internas. Ainda não temos toda a sinergia que podemos ter, e temos muito o que fazer na nossa própria casa", afirmou Vas Hacklauer. De acordo com o executivo, a BRF vai unificar as oito empresas que controla na Argentina (a Quickfood é a única que divulga resultado) em uma única pessoa jurídica. "Temos oito estruturas de custos diferentes, oito equipes de distribuição, oito sistemas de informática e tudo isso gera um custo administrativo alto", afirmou ele.

 

O processo de fusão, entretanto, deve demorar pelo menos dois anos, de acordo com o executivo. "Legalmente temos créditos tributários que só poderão ser resgatados mais adiante, e antecipar a fusão iria nos levar a abrir mão dessa receita", disse.

 

Conforme Vas Hacklauer, no longo prazo a BRF pretende transformar a operação da Argentina em uma "plataforma comum com o Brasil para exportações", direcionadas ao mercado asiático. "O custo operacional na Argentina atualmente não é maior que o brasileiro e uma maior desvalorização cambial no futuro poderia nos dar até 10% de redução em relação ao que conseguimos na matriz".

Hoje, a BRF exporta pouco a partir da Argentina. As vendas estão concentradas no negócio de aves, em que cerca de 20% da produção é exportada para Chile e Venezuela. "Mas o mercado chileno é pequeno e competitivo, e o da Venezuela enfrenta problema para a liquidação das operações", disse o executivo.

 



24/05/2013
AGRONEGÓCIO
VAIVÉM DAS COMMODITIES

MAURO ZAFALON mauro.zafalon@uol.com.br

 

Participação de argentinos no mercado externo de carne diminui ainda mais Os argentinos diminuem cada vez mais a participação nas exportações de carne bovina no mercado mundial. Após liderar esse mercado mundial há algumas décadas, os vizinhos já não estão mais entre os dez principais exportadores do mundo.

 

Os dados divulgados pelo Ministério da Agricultura da Argentina referentes ao primeiro quadrimestre deste ano confirmam esse cenário complicado vivido pelos pecuaristas do país.

 

As exportações de carne fresca bovina, que chegaram a 405 mil toneladas em 2005 e recuaram para apenas 88 mil toneladas no ano passado, não estão reagindo. Nos quatro primeiros meses deste ano, as vendas externas acumuladas repetem o baixo patamar de igual período do ano passado, ao somarem 32,5 mil toneladas.

Antes campeões de exportações de carne entre os países da América do Sul, os argentinos já vendem menos do que o Paraguai.

Considerando as exportações totais do setor bovino, incluindo carnes, leite e derivados, as vendas externas recuaram para 223 mil toneladas neste ano, 12% menos do que em 2012. Assim como ocorre com a carne, o setor de leite também não vai bem. As vendas externas deste ano somam 59 mil toneladas, 31% menos do que em 2012.

Além de uma redução no volume da carne que os argentinos têm para oferecer ao mercado externo, eles perderam dois dos principais parceiros nos últimos anos. Rússia e Venezuela compraram 47% do produto vendido pela Argentina em 2009. Neste ano, são apenas 14%. O Brasil está na lista dos principais importadores de queijo e de leite do vizinho.

 

Safra argentina mantém números desencontrados A Argentina caminha para o final de safra de soja e os números continuam desencontrados. O governo aposta em produção superior a 50 milhões de toneladas, enquanto as estimativas privadas indicam volume menor. Ontem, Ministério da Agricultura argentino e Bolsa de Cereais de Buenos Aires apresentaram dados ao mercado. As informações oficiais são de safra de 50,6 milhões de toneladas --até o mês passado, o governo previa 51,3 milhões--, enquanto a Bolsa de Cereais prevê 48,5 milhões de toneladas. Os desencontros continuam também nas estimativas de produção de milho. Os órgãos ligados ao governo preveem 25,7 milhões de toneladas, bem acima dos 24,8 milhões da Bolsa de Cereais.

 

Bom para a safra As chuvas em quantidades superiores ao normal em março e início de abril no Estado de São Paulo serão benéficas para a cana a ser colhida a partir do meio da safra, segundo avaliação da consultoria Datagro.

 

Ruim para o plantio Essas chuvas atrapalham, no entanto, o programa de plantio de 18 meses, que foi interrompido diversas vezes. De forma geral, o plantio apresenta 22% de defasagem em relação à agenda de 25 de abril último, aponta a Datagro.

 

Exportações A soja é o grande destaque da balança comercial de Mato Grosso. As exportações do complexo soja somam US$ 3,2 bilhões até abril. E o principal cliente é a China, que importou o correspondente a US$ 1,9 bilhão do Estado no período.

 

Total Os dados são do Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária), que apurou exportações de US$ 5,4 bilhões pelo agronegócio do Estado, 37% mais do que em 2012.

 



24/05/2013
COMÉRCIO EXTERIOR
INFRAESTRUTURA E CLASSE MÉDIA DA ÁFRICA ATRAEM BRASIL

A presidente Dilma Rousseff desembarca hoje na Etiópia para dar um claro recado político aos países africanos: o Brasil quer estreitar as relações com o continente no momento em que a região registra uma crescente demanda por produtos importados e investimentos em infraestrutura. A sinalização será dada no discurso da presidente durante a cerimônia em comemoração aos 50 anos da União Africana.

As relações entre o Brasil e a África ganharam um novo fôlego durante o governo Luiz Inácio Lula da Silva, e a presidente brasileira foi convidada pela União Africana para representar a América Latina nas solenidades do Jubileu de Ouro da organização. Estados Unidos, China, União Europeia e Índia também receberam convites semelhantes, e devem enviar representantes de alto nível ao evento. São esperados na cúpula, por exemplo, o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, e o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso.

 

Esse quadro reflete o esforço das principais potências mundiais em expandir suas presenças na África. O continente registra um crescimento econômico superior à média mundial, apesar dos efeitos da crise financeira global. Com o objetivo de assegurar os meios necessários ao seu desenvolvimento e a infraestrutura logística indispensável a um incremento das trocas comerciais dentro da própria região, a União Africana lançou, em conjunto com o Banco de Desenvolvimento Africano, um ambicioso plano de investimentos em energia, transportes, recursos hídricos e tecnologia. Os 51 projetos prioritários do Programa de Desenvolvimento da Infraestrutura na África (Pida, na sigla em inglês) têm um custo estimado em US$ 67,2 bilhões.

Em outra frente, a África vê surgir uma classe média ascendente. "[A África] É uma força pelo seu consumo", comentou o embaixador Paulo Cordeiro de Andrade Pinto, subsecretário-geral político do Ministério das Relações Exteriores do Brasil. "São grandes transformações que abrem oportunidades. O mundo olha a África como a mais nova fronteira do progresso", disse ele.

Além de uma maior participação das construtoras brasileiras em obras de infraestrutura, o governo brasileiro vislumbra diversas oportunidades para os exportadores brasileiros na África. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), as vendas do Brasil para o continente africano cresceram de US$ 2,9 bilhões para US$ 12,2 bilhões entre 2003 e 2012. O continente passou a ser o quinto maior destino para os produtos brasileiros, perdendo apenas para China, EUA, Argentina e Holanda, que é uma porta de entrada da Europa.

 

A pauta de exportações para a África é formada majoritariamente por produtos industrializados, o que, na avaliação do governo, mostra que o Brasil também passou a atender as demandas africanas por produtos de maior valor agregado. Fazem parte dessa lista, por exemplo, tratores, aviões, máquinas e equipamentos, construções pré-fabricadas, veículos de carga, geradores e autopeças.

Mesmo assim, sobretudo devido à importação de petróleo, a relação comercial com a África é tradicionalmente deficitária para o lado brasileiro. O continente assumiu a condição de principal região fornecedora da commodity ao Brasil. E ganha destaque como fornecedor alternativo de adubos e fertilizantes.

 

No acumulado entre janeiro e março de 2013, a balança comercial entre o Brasil e a África registra um saldo negativo de US$ 635,5 milhões. O resultado é fruto de US$ 2,6 bilhões em exportações e US$ 3,2 bilhões em importações.

 

Dilma deve estar acompanhada dos ministros Antônio Patriota (Relações Exteriores), Aloizio Mercadante (Educação), Desenvolvimento (Fernando Pimentel), Marco Antonio Raupp (Ciência e Tecnologia) e Luiza Bairros (Igualdade Racial). Antes de participar da cúpula da União Africana, está prevista para hoje uma reunião entre Dilma e o primeiro-ministro etíope, Hailemariam Desaleg. Eles devem assinar um acordo de cooperação nas áreas de ciência e tecnologia e serviços aéreos, o que pode viabilizar a criação de um voo direto entre os dois países.

 

País renegociou a dívida de quatro nações africanas

Por De Adis Abeba, Etiópia

 

A presidente Dilma Rousseff chega hoje a Adis Abeba, capital da Etiópia e sede da União Africana, com um trunfo para a estratégia brasileira de aprofundar as relações com o continente: a notícia da aprovação, pelo Senado, da proposta de renegociação das dívidas de Gabão, São Tomé e Príncipe, Senegal e Sudão com o Brasil.

A iniciativa faz parte da estratégia brasileira de normalizar o "relacionamento financeiro" com esses países. Além de permitir a recuperação dos recursos, a medida permitirá que esses países ofereçam novas garantias a futuras linhas de crédito voltadas às exportações ou à operação de empresas brasileiras nesses mercados.

As dívidas desses países são decorrentes de operações de financiamento às exportações brasileiras realizadas nas décadas de 70 e 80 com os recursos do Fundo de Financiamento às Exportações (Finex) ou de empréstimos mais recentes no âmbito do Programa de Financiamento às Exportações (Proex). Durante o governo Luiz Inácio Lula da Silva, esses débitos começaram a ser renegociados.

"A iniciativa alinha-se à prioridade que as relações com a África assumem na política externa brasileira voltadas para a promoção da estabilidade econômica e social daquele continente", anotou o Ministério da Fazenda na justificativa que embasou a mensagem enviada pela presidente Dilma ao Senado com os pedidos.

O Gabão liquidará uma dívida de US$ 24,08 milhões. Ao quitá-la antecipadamente, o país africano obteve um desconto de 15%. O Gabão pediu ao Brasil um deságio de 20%, mas não foi atendido. Na mesma carta em que fez o pedido, enviada em 2007, o governo do Gabão argumentou que enfrentava dificuldades devido à queda do preço do petróleo e buscava tornar-se uma economia diversificada para crescer de forma sustentável e combater a pobreza.

No caso de São Tomé e Príncipe, o Brasil aceitou dividir em sete parcelas anuais uma dívida de US$ 4,32 milhões. O entendimento foi alcançado em 2010. Em junho de 2011, foi a vez de Brasil e Senegal sentarem-se à mesa. Na renegociação, o Senegal reconheceu um débito de US$ 6,57 milhões. E o Brasil concordou em perdoar uma parte da dívida no valor de US$ 2,97 milhões. O montante restante será pago em dez parcelas semestrais.

 

Nas negociações com o Sudão, porém, estão envolvidos os maiores valores. Em novembro de 2012, representantes dos dois países se reuniram em Brasília para negociar um acordo. Pelo entendimento, da dívida de US$ 43,58 milhões com o Brasil reconhecida pelo Sudão, o país africano pagará 10% desse total em 12 parcelas trimestrais. Com isso, o perdão da dívida somou US$ 39,22 milhões. Por outro lado, ao obter o reconhecimento da dívida pelo Sudão, o acordo deve evitar que o Brasil seja envolvido nas negociações de rateio dos débitos externos entre o Sudão e o Sudão do Sul, o qual foi criado a partir do Sudão em 2011.

 

"A renegociação da dívida do Sudão com o Brasil permitirá a retomada dos pagamentos ao Brasil e, assim, a regularização do relacionamento financeiro entre os dois países, abrindo novas possibilidades para o desenvolvimento das relações econômicas e comerciais entre os dois países", registrou o Ministério da Fazenda na justificativa encaminhada por Dilma ao Parlamento.


24/05/2013
ECONOMIA
EMPREGO REGISTRADO CRESCE E OCUPA LUGAR DA INFORMALIDADE

Aos poucos, o emprego informal está saindo de cena. O mercado de trabalho das maiores metrópoles do país passa por um processo de transformação em que os postos formais ganham espaço, dizem especialistas.

Dados da pesquisa mensal de emprego do IBGE reforçam essa tendência. Em abril, o número de empregados com carteira assinada no setor privado aumentou 3,1% na comparação com o mesmo mês de 2012 --ou 342 mil novos postos. Já o total de trabalhadores sem registro caiu 5,8%.

Considerando um período mais longo, entre 2010 e 2012, o aumento acumulado do emprego formal foi de 10,8%, enquanto o de empregados sem carteira assinada caiu 9%.

"Há uma redução expressiva no contingente de trabalhadores sem carteira. É a informalidade saindo de cena", afirma Cimar Azeredo Pereira, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.

Entre os fatores apontados pelos especialistas para esse processo, estão mais fiscalização e o forte crescimento econômico nos últimos anos --abortado em 2011 e 2012.

Carlos Henrique Corseuil, do Ipea, diz ainda que a expansão do crédito para as empresas contribuiu.

"Quando as pequenas empresas buscam financiamento, precisam apresentar informações que as deixam mais vulneráveis a fiscalizações."

Apesar da redução da informalidade, cerca de 10% dos empregados ainda não têm registro.

DESEMPREGO

Após ter atingido o menor nível para o mês de março em 11 anos, a taxa de desemprego manteve-se em patamar baixo em abril --5,8%. Foi novamente um recorde para o mês desde o início da série do IBGE, em março de 2002.

A taxa indica situação de "quase" pleno emprego. Por outro lado, a população ocupada caiu pelo quinto mês consecutivo em abril.

"Temos um mercado de trabalho neste ano com menos força do que em 2012", afirma Pereira.

Além disso, houve crescimento dos ocupados em nível inferior ao da população em idade ativa pela primeira vez desde janeiro de 2011.

Ou seja, o aumento de vagas não foi suficiente nem sequer para cobrir o crescimento vegetativo do total de pessoas que já têm idade para trabalhar.



24/05/2013
INTERNACIONAL
DE OLHO EM NOVO MANDATO, CRISTINA INICIA CAMPANHA

Por César Felício | De Buenos Aires

 

De um palanque em frente à Casa Rosada, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, começa amanhã a montar a sua campanha para as eleições que vão renovar um terço do Senado e metade da Câmara em outubro deste ano. Os aliados da presidente planejam reunir cerca de 500 mil pessoas, na maior mobilização governista dos últimos anos, o que inclui as realizadas durante a eleição presidencial de 2011.

 

No dia 25 de maio, data em que se comemora a expulsão dos colonizadores espanhóis do território argentino, em 1810, o kirchnerismo festeja dez anos de poder no país, iniciados quando o marido e antecessor de Cristina, Néstor Kirchner, assumiu a Presidência em 2003.

 

A popularidade da presidente está em trajetória declinante: Cristina oscila entre 35% e 40% de aprovação popular. No último ano, a oposição conseguiu se mobilizar no país, realizando quatro grandes manifestações de rua. Há dois meses, o principal grupo de mídia, Clarín, veicula uma série de reportagens em seu canal de TV lançando suspeitas de corrupção sobre a própria presidente.

O mandato da presidente termina em 2015 e ela precisa mudar a Constituição para se reeleger, projeto abertamente defendido por seus auxiliares. A eleição parlamentar será decisiva para esse projeto. Cristina conta hoje com 133 deputados na Câmara, cinco além da maioria absoluta, mas precisa de 172 para atingir o quórum qualificado. No Senado, está com 38 dos 72 senadores e precisa de 48 para iniciar o processo de mudar a carta.

 

"Basta que os aliados de Cristina consigam 31% dos votos para que ela mantenha a maioria atual. A sua base deve crescer, mas não há como atingir o quórum. O projeto de reeleição pode começar a morrer neste ano", opinou o ex-ministro-chefe de Gabinete (cargo equivalente ao da Casa Civil no Brasil) Alberto Fernández, que ocupou a pasta entre 2003 e 2008 e está rompido com Cristina.

Os deputados que renovam o mandato em outubro foram eleitos em 2009, ano em que a oposição venceu o pleito. Das 127 cadeiras em disputa na Câmara, apenas 47 são de governistas. No Senado a conta é complexa: a maior parte das cadeiras a ser renovada é de oposicionistas, mas o sistema eleitoral garante uma cadeira por Província ao representante da primeira minoria. Serão renovados os três senadores de oito das 24 divisões territoriais argentinas.

A bancada governista está coesa em torno da Frente para a Vitória (FPV), que conta com 87% da bancada situacionista na Câmara e 84% dos apoiadores de Cristina no Senado. Já a oposição fragmenta-se em 19 partidos na Câmara e 7 entre os senadores. Há três núcleos básicos: a União Cívica Radical, de centro; os peronistas dissidentes - um arco que vai do ex-ministro da Economia Roberto Lavagna ao presidente da central sindical CGT, Hugo Moyano - e o PRO, do prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri, de centro-direita; e as siglas de esquerda e da centro-esquerda. Os candidatos precisam ser apresentados até o dia 22 de junho e nenhuma aliança de peso foi fechada.

A perspectiva de mudar a Constituição permitiu a Cristina bloquear a discussão sobre a sucessão presidencial mesmo em meio a uma reversão do cenário econômico favorável que marcou a Argentina até 2011. "Sem uma maioria clara na eleição deste ano, o governo de Cristina terá seu fim estabelecido e ela deve perder o monopólio da palavra que exerce hoje. Dentro do seu próprio bloco a sucessão começará a ser discutida", prevê o historiador Luis Alberto Romero, simpático à oposição.

 

As possibilidades de uma aliança de Cristina com setores da oposição para cooptar parte de seus deputados e senadores após as eleições e conseguir o quórum são reduzidas, em virtude da alta taxa de rejeição da presidente. As pesquisas de opinião mostram que poucos argentinos ficam indiferentes diante de Cristina: se ela tem uma aceitação entre 35% e 40%, a rejeição à sua figura supera 50%. "O piso e o teto dela estão convergindo rapidamente", comentou Fernández.

Economia fraca ameaça planos do kirchnerismo

Por De Buenos Aires

 

Motor da reeleição da presidente Cristina Kirchner em 2011, a economia argentina começa enfim a jogar contra as perspectivas políticas do governo em um ano eleitoral. O desaquecimento da atividade que teve início no ano passado já atinge o cotidiano.

"Este ano é o primeiro em que nós não vamos crescer", comentou a executiva Haruko Archenti, dona de uma empresa de recrutamento de mão de obra. De 2002 até o ano passado, o seu faturamento cresceu em média 10% ao ano até atingir um recorde de 70% em 2011.

Animada com os resultados, Haruko havia aumentado de 10 para 23 a quantidade de funcionários. "Nenhum de nossos 21 clientes demonstrou disposição de fazer novas contratações no segundo semestre", disse. Parte do trabalho atual de Haruko vai na direção oposta: sua empresa tenta recolocar no mercado 180 prestadores de serviço da mineradora Vale que foram dispensados com o cancelamento do projeto de exploração de potássio do rio Colorado, em Mendoza.

 

Até este ano, a escalada do dólar no câmbio negro, a inflação não reconhecida pelo governo e o ritmo menor da economia, que se expandiu em 2012 apenas 1,9% de acordo com os dados oficiais, ainda não haviam afetado o cidadão comum. O primeiro termômetro a mostrar que isso começa a acontecer é a evolução do nível de desemprego, que atingiu 7,9% no primeiro trimestre, alta de 0,8% em relação ao mesmo período de 2012, de acordo com dados oficiais.

A perspectiva inicial para 2013 era positiva, em função da recuperação da safra de soja, que deve possibilitar um aumento da receita com as exportações de grãos entre 10% e 20%; e da perspectiva de um reaquecimento da economia brasileira, destino de cerca de 20% das exportações argentinas.

 

"O atraso cambial desde 2009 e a inflação alta afetaram a competitividade argentina de tal maneira que nem mesmo uma melhora do setor de exportações garante uma expansão da economia", comentou o economista Eduardo Curia.

 

Em 2011, pouco antes da reeleição de Cristina, Curia foi um dos economistas consultados pelo governo sobre um possível ajuste econômico, mencionado em discursos pela presidente como uma "sintonia fina". Curia sugeriu uma desvalorização imediata do peso argentino e o controle de gastos públicos. Cristina optou por restringir o acesso dos agentes econômicos à moeda estrangeira e iniciou um corte de subsídios, que foi suspenso após um acidente ferroviário que matou 51 pessoas em fevereiro do ano passado.

 

Nos primeiros cinco anos do kirchnerismo, período que compreende toda a gestão do marido e antecessor de Cristina, Néstor Kirchner (2003-2007), a política econômica se baseou em um peso desvalorizado, superávit fiscal, acumulação de reservas e grandes saldos comerciais. Até 2008, o país cresceu mais que em qualquer outro período desde 1916.

 

Com a crise econômica global que se desatou neste ano, Cristina começou a represar a correção cambial. Em 2010, por exemplo, a moeda argentina perdeu apenas 5% de seu valor, quando a inflação real do país (o dado oficial é manipulado há seis anos) ficou em torno de 25%. A variação cambial também ficou abaixo da inflação nos dois anos seguintes.

 

O superávit fiscal argentino desapareceu com o aumento de gastos públicos, que passou de 30,4% para 44,6% do PIB em dez anos. E o saldo comercial começou a ser afetado pelas importações na área de energia. Para financiar o Estado, o governo da Argentina incrementou a carga tributária, que passou de 23% para 34,9% entre 2003 e 2011, a mais alta da América Latina, de acordo com a Cepal. (CF)
País deve ter alta de gastos públicos em ano eleitoral

Por De Buenos Aires

 

A presidente Cristina Kirchner sinalizou na quarta-feira que irá aumentar os gastos públicos para sustentar o consumo da baixa renda argentina, às vésperas do início do processo eleitoral. Cristina anunciou um aumento de 35% no valor do principal programa governamental de transferência de renda a famílias carentes, o AUH (Alocação Universal por Filho, em português), mecanismo análogo ao Bolsa Família brasileiro.

 

O reajuste repõe com folga a inflação anual real na Argentina, que está em torno de 25% (o cálculo oficial, de 10%, é considerado manipulado pelos agentes econômicos do país). E se torna ainda mais expressivo porque o último reajuste foi recente: em setembro do ano passado, quando subiu 25,9%.

 

O AUH, criado em 2009, paga 3,5 milhões de benefícios. Cada beneficiário irá receber 460 pesos, o equivalente a US$ 87 pelo dólar oficial. Até o fim do ano, o programa irá consumir recursos de 18,7 bilhões de pesos, ou cerca de US$ 3 bilhões, pelo câmbio de hoje.

Na Argentina, segundo um levantamento feito pelo grupo de jornais latino-americanos DGA (entre eles o argentino "La Nación" e o brasileiro "O Globo"), em torno de 29% da população está inscrita em programas de transferência direta de renda do governo. São cerca de 11 milhões de pessoas que recebem a AUH, pagamentos em frentes de trabalho ou benefícios previdenciários sem terem contribuído para o sistema. É um percentual superior aos 27% registrados no Brasil e inferior na América Latina apenas a Bolívia, Equador e República Dominicana. A Venezuela não foi incluída no levantamento.

O reajuste da AUH não foi o único anunciado por Cristina Kirchner, em uma cerimônia transmitida em cadeia nacional de rádio e TV com a participação de sindicalistas. A presidente também revelou a inclusão entre os beneficiários de mais 700 mil menores. (CF)

 



24/05/2013
POLÍTICA
INDICADO PARA O STF TERÁ PODER DE REVER MENSALÃO E VAI RELATAR CASO TUCANO

FELIPE RECONDO / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

Indicado ontem pela presidente Dilma Rousseff para o Supremo Tribunal Federal, o advogado Luís Roberto Barroso, de 55 anos, poderá mudar os rumos do julgamento do mensalão petista e será o responsável por relatar a ação penal do mensalão mineiro.

 

Especialista em Direito Constitucional, Barroso terá de julgar os recursos dos 25 condenados do mensalão. Os votos de Barroso e de Teori Zavascki, que também não participou do julgamento, podem acarretar redução de penas, absolvição de parte das acusações ou permissão para que 11 dos condenados sejam julgados novamente.

Na disputa pela vaga, Barroso contou com o apoio do secretário executivo da Casa Civil, Beto Vasconcelos, e do advogado Sigmaringa Seixas, amigo íntimo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que participou do processo de indicação.

 

Advogados que defenderam réus do mensalão demonstraram confiança no ministro. Um deles disse confiar que o perfil técnico de Barroso servirá para corrigir "erros" do STF na condenação de parte dos réus por crimes de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

Festa em Salvador. Na noite de ontem, Luís Roberto Barroso foi recebido com entusiasmo no hotel em que ficará hospedado até amanhã, em Salvador, onde participa do 13.º Congresso Brasileiro de Direito do Estado. No lobby do hotel, recebeu vários cumprimentos de colegas. "Não acho próprio fazer comentários ou dar declarações antes da submissão do meu nome ao Senado. Esta é a próxima etapa - e vou me preparar para ela", disse a jornalistas.

 

Barroso contou que recebeu a indicação ontem de manhã, em reunião com a presidente Dilma e o ministro da Justiça. "Fiquei muito feliz e muito honrado com a indicação, naturalmente, e com a perspectiva de servir ao País. Coisas assim sempre surpreendem a gente."

Futuro. Se o voto do futuro ministro eventualmente beneficiar réus do mensalão petista, a posição dele pode servir de padrão no caso mineiro. O ex-governador de Minas e ex-presidente do PSDB Eduardo Azeredo, assim como os réus petistas, foi denunciado pelos crimes de peculato e lavagem de dinheiro.

 

Mesmo reservadamente, Barroso não fazia comentários sobre o julgamento do mensalão, até porque era cotado para a vaga e sabia que, se indicado, teria de julgar os recursos dos réus.

Concedeu entrevistas defendendo o STF das acusações de que teria condenado os réus do mensalão em razão de pressão da sociedade. Mas disse que o tribunal contrariou precedentes e endureceu sua postura no julgamento sobre processos penais no caso do mensalão. Avaliava ainda que a condenação dos réus significava também a condenação do modelo político brasileiro em que, de acordo com ele, a sociedade não se sente representada por partidos.

Progressista. Barroso participou de grandes julgamentos do STF nos últimos anos. Defendeu as pesquisas com células-tronco embrionárias, a união estável entre pessoas do mesmo sexo e a interrupção da gravidez no caso de anencefalia. Atuou a favor da permanência, no Brasil, do ex-ativista italiano Cesare Battisti, condenado à prisão perpétua por quatro assassinatos. / COLABOROU TIAGO DÉCIMO

PERFIL
Luís Roberto Barroso, novo ministro do Supremo Tribunal Federal

Cotado desde o governo FHC

Brasília - O Estado de S.Paulo

No ano passado, Luís Roberto Barroso passou pelos momentos mais delicados de sua vida. Ouviu de um médico que teria poucas semanas de vida em razão de um câncer no esôfago. Aos 55 anos, submeteu-se a um tratamento médico intenso em São Paulo. Consultou-se com o médium João de Deus, em Goiás. Hoje está curado.

O nome de Barroso era cotado para o Supremo desde a gestão Fernando Henrique Cardoso. No governo Lula, foi preterido. Na gestão Dilma, tinha um forte cabo eleitoral, o secretário executivo da Casa Civil, Beto Vasconcelos. Dizia que nunca pediria para ser indicado, mas deixava claro que se fosse convidado, aceitaria sem sombra de dúvidas. Recentemente, foi convidado pelo ministro José Eduardo Cardozo para integrar uma comissão da Secretaria de Reforma do Judiciário do Ministério da Justiça, pavimentando o caminho de sua indicação.

 

Mudou-se do Rio para Brasília com a família - a mulher e dois filhos - depois de um assalto à sua casa há oito anos.

 

Na internet, mantém um blog em que expõe opiniões sobre assuntos jurídicos, poesia e música. Agora mudará da advocacia para a magistratura. No Supremo, terá um dos maiores estoques de processo da Corte - serão 7.841 processos, incluindo o do mensalão mineiro.

 



expandir Data: 23/05/2013   (22)
23/05/2013
AGRONEGÓCIO
COBB-VANTRESS PLANEJA INVESTIMENTOS PARA CRESCER NO BRASIL

Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

 

A Cobb-Vantress, empresa de genética avícola controlada pela multinacional americana Tyson Foods, promete investir US$ 6 milhões no Brasil no ano-fiscal 2013/14 (outubro a setembro) para ampliar a produção de aves reprodutoras destinadas às exportações, afirmou ao Valor o diretor-geral da companhia na América do Sul, Jairo Arenázio.

Os recursos serão utilizados para elevar em 30% a capacidade de alojamento de suas duas granjas de bisavós, localizadas nos municípios de Itapagipe (MG) e Paulo de Faria (SP). Atualmente, as duas unidades são capazes de alojar 1,2 milhão de aves, mas esse número saltará para 1,5 milhão com a ampliação. As chamadas "granjas de bisavós" são aquelas destinadas à produção de avós.

Com o investimento, a Cobb-Vantress dará mais um passo na estratégia de transformar o Brasil em uma plataforma de exportações de genética avícola para a América Latina. No ano passado, a empresa investiu R$ 35 milhões para erguer uma granja de avós, também na mineira Itapagipe. Essa unidade entrou em operação no início de 2013. Nas granjas de avós, são produzidas as matrizes, que são as aves que botam ovos, cujos pintos de corte serão alojados. Estes vão se transformar nos frangos que serão abatidos, em média, 45 dias após o alojamento.

 

Ao elevar sua aposta nas vendas de genética para o mercado externo, a Cobb-Vantress reconhece que o já elevado consumo nacional de carne de frango não deve registrar crescimentos significativos nos próximos anos. Hoje, o brasileiro consome 45 quilos de carne de frango por ano, conforme dados da União Brasileira da Avicultura (Ubabef). O Brasil é um dos cinco principais países em consumo per capita dessa proteína.

 

Além disso, o espaço brasileiro para avançar nas exportações de carne de frango no curto prazo também é limitado, como já admitiu em outras ocasiões o presidente da própria Ubabef, Francisco Turra. O Brasil é o líder global nas exportações de carne de frango, à frente dos Estados Unidos. É nesse contexto, portanto, que as exportações de genética avícola entraram no radar da Cobb-Vantress.

Mas a estratégia de impulsionar as exportações não aconteceu sem sobressaltos. Em entrevista ao Valor em janeiro, Arenázio disse que a companhia pretendia exportar cerca de 20% de sua produção de matrizes. Agora, a previsão é manter essa fatia nos atuais 15%. No ano passado, a Cobb-Vantress produziu 21,9 milhões de matrizes.

A mudança nos planos de Arenázio é um reflexo das dificuldades logísticas enfrentadas pela empresa, em especial no que diz respeito aos custos do frete aéreo (cada voo envia entre 30 mil e 40 mil aves). E é exatamente nesse ponto, aliás, que a ampliação das duas granjas de bisavós poderá ajudar, segundo o executivo.

Arenázio defende que os países da América do Sul, principal mercado das exportações da empresa, comprem mais aves avós em detrimento das matrizes, como é mais comum hoje. Essa medida reduziria o número de animais enviados, uma vez que a produção de matrizes passaria a acontecer nos países sul-americanos.

Com a conclusão das obras de ampliação, prevista para o fim de 2014, a Cobb-Vantress pretende elevar de 20% para 40% a participação das exportações na produção de avós. A meta da empresa é atingir essa fatia em meados de 2015.

Segundo Arenázio, a vantagem da "troca" das matrizes pelas avós não se restringe à logística. A empresa também teria um ganho de margem na operação de exportações. Isso porque uma ave matriz custa cerca de US$ 17, enquanto que uma avó vale cerca de US$ 100.

Atualmente, o Brasil responde por 27% do faturamento global da Cobb-Vantress. Por determinação da Tyson, a companhia não divulga os dados globais e regionais de faturamento.

 



23/05/2013
AGRONEGÓCIO
FERTILIZANTE SOFRE COM DEPENDÊNCIA EXTERNA

Por Rosangela Capozoli | Para o Valor, de São Paulo

 

O setor de fertilizantes agrícolas vem investindo pesado na produção interna de insumos, mas por muitos anos ainda será dependente da importação. Especialistas da área acreditam que ao longo das próximas duas décadas esse elo de dependência ainda se manterá, apesar de o setor ter investido US$ 3,6 bilhões no biênio 2011/2012. A tendência é de pequena redução das compras externas a partir de 2017, quando os investimentos devem atingir US$ 18,6 bilhões, segundo projeção da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda).

Para se ter uma ideia, o potássio, nutriente básico para a produção de defensivos, tem um índice de importação da ordem de 95%, enquanto os nitrogenados estão ao redor de 50%. As compras externas nos primeiros quatro meses de 2013 subiram 30% em comparação ao mesmo intervalo do ano passado, quando chegaram ao mercado 5,5 milhões de toneladas de matéria-prima.

"As importações devem passar de 20 milhões de toneladas para 21 milhões de toneladas neste ano (+5%). Já a comercialização de fertilizantes entre os meses de janeiro e abril somou 7,2 milhões de toneladas, alta de 4,7% sobre o mesmo intervalo do ano passado. O crescimento estimado para o ano é de 2,4%", afirma Cleber Vieira, analista da área de fertilizantes da Agroconsult Consultoria e Projetos.

As vendas de fertilizantes estão estimadas entre 30 e 30,5 milhões de toneladas no país. David Roquetti Filho, diretor executivo da Anda, prefere manter a projeção de investimentos projetada até 2017. Os US$ 18,6 bilhões previstos até dezembro de 2017 incluem, segundo ele, US$ 6 bilhões que seriam injetados pela Vale na Argentina, projeto que foi suspenso. Roquetti Filho refere-se ao projeto de potássio no rio Colorado, onde a companhia chegou a desembolsar, de acordo o mercado, pelo menos US$ 2,2 bilhões como parte da meta de se tornar uma das maiores fornecedoras de fertilizantes do mundo.

Ainda segundo especialistas do ramo, a produção seria voltada ao Brasil, e trata-se da única mina da América Latina, com capacidade anual prevista ao redor de 4,5 milhões de toneladas.

Por outro lado, o BNDES já considera a possibilidade de expandir nos próximos anos em oito vezes os recursos para projetos de produção de fertilizantes, um dos setores mais deficitários da economia e que carece de novos investimentos para reduzir a dependência externa. O objetivo é aumentar os financiamentos para projetos de produção de três insumos - potássio, fosfato e nitrogênio - dos atuais R$ 250 milhões anuais para algo ao redor de R$ 2 bilhões em 2015. Segundo informações do banco, "o BNDES pode e tem tudo para ajudar o governo a estimular este setor". O Brasil é quarto maior consumidor de fertilizantes do mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos, Índia e China.

 

De acordo com a Anda, a Vale é a única companhia focada na exploração de potássio. Também pertence à mineradora o único projeto em operação que produz cloreto de potássio - insumo na fabricação de adubos -, o Taquari-Vassouras, em Sergipe, explorado desde 1992. O projeto inclui uma mina subterrânea e uma usina de beneficiamento com capacidade de produção de 655 mil toneladas por ano.

 

De acordo com Carlos Nogueira da Costa Jr., secretário de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia (DNPM), a exploração das reservas de carnalita - minério do qual se extrai o cloreto de potássio -, em Sergipe, pela Vale Fertilizantes, deve contribuir para a redução da dependência de importação. O Brasil compra no exterior um volume próximo a 95% de insumo. Com a exploração das reservas de carnalita, esse número cairia gradualmente, chegando a 75% em 2020, estima o secretário.

 



23/05/2013
AGRONEGÓCIO
NOVO RECORDE NAS EXPORTAÇÕES DAS COOPERATIVAS

Por Tarso Veloso | De Brasília

 

As exportações das cooperativas brasileiras alcançaram o recorde de US$ 1,838 bilhão no primeiro quadrimestre deste ano, 9,8% mais que em igual intervalo de 2012, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic). As importações caíram 0,7% na mesma comparação, para US$ 68,5 milhões.

O açúcar refinado, carro-chefe da paulista Copersucar, liderou os embarques entre janeiro e abril. No total, as vendas do produto ao exterior renderam US$ 469,5 milhões, ou 25,5% do total exportado pelas cooperativas. Em seguida aparece a carne de frango, com vendas de US$ 210 milhões (11,5% do total) e açúcar bruto, com US$ 199 milhões (10,8%). Outros destaques da pauta no quadrimestre são o café em grão, cujas exportações, puxadas pela mineira Cooxupé, foram de US$ 197 milhões, etanol, com US$ 152 milhões, e farelo de soja, com US$ 139 milhões.

 

Os dados do Mdic mostram que 108 cooperativas de 17 Estados do país realizaram exportações no primeiro quadrimestre. Os embarques das cooperativas de São Paulo alcançaram US$ 801,3 milhões, ou 43,6% do total, seguidos pelas vendas dos grupos do Paraná (US$ 443,2 milhões), de Minas Gerais (US$ 178,6 milhões), e de Santa Catarina (US$ 128,9 milhões).

 

As exportações de produtos de cooperativas brasileiras chegaram a 124 países nos quatro primeiros meses deste ano, segundo o Mdic. Os Emirados Árabes Unidos foram o principal destino das vendas, com US$ 216,5 milhões, ou 11,8% do total. EUA, com US$ 161,4 milhões, e China, com US$ 138,8 milhões, também estão entre os maiores compradores.

 



23/05/2013
AGRONEGÓCIO
SONEGAÇÃO NO ETANOL AINDA SUPERA R$1 BI

Eles são velhos conhecidos da polícia, das secretarias de Fazenda e dos promotores de Justiça. E continuam na praça apesar das medidas adotadas nos últimos anos para barrar o crime no qual se especializaram: sonegação de impostos nas vendas de etanol.

É um negócio que gera prejuízo bilionário aos cofres públicos, cujas quadrilhas têm braços que cruzam Estados e que vêm sofisticando seus modos de operação. Os esquemas prosperaram na última década e, conforme autoridades, envolvem donos de postos, corretores de combustível, distribuidoras de fachada e donos de usinas. Ou seja: todos os atores da cadeia do etanol. Nesse contexto, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) prepara mudanças no segmento para tentar diminuir a margem de ação dos criminosos.

Minas, São Paulo, Goiás e Paraná são alguns dos Estados onde essas quadrilhas têm mais força, segundo o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom), que reúne as multinacionais e grandes companhias nacionais. A entidades calcula que de 20% a 25% do etanol vendido nos postos do país passa por algum esquema de sonegação. A perda para o Fisco é de R$ 1 bilhão a R$ 1,1 bilhão por ano, estima o sindicato. Os cálculos da Fecombustíveis, que representa os postos do país, são ainda mais alarmantes: 30% do etanol vendido no país seria sonegado causando um prejuízo de R$ 1,8 bilhão.

Em Minas Gerais, um dos Estados onde o Ministério Público e o governo têm feito seguidas operações contra essas gangues, as investigações contam com escutas telefônicas e monitoramento de movimentações financeiras e demoram, muitas vezes, meses na coleta de provas.

 

"Essas redes têm pessoas em São Paulo, Minas, nos Estados do Nordeste", diz o subsecretário da Receita da Secretária de Estado da Fazenda de Minas, Gilberto Silva Ramos. "Estamos lidando com redes que movimentam milhões de reais, cujos mentores conhecem bem o setor e sabem que para irem para a cadeia, o governo precisa achar provas. E sabem que o risco para eles é baixo".

Foi preciso quase um ano de escutas, monitoramento financeiro e investigações para que o MP e o governo mineiro chegassem a uma dessas quadrilhas. Foi na última operação no Estado contra esse tipo de crime, ocorrida em julho. Quando deram o bote, encontraram um esquema que, até aquele momento, havia sonegado cerca de R$ 6 milhões. Isso somente em vendas para postos na região de Campo Belo, Lavras, Cana Verde e Candeias, no sul de Minas.

Segundo o Ministério Público de Minas Gerais e a Secretaria de Estado da Fazenda, os postos chamados de "bandeira branca" tendem a aparecer mais em casos relacionados a esses esquemas. Mas postos de grandes marcas também estão no radar das autoridades mineiras.

Depois de anos à caça dessas gangues, promotores públicos, secretárias de Fazenda, polícia e as empresas que operam legalmente e sentem o peso da concorrência desleal, conhecem de cor e salteado o modo de operação dos criminosos.

O que motiva o esquema é a possibilidade de maiores lucros para os donos de postos. Quem opera corretamente no negócio compra etanol de uma distribuidora. São só as distribuidoras que podem comprar o biocombustível das usinas para revender. Elas se ocupam de transporte e estocagem do produto. Tudo isso têm custos, claro. As distribuidoras são obrigadas a recolher o ICMS delas e dos postos para os quais fornece. As usinas recolhem só o seu ICMS. Até o início de maio, também incidia sobre o etanol o PIS/Cofins, zerado desde então. E, no modelo em vigor, o produto é isento de Cide.

Pelo esquema paralelo, corretores de etanol associados às quadrilhas oferecem aos donos de postos combustível mais barato. Não tem mágica. Os postos acabam comprando direto das usinas. A vantagem? O combustível chega à bomba sem o ICMS da distribuidora e do próprio posto - e, portanto, mais barato.

O Sindicom tem alguns exemplos. Em São Paulo, o total o ICMS cobrado no etanol é de 12%, o que representa R$ 0,23 do preço do litro. Em Minas, 19% (R$ 0,41); no Rio de Janeiro, 24% (R$ 0,56); em Goiás, 22% (R$ 0,44); em Pernambuco, 25% (R$ 0,57); e no Paraná, 18% (R$ 0,38).

 

Um posto nas capitais compra, em média, 250 mil litros de combustíveis por mês. Em alguns Estados, metade - ou quase isso - de etanol e metade de gasolina. Como a margem de ganho na venda do etanol para os postos é de R$ 0,20 a R$ 030, comprar o combustível mais barato por meio de sonegação é um negócio sempre atraente.

 

Mas, para dar um aspecto legal a esses esquemas, as chamadas distribuidoras "barriga de aluguel" entram no circuito. São empresas constituídas como manda o figurino. Têm sócios, capital social, sede e emitem nota fiscal. Mas é tudo enganação. Os donos são laranjas e a empresa discrimina, mas não recolhe o ICMS nas notas - nem o dela nem o dos postos. E até ela ser autuada, já se passaram um ou dois anos de funcionamento, diz o promotor de Justiça do Ministério Público Estadual de Minas, Renato Froes. "Quando são descobertas, não temos ninguém para responsabilizar".

 

A "barriga de aluguel" é a peça-chave das quadrilhas. Dão a fachada legal que os donos de postos precisam. Em alguns casos, duas distribuidoras desse tipo participam da operação, para dificultar o rastreamento. Mas é o dono do posto quem manda buscar o etanol, em caminhões-tanque próprios ou alugados. Quando a usina está próxima ao posto, uma mesma nota é usada para dois ou três carregamentos no dia. Parte das fraudes com etanol ocorre com os donos de postos negociando diretamente com os usineiros.

As fraudes fiscais no negócio do etanol têm também uma faceta tecnológica. De alguns anos para cá, entrou em cena um componente que permite aos donos de postos alterar o marcador digital das bombas. Uma novidade vital para quem compra parte de seu combustível sem nota e precisa deixar registrado nas bombas a apenas a quantidade coberta pelas notas.

 

Os criminosos são criativos. Na operação que o Ministério Público e o governo fizeram no sul de Minas - a oitava no Estado desde 2009 -, as autoridades encontraram um amostra de variações possíveis do golpe: um caminhão carregado com 30 mil litros de etanol estacionado próximo a um dos postos suspeitos.

 

Sim, havia nota fiscal e a aparência era de total legalidade, não fosse pelo fato de que no documento constava que o combustível era destinado a uma indústria do Maranhão. Mentira, era álcool para abastecer os postos dali mesmo, segundo Anderson Aparecido Félix, o superintendente de fiscalização da Secretaria de Estado da Fazenda de Minas.

 

Como se tratava de uma venda para o Nordeste e como era para uma indústria, o ICMS apontado na nota era de 7% e o preço do litro, cerca de R$ 0,50. Mas como a carga iria, na verdade, abastecer aos postos de Minas, o ICMS à época seria de 22% e o valor usado para base de cálculo de cerca de R$ 2. "O ICMS recolhido na nota era equivalente a R$ 1.000, mas deveria ser de R$ 13.200", diz Félix.

A ANP elaborou uma resolução que atualiza os critérios de autorização de atividade das distribuidoras. Entre as mudanças, passará a exigir que o capital social mínimo para a criação de uma empresa desse tipo seja de R$ 2,8 milhões. Pela regra em vigor desde 1999, o valor necessário é R$ 1 milhão. Outra mudança: os donos da distribuidora terão de comprovar a propriedade de pelo menos uma instalação de armazenamento onde operam. A regra atual permite que eles arrendem uma base, o que dá margem, segundo a própria nova resolução da agência, para irregularidades. A resolução está em processo de consulta pública até sexta-feira. Representantes do setor e autoridades fazendárias aprovam as mudanças.

Em abril de 2012, os secretários de Fazenda de Minas, Paraná, Rio, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo assinaram um protocolo para unificar as exigências para operação das distribuidoras.

Em São Paulo, que já vinha adotando outras iniciativas contra os esquemas ilegais, a situação melhorou, mas o mercado não está totalmente regularizado, conforme a Administração Tributária da Secretaria da Fazenda. No ano passado, dos 21 pedidos de abertura de distribuidoras, apenas três foram aceitos.

 

O governo de Minas também tem atuado contra as quadrilhas. De 2009 para cá, o MP, com o apoio do governo, deflagraram oito operações no Estado contra gangues que já haviam sonegado R$ 77 milhões. Minas está começando a por em prática um sistema piloto que exigirá do setor a confirmação eletrônica de recebimento de pagamento.

Se donos de postos, corretores e distribuidoras tomam, segundo autoridades, parte desses esquemas, o que dizer das usinas? Os empresários têm um bom argumento: não há como saber se a distribuidora "X" - que é devidamente registrada e sobre a qual não consta nenhum protesto - é uma "barriga de aluguel". Mas tanto no governo de São Paulo quanto no de Minas, a leitura é a mesma: quem está no setor sabe muito bem com quem está lidando.


23/05/2013
ÁGUA
USO RACIONAL DE ÁGUA NO CAMPO

ADALBERTO LUIS VAL

Diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e membro do Conselho Administrativo da Fundação Bunge

Pesquisas demonstram que no mundo se utilizam no campo quase 70% da água dos rios, lagos e aquíferos. O potencial de desperdício, no entanto, é um dos mais desafiadores. Os sistemas de rega, por exemplo, perdem grandes quantidades do líquido. Calcula-se que só chegam à zona de cultivo entre 15% e 50% da água extraída para irrigação. Perde-se água por evaporação, por absorção e por fugas.

Outro aspecto que impacta o consumo na agricultura é que as culturas exigem diferentes demandas na quantidade. O arroz, por exemplo, usa o dobro de água para ser produzido do que o trigo. Mas isso também muda se a região do plantio estiver em lugar mais quente ou mais fresco. A produção de 1kg de cereal pode exigir de um a dois m³ se plantado em áreas com abundância de chuvas e condições climáticas favoráveis. Se a mesma quantidade do cereal for produzida em áreas de clima desfavorável, com altas temperaturas e alto índice de evapotranspiração, exigirá entre três e quatro m³ de água.

 

Para cultivar um hectare de milho no Brasil ou na Argentina, necessita-se de 50% da água que se usaria para cultivar o mesmo hectare de milho em Burkina Fasso, na África, ou Bahrein, no Oriente Médio. Esses dados reforçam a importância da pesquisa e dos experimentos científicos no campo em busca de espécies mais resistentes a climas secos e menos dependentes de água. O conhecimento não só auxilia na preservação dos recursos naturais, mas também se traduz em ganhos mais efetivos no aspecto econômico da produção agrícola.

O adequado uso do recurso para o plantio é meta de desenvolvimento agrícola que o país deve perseguir. Há estudos em várias instituições que contrastam métodos de manejo da água de irrigação. Em quase todos os métodos, o uso de informações climáticas, como temperatura, umidade relativa do ar, vento e radiação solar, ajudam no cálculo da quantidade de água que a planta consome. Alguns métodos, entretanto, monitoram parâmetros, como a umidade do solo. Nesse caso, quem determina se a secagem do solo é mais rápida ou mais lenta é a planta que está sendo afetada pelos fatores ambientais.

 

De acordo com dados levantados na horticultura, por exemplo, o produtor que não utiliza nenhum controle da irrigação e passa a adotar alguma técnica para manejo, como avaliar as condições climáticas ou empregar um sensor de umidade do solo, na média geral, obtém aumento de 10% a 30% da produtividade. Já a redução do uso de água e energia gira em torno de 20% a 30%. São esses exemplos de estudos e pesquisas que podem potencializar a produção agrícola, utilizando a água de forma a preservá-la, que a Fundação Bunge vai avaliar para escolher os contemplados ao Prêmio Fundação Bunge 2013, dentro do tema Recursos Hídricos e Agricultura, cujo resultado sai em julho.

 

Para alcançar esse nível de ganho, o agricultor conta, no Brasil, com uma infraestrutura e capacidade técnica nas áreas de monitoramento e previsão meteorológica e do sensoriamento remoto de variáveis relevantes na agricultura, considerados excelentes segundo padrões internacionais. A competência está principalmente centralizada no Vale do Paraíba, SP, onde se encontram dois centros no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Centro de Ciência do Sistema Terrestre (Inpe/CCST) e Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (Inpe/CPtec)) e o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (MCTI/Cemaden). Esses organismos podem suportar iniciativas nesse sentido, gerando insumos cada vez maiores para a agricultura nesse campo.

Outro apelo nesse sentido está na necessidade de aprimorar a relação do uso da água e a produtividade na agricultura, incluindo a aquicultura, em razão da iminente mudança climática e seus impactos nos recursos de água doce ao redor do mundo. Entre outras instituições a desenvolver estudos, está o Inpa/MCTI, que possui câmaras climáticas preparadas para simular cenários ambientais do ano 2100 onde são cultivadas plantas e criados peixes de água doce (INCT Adapta/CNPq/Fapeam).

 

Esse quadro pode afetar, inclusive, o desenvolvimento sustentável e colocar em risco, por exemplo, a redução da pobreza e da mortalidade infantil. A governança hídrica é componente importante da gestão da água para obter recursos hídricos sustentáveis para diferentes sistemas socioeconômicos e administrativos nos próximos anos.

 



23/05/2013
ECONOMIA
ALIMENTOS CEDEM E IPCA-15 RECUA ´PARA 0,46%

Depois de cinco meses acima de 1% e se configurando como o principal vilão da inflação no início do ano, os preços dos alimentos finalmente começaram a ceder e a abrir espaço para índices mais baixos. É o que apontou o IPCA-15 de maio, prévia da inflação do mês divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O indicador teve variação de 0,46%, a mais baixa do ano - de janeiro a abril, a flutuação mensal média do IPCA foi de 0,63%, nível que, segundo economistas consultados pelo Valor PRO, não deve se repetir nos próximos meses. A desaceleração foi puxada principalmente pelo grupo de alimentação e bebidas, que foi de variação de 1% na prévia de abril para 0,47% na prévia de maio, com queda de preços em vários produtos que vinham puxando o indicador para cima, caso do tomate, que, após subir quase 15% em abril, caiu 12,42% em maio.

"A alimentação enfim apresentou uma desaceleração que já era esperada faz tempo, e a tendência é que continue desacelerando nos próximos meses", disse Luís Otávio de Souza Leal, economista-chefe do banco ABC Brasil, lembrando que nos índices que medem os preços no atacado boa parte dos alimentos já vinha apresentando quedas desde janeiro, repasse que só agora aparece nos preços ao consumidor, medidos pelo IPCA. Algumas previsões apontam para um IPCA na faixa de 0,30% no fechamento de maio e em junho.

No acumulado em 12 meses, no entanto, o índice deve continuar próximo do teto da meta, de 6,5%, até agosto. No IPCA-15 de maio, o acumulado chegou a 6,46%. "Os números deste mês têm a cara da inflação que vivemos neste momento: as notícias no curto prazo são favoráveis, mas a tendência continua sendo de alta", disse Leal.

"Não haverá uma redução radical. O que vemos é um movimento gradual de desaceleração, e que dará um alívio no curtíssimo prazo", disse Tatiana Pinheiro, economista do Banco Santander. "Mas este é um efeito temporário. No fim do terceiro trimestre a inflação volta a acelerar por conta da sazonalidade do fim de ano, que inclui 13º salário e uma demanda maior por conta das festas", disse ela.

Alguns economistas enfatizam os sinais de perda de força do consumo, com o mercado de trabalho menos pressionado e a renda com ganhos menores, o que pode colaborar para que os preços subam menos. "A composição do IPCA-15 deste mês mostra que a alta foi puxada por coisas nitidamente pontuais, e, para aqueles que acham que a inflação é causada por demanda, mostra que não é", disse o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves.

Ele destaca que os principais fatores de alta nesse levantamento, como remédios, que tiveram os preços reajustados no mês passado, e vestuário, que passa pela troca de coleção, são sazonais, e que em breve deixam de pressionar. Fábio Romão, analista da LCA Consultores, destaca que a inflação dos serviços, que fechou em 8,75% no ano passado, deve também desacelerar neste ano. "Nossa projeção é que feche em algo próximo de 8%", disse o economista.

No IPCA-15 de maio, a variação mensal dos serviços foi de 0,52%, estável em relação aos 0,51% de abril. "Isso tem a ver com o rendimento real, que no ano passado cresceu 4,1%, segundo o IBGE, e neste ano, na nossa previsão, crescerá na faixa de 2,5%. O salário mínimo, que teve reajuste real de 7,5% em 2012, teve ganho de 2,7% neste ano. É claro que a taxa de desemprego baixa dá espaço para repasses das altas de preço, mas eu não vejo a demanda como um fator preponderante na inflação, e sim a oferta", afirmou Romão.

A tendência de desaceleração aguardada para os próximos meses aparece também no índice de difusão já menor no IPCA-15. O indicador, que mede quanto dos produtos pesquisados tiveram aumento de preços no período, caiu de 68,22% em abril para 61,37% em maio, nos cálculos da LCA, depois de ficar rodando acima dos 70% entre janeiro e março.

A dispersão ficou abaixo, inclusive, do registrado na prévia de maio do ano passado (63,29%). "A média do índice de dispersão de julho de 2006 a junho de 2012 foi de 60,3%. Ou seja, estamos voltando a nos aproximar da média histórica recente da difusão da inflação", disse Romão.

 



23/05/2013
ECONOMIA
CONTAS EXTERNAS TÊM ROMBO DE US$ 69,9 BI

O rombo nas contas externas chegou ao maior nível em 11 anos e acendeu um alerta no governo. No fim de abril, o saldo negativo das transações do país com o exterior, no período acumulado em 12 meses, chegou a US$ 69,9 bilhões, o equivalente a 3% do Produto Interno Bruto (PIB), nível em que normalmente esse tipo de desequilíbrio começa a causar preocupação entre os economistas. Caso os números continuem a piorar, o Brasil pode ficar bem mais vulnerável a crises internacionais.

 

Somente em abril, o deficit alcançou US$ 8,3 bilhões. No primeiro quadrimestre, o rombo foi de US$ 32,2 bilhões, quase o dobro do registrado no mesmo período do ano passado. Para o Banco Central, o problema tem três origens: os gastos crescentes de turistas no exterior, o saldo negativo recorde da balança comercial e o avanço das remessas de lucros e dividendos das empresas multinacionais para fora do país.

 

A febre das viagens internacionais, patrocinada por passagens e hospedagem baratas e parcelamentos a perder de vista, tem feito o brasileiro sair do país como nunca. Em abril, os turistas nacionais deixaram US$ 2,1 bilhões em solo estrangeiro, um recorde para o mês. Na contramão, os visitantes que procuram o Brasil como destino turístico ou de negócios desembolsaram US$ 583 milhões. Entre janeiro e abril, as despesas feitas por brasileiros no exterior somaram US$ 8,1 bilhões.

“O aumento da massa salarial e a expansão do emprego também ajudam a explicar esse avanço das viagens”, observou Túlio Maciel, chefe do Departamento Econômico do Banco Central. “Além disso, boa parte dos países de destino ainda se encontram em recuperação, e ali os preços podem estar mais em conta.”

 

A cotação do dólar, em contrapartida, não tem estimulado esses passeios. Maciel lembrou que, no ano passado, a divisa foi negociada, em média, a R$ 1,85. Em 2013, esse valor subiu para algo ao redor de R$ 2. Ontem, a moeda norte-americana fechou na maior cotação do ano, em R$ 2,05 na venda. Mesmo com essa valorização, o turista não deixou de gastar lá fora. Em maio, até o dia 20, as despesas somavam US$ 1,4 bilhão.

 

Situação ruim

O principal motivo do crescimento do rombo das contas externas, no entanto, tem sido o mau desempenho da balança comercial. De janeiro a abril, o Brasil importou US$ 6,1 bilhões a mais do que exportou — um recorde para esse período. “Os dados do setor externo continuam extrapolando qualquer bom senso”, criticou André Perfeito, economista-chefe da corretora Gradual Investimentos. Para o governo, porém, o saldo comercial deve melhorar a partir de maio, com o início do embarque da safra de grãos para o exterior.

Para Felipe Salto, economista da Tendências Consultoria, por todos os ângulos que se analise, a situação está ruim. As remessas de lucros e dividendos feitas por empresas estrangeiras, por exemplo, cresceram 61,45% na comparação entre o primeiro quadrimestre de 2013 e igual período do ano passado. As filiais de multinacionais têm enviado recursos para cobrir prejuízos das matrizes, sobretudo daquelas localizadas em países em crise, como acontece na Europa.
As condições ruins de outras economias acaba também prejudicando o país no sentido inverso. As empresas brasileiras com unidades lá fora diminuíram as remessas de lucros para o Brasil. De janeiro a abril, esses recursos somaram US$ 247 milhões — 85,9% menos que em igual período do ano passado.

 

Outro fator que preocupa os economistas é a queda no ingresso de investimentos estrangeiros diretos no país. Nos últimos anos, o rombo das contas externas vinha sendo coberto com esses recursos, que são direcionados ao setor produtivo e, por isso, considerados de melhor qualidade. Neste ano, no entanto, o volume não tem sido suficiente. Até abril, esses capitais somaram US$ 18,9 bilhões — dinheiro bastante para financiar apenas 57% do deficit.

 

“Outros países têm sido mais atraentes”, disse Salto. Segundo ele, as seguidas intervenções do governo na economia assustaram os investidores. Nações como o México, o Chile e a Colômbia, na América Latina, têm se apresentado como opções mais interessantes.

Para saber mais

Contas externas, o que são? Funcionam como uma espécie de termômetro que mede o quanto o país está vulnerável ao resto do mundo. Elas são compostas por balanço de pagamentos, reservas internacionais e dívida externa.

 

O que é balanço de pagamentos? Ele registra todas as transações do Brasil com outras nações, as entradas e as saídas de recursos. Se o brasileiro importa um bem ou serviço, viaja para o exterior e faz compras, aluga máquinas e equipamentos de fora, ou envia dinheiro para um parente que more em outro país, colabora para que essa conta fique no vermelho.

 

Como isso afeta minha vida? Normalmente, um país emergente tem saldo negativo no balanço de pagamentos porque precisa de capital externo para se desenvolver. Mas, se o rombo for muito grande, fica difícil captar recursos no exterior para cobrir o desequilíbrio, e a economia pode entrar em crise. As reservas ajudam a evitar essa situação, pois podem ser usadas para pagar os compromissos.

Quais os riscos? Deficits muito grandes indicam que haverá uma menor quantidade de dólares disponível no mercado doméstico e o valor da moeda frente ao real tende a subir fortemente. Fica mais caro importar itens essenciais. Os investidores internacionais perdem a confiança no país, que pode ter problemas para crescer e até enfrentar desemprego.


23/05/2013
ECONOMIA
DÉFICIT EXTERNO CRESCE, MAS SEM TRAZER POTENCIAL EXPORTADOR

O saldo da conta corrente brasileira vem se deteriorando desde 2004 e poderá superar com alguma facilidade 3% do Produto Interno Bruto (PIB) caso o país seja bem sucedido no plano de acelerar investimentos, mas não consiga ampliar sua capacidade de exportação, avaliam economistas. O Brasil, que tinha superávit em conta corrente até 2004, passou a ter saldos negativos a partir de 2008, sem a contrapartida de um aumento na formação bruta de capital fixo.

É comum que países com crescimento forte, puxado pela alta do investimento, tenham déficit em conta corrente por causa do aumento de importações de bens de capital e de aluguéis de máquinas e equipamentos, por exemplo. Nos últimos dois anos, no entanto, o déficit em conta corrente do Brasil aumentou 0,2 ponto percentual, enquanto a taxa de investimento recuou 1,4 ponto, sempre como proporção do PIB. Mesmo sem retomada expressiva dos investimentos, nos doze meses encerrados em abril deste ano o déficit em transações correntes já chegou aos US$ 70 bilhões, ou 3% do PIB, de acordo com a nota do setor externo do Banco Central.

Como o país já está partindo de um déficit em conta corrente alto, elevar a taxa de investimento para mais perto do que deseja o governo, entre 22% e 23% do PIB, pode levar a um rombo nas contas externas de 4% do PIB na avaliação de Mansueto Almeida, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Para Mansueto, o país não tem poupança doméstica suficiente para fazer frente aos investimentos previstos para os próximos anos, entre os quais as concessões de infraestrutura para a iniciativa privada, e terá que recorrer cada vez mais a investidores estrangeiros. Nas contas do governo, apenas os projetos de concessões em cinco áreas exigirão investimentos de R$ 250 bilhões nos próximos cinco anos.

O que está liderando a piora da conta corrente brasileira é o consumo interno resistente e a fraca demanda externa, na avaliação de Luís Afonso Lima, presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet). Em sua opinião, déficits em conta corrente elevados não são um problema quando há importação de máquinas e equipamentos, mas não é o que está ocorrendo. De acordo com a Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex), as importações de bens de capital subiram 19% em valor entre 2010 e 2012. No mesmo período, as compras de bens de consumo duráveis e não duráveis saltaram 27%.

Além disso, o saldo na balança comercial vem caindo consistentemente por uma série de fatores, entre eles o fim do "boom" das commodities, a perda de competitividade das exportações e barreiras impostas por parceiros comerciais, como a Argentina. Essas não são questões passageiras, afirma, o que prejudica o déficit de forma estrutural.

Para Mansueto, do Ipea, o país está caminhando para um déficit em conta corrente de cerca de 3,5% do PIB já no próximo ano. Em sua avaliação, esse aumento não causa preocupação imediata, mesmo que o país passe a depender de fluxos mais voláteis, como investimentos em ações, para financiar o déficit externo.

O problema é que, embora os déficits em conta corrente tenham sido financiados nos últimos anos pelo investimento produtivo, essa situação gera obrigações externas. Ao mesmo tempo, os investimentos estrangeiros diretos que têm vindo para o Brasil são, na maioria, canalizados para o setor de serviços ou para a indústria voltada ao mercado interno, como a alimentícia e metalúrgica. "Não estamos criando uma base exportadora que possa reverter essa conta, e sim obrigações", como lucros e dividendos enviados para a matriz das multinacionais, afirma.

Para André Biancareli, professor da Unicamp e especialista em setor externo, será necessário revitalizar a indústria para reverter a deterioração recente da conta corrente do Brasil. A piora do saldo de transações do país com o exterior é preocupante no médio prazo, afirma, porque o cenário à frente parece mais complicado para as exportações brasileiras, bastante dependentes de commodities e petróleo. Para elevar a taxa de investimento brasileira, o país precisará aumentar ainda mais as compras de bens de capital e elevar os aluguéis de máquinas e equipamentos, o que pode pressionar ainda mais o déficit, afirma. No entanto, diz, essa só é uma trajetória provável caso a indústria continue a perder competitividade e a promessa de exportações mais vultosas com o pré-sal não se concretize.

Para Antonio Correa de Lacerda, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), é preciso estar alerta para o aumento da parcela do consumo que está sendo atendida por importados. A importação de bens e serviços, que atendia a 12,5% da demanda em 2004, passou a abastecer 14% do consumo no PIB brasileiro em 2012, seguindo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tendência que continuou neste início de 2013.

Segundo Lacerda, essa dinâmica provoca um aumento insustentável do déficit em transações correntes. Por isso, é preciso fortalecer a indústria doméstica, para que a balança de manufaturados, atualmente deficitária, volte a campo positivo e abra espaço para importações de bens de capital e outros insumos não produzidos no país.

Em sua avaliação, o melhor caminho para restabelecer a competitividade do setor é a desvalorização do câmbio de forma gradual. "É melhor enfrentar o problema com determinação do que ter uma rápida desvalorização no futuro".

 

 



23/05/2013
ECONOMIA
GOVERNO CORTA R$ 28 BILHÕES

ROSANA HESSEL DECO BANCILLON

 

Ao anunciar o corte de R$ 28 bilhões no Orçamento de 2013, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, manteve a meta de superavit primário, de 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB), esperando que o país crescerá 3,5% este ano — bem acima da última projeção do mercado divulgada pelo Banco Central, de 2,89%. O ministro aguarda o resultado do PIB do primeiro trimestre, na semana que vem, para fazer projeções “mais realistas” no próximo bimestre.

Na apresentação, Mantega disse que a economia para o pagamento dos juros da dívida pública será menor este ano. Chegará a 2,3% do PIB, e, para alcançar a meta, fixada em R$ 155,9 bilhões, o governo abaterá R$ 45 bilhões desse montante, sendo R$ 20 bilhões em desonerações e R$ 25 bilhões em investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), conforme previsto em lei. “Isso vai manter uma meta próxima de 3,1%”, afirmou ele, ao sinalizar que dividendos das estatais, que terão “lucros maiores este ano”, poderão ajudar no fechamento das contas .

 

Para especialistas, esse tipo de medida contábil gera mais desconfiança no mercado, principalmente, dos detentores de títulos públicos, que financiam o governo. “Ao invés de anunciar uma meta de superavit menor, o governo continua repetindo erros, tentando transmitir mais otimismo. Só que o investidor está ficando descrente”, alertou o professor de tributação e administração pública da Fundação Getulio Vargas em São Paulo (FGV-SP), Fernando Zilveti.

“O PIB não deve crescer 3,5%. O governo já deveria trabalhar com algo entre 2,5% a 3%. Além disso, o corte deveria ser maior que o anunciado, pois o governo vem batendo recorde de despesas”, criticou Zilveti. Para ele, uma meta mais realista de superavit seria de 2% do PIB. O economista-chefe da Votorantim Corretora, Roberto Padovani, alertou para a queda na arrecadação. “Uma parte do desempenho fiscal está associada ao desempenho econômico. Mas não é só a receita que preocupa, os gastos também”, afirmou ele, destacando que, dado o desempenho da economia, o superavit primário deveria ser ajustado para algo entre 1,5% e 2%.

O volume contingenciado foi o menor dos últimos anos. Em 2012, foram R$ 55 bilhões. Mantega assinalou que o motivo é a opção do governo por preservar os investimentos. Em 2013, com as preocupações em torno da inflação cada vez maiores, o ministro afirmou que a União vai investir 3,8% a mais do que no ano passado: R$ 68,4 bilhões.

 

Concursos preservados

Os ministérios da Saúde, Educação, Desenvolvimento Social e Ciência e Tecnologia foram os que tiveram seus orçamentos mantidos integralmente. Os maiores cortes ficaram com os ministérios das Cidades e da Defesa. Dos R$ 28 bilhões que serão cortados, uma boa parte — R$ 5,3 bilhões — referem-se a subsídios, como os dados à agricultura, de acordo com a ministra do Planejamento, Miriam Belchior. “O PAC, o Minha Casa Minha Vida, o Bolsa Família e os concursos previstos estarão preservados”, disse ela.

 

Ultimato no ICMS

SIMONE KAFRUNI

A presidente Dilma Rousseff pode jogar a toalha em relação à reforma do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) no Congresso Nacional. Depois de tantas mudanças no projeto inicial, ele será retirado se os parlamentares não fizerem alguns ajustes. Esse foi o recado dado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, após se reunir com a chefe do Executivo, aos senadores Delcídio do Amaral (PT-MS), relator da proposta, e Lindbergh Farias (PT-RJ), presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

 

Na saída do encontro, Delcídio destacou que a preocupação maior do governo é com relação à emenda do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que propõe um desconto de 45% na dívida dos estados e municípios com a União. “Há dificuldades para harmonizar os interesses. Estamos tentando fazer o melhor possível para buscar uma simplificação e por fim à guerra fiscal”, disse ele. Lindbergh demonstrou otimismo. “Temos chances ainda de salvar a reforma do ICMS, mas o governo não quer dividir o Brasil”, afirmou.

Os parlamentares propuseram a redução para 9% da alíquota aplicada à Zona Franca de Manaus, mantida em 12% pelo Legislativo, mas o governo espera mais. A ideia inicial era unificar a taxa interestadual em 4%. A MP do ICMS precisa ser votada até o dia 6 de junho, caso contrário, perde a validade. A reforma teve apoio da oposição, mas encontrou resistência dentro da base aliada. (Colaborou Rosana Hessel)

 



23/05/2013
ECONOMIA
REVISÃO DO ORÇAMENTO DE 2013 TEM VIÉS EXPANSIONISTA

Os ministros Guido Mantega, da Fazenda, e Miriam Belchior, do Planejamento, no anúncio do contingenciamento de despesas: investimento e área social foram preservados

O governo federal anunciou ontem gastos recordes para 2013 - R$ 937 bilhões, o equivalente a 19,2% do PIB - e uma redução no superávit primário para o nível mais baixo desde o início do governo petista.

A decisão ocorre no momento em que o Banco Central aumenta os juros para conter a inflação, mas o ministro da Fazenda, Guido Mantega, discordou da avaliação de que a política fiscal contribui para elevar a inflação. "Temos uma política fiscal anticíclica. É uma politica de incentivo aos investimentos e do controle de outros gastos. Isso não é inflacionário. Boa parte da inflação é de alimentos e isso não se deve ao governo", defendeu o ministro. Nos documentos públicos, o Banco Central fala em uma inflação alta, disseminada e persistente, política fiscal expansionista e superávit fiscal de 3,1% do PIB em 2013.

Na revisão do orçamento de 2013 apresentada ontem o governo reduziu em R$ 67,8 bilhões a previsão da receita total estimada para este ano, mas apresentou o menor corte no Orçamento de todo o governo Dilma - R$ 28 bilhões, graças à redução das metas fiscais. A área social e o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) foram preservados do contingenciamento, enquanto mais de 65% das emendas parlamentares foram cortadas.

Segundo o ministro da Fazenda essa política de gastos reflete as prioridades do governo em 2013: retomada do crescimento, geração de empregos e ampliação dos investimentos. No orçamento de 2013 o governo planeja elevar em 15% reais os investimentos com recursos federais.

O decreto de contingenciamento de gastos reduz o esforço da União para o pagamento da dívida pública (conhecido como superávit fiscal) de R$ 108,1 bilhões (2,15% do PIB) para R$ 63,1 bilhões (1,3% do PIB), conforme antecipou o Valor. O governo, no entanto, ainda tem autorização para abater mais R$ 20 bilhões da meta, limite que será usado se as receitas não se recuperarem como espera o governo.

Com isso, o resultado consolidado das contas públicas, que o governo estimava em 3,1% do PIB, caiu para 2,3% do PIB, cifra que também não será alcançada. Para obter esse superávit fiscal primário, seria necessário que Estados e municípios cumprissem a meta fixada em 1% do PIB ou R$ 47,8 bilhões. Isso não acontece desde 2008, e no ano passado os governos regionais e municipais fizeram um superávit de 0,45% do PIB.

A perda de receitas da União prevista no decreto é ainda maior do que o inicialmente esperado. O Orçamento aprovado pelo Congresso estimava uma arrecadação de R$ 1,253 trilhão. Em abril, o governo informou que teria R$ 1,2 trilhão em caixa. Ontem, reviu a estimativa para R$ 1,185 trilhão. Uma das principais alterações na receita esperada está nos dividendos e nos subsídios que o governo concede em programas como plano de safra e o PSI, que tem juros mais baixos para estimular o investimento.

A expectativa do Tesouro era de receber R$ 34,639 bilhões em dividendos das estatais federais esse ano. O valor foi revisto para R$ 20,020 bilhões e, de acordo com o ministro, reflete os resultados de 2012, quando a economia não cresceu e a lucratividade foi menor. Segundo Mantega, esse quadro se reverterá em 2013 e a União poderá exigir dividendos mais elevados de suas controladas caso haja frustração nas receitas.

A redução nos gastos com subsídios, segundo o governo, é um "ajuste" e, segundo o ministro não indica qualquer mudança nas políticas federais. Nesse caso, o governo concluiu que, em vez R$ 47,2 bilhões, poderá gastar R$ 38 bilhões.

Ao anunciar a redução nas metas fiscais da União, o ministro se esforçou para mostrar que não há um afrouxamento na política fiscal. "Mesmo com a crise, continuaremos com política fiscal dura e sólida", assegurou o ministro. Mantega argumenta que os gastos da Previdência, de pessoal e juros estão estáveis ou em queda. Além disso, o governo não aumenta despesas de custeio, mas de investimento. O ministro também comparou os resultados fiscais brasileiros com o de outros países para mostrar uma situação favorável.

 



23/05/2013
INTERNACIONAL
ENERGIA SERÁ UM DOS FOCOS DA VISITA DE VICE DOS EUA

O vice-presidente americano Joe Biden chega na terça ao Rio de Janeiro em sua primeira visita oficial ao Brasil e a segunda à América Latina.

Ele fica no país até sexta-feira e também irá a Brasília. Na quinta, visita a presidente Dilma Rousseff e o vice-presidente Michel Temer.

No Rio de Janeiro, Biden se reunirá com empresários e fará um discurso (em local ainda não confirmado). Ele visitará uma unidade da Petrobras --energia é um dos temas prioritários da visita.

Os dois países têm uma grande evolução nos mercados domésticos e precisam achar os pontos em comum, além do interesse em promover e abrir novos mercados para o etanol, que ambos produzem, disse à Folha um alto funcionário da Casa Branca, que pediu anonimato.

O assessor usou o caso da aviação, onde a Embraer tem vencido várias concorrências no mercado americano, para falar da complementaridade das duas economias e da transferência de tecnologia.

LIVRE COMÉRCIO

Ele falou que Biden não terá uma agenda apenas econômica, mas também falará com Dilma e Temer sobre "assuntos globais". Sobre comércio, ele disse que os Estados Unidos estão focando hoje nos tratados de livre comércio com a Aliança do Pacífico e com a União Europeia, mas que o comércio bilateral é forte e que ambos países têm interesse nas organizações multilaterais.

Sobre o assento permanente no Conselho de Segurança da ONU para o Brasil, o assessor apenas afirmou que a Casa Branca "aprecia a aspiração brasileira", sem confirmar apoio.

Em outubro, a presidente Dilma Rousseff fará viagem de Estado aos Estados Unidos.



expandir Data: 22/05/2013   (15)
22/05/2013
AGRONEGÓCIO
EMBRAPA ABRE NOVA FRONTEIRA PARA SEMENTES TRANSGÊNICAS

A Embrapa patenteou duas tecnologias que podem abrir uma nova fronteira para o desenvolvimento de plantas transgênicas resistentes a doenças, mais produtivas e com tolerância à seca. Uma delas elimina a manifestação da proteína transgênica no fruto, o que pode ajudar a quebrar a resistência dos consumidores aos organismos geneticamente modificados na alimentação.

 

A pesquisa, liderada pela doutora em genética e melhoramento de plantas da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Juliana Dantas de Almeida, envolve o uso dos chamados "promotores", como são conhecidas as sequências de DNA que definem como os genes inseridos no genoma da planta se manifestam.

 

O primeiro desses promotores, chamado de "promotor específico", é capaz de restringir a manifestação da proteína transgênica às folhas da planta.

 

O segundo, chamado "promotor constitutivo", permite a manifestação do transgene em toda a planta, mas em intensidade menor do que nos produtos geneticamente modificados disponíveis hoje no mercado - caso da soja Roundup Ready (RR), da Monsanto, presente em quase 90% das lavouras no Brasil e nos Estados Unidos.

Atualmente, todos os transgênicos disponíveis no mercado apresentam promotores "constitutivos", que agem o tempo todo e em todas as partes da planta. Ao utilizar um promotor específico, explica a pesquisadora, é possível garantir que um gene resistente à ferrugem asiática, doença fúngica que ataca as folhas da soja, atue apenas nessa parte da planta e não interfira na produção da planta.

A principal vantagem dessa tecnologia avalia Juliana, é a ausência de traços de transgenia no fruto ou na raiz, o que pode ajudar a mitigar a forte rejeição de consumidores, sobretudo na Europa, aos
transgênicos presentes diretamente na alimentação. Essa rejeição é uma barreira ao avanço da pesquisa com transgênicos em culturas como o trigo.

 

A pesquisadora ressalta que a técnica permite manipular genes destinados a combater doenças fúngicas de modo que não ataquem também os fungos considerados benéficos para o desenvolvimento da planta.

 

"No caso da ferrugem, um fungo ataca a folha até que a planta não consiga mais captar a luz para fazer fotossíntese. Com um gene resistente à ferrugem sob comando de um promotor constitutivo, a planta inteira vai expressar a característica. Se isso ocorrer, a proteína transgênica pode vir a ser tóxica para seus fungos que estão promovendo a fixação de nitrogênio na raiz e que são benéficos. Com o promotor específico, vamos conseguir expressar só na folha a característica", explica.

 

Além disso, a descoberta também pode facilitar o desenvolvimento de plantas tolerantes a secas prolongadas, à medida que permite trabalhar genes que reduzem a transpiração das plantas por meio das folhas. "A tecnologia pode chamar a atenção por ajudar a produzir com as mudanças no clima", disse.

 

Outra vantagem de a transgenia não se manifestar diretamente no fruto é a possível queda dos custos com o processo de registro nas autoridades reguladoras, como a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). "A partir do momento que você prova que o gene não é expresso no fruto e ele é a parte comestível, a quantidade de testes exigidos cai consideravelmente", afirma Juliana.

A nova tecnologia da
Embrapa foi desenvolvida exclusivamente com recursos públicos - ao todo, a pesquisa consumiu R$ 700 mil desde 2005. Segundo a geneticista, os novos promotores podem auxiliar na descoberta de cultivares mais competitivas e contribuir para a independência tecnológica da estatal.

 

"A pesquisa consiste em criar um banco de promotores que pode ser usado por pesquisadores da Embrapa, reduzindo a dependência tecnológica da empresa", afirma. "Atualmente, quando vai fazer um projeto visando à obtenção de transgênicos, o pesquisador da Embrapa não tem para onde correr porque tudo já é patenteado. Então, a solução que encontramos foi a Embrapa ter seus próprios promotores e suas patentes".

 

A Embrapa também registrou um "promotor constitutivo" - semelhante ao da soja RR, produzida pela multinacional Monsanto, e ao do feijão resistente ao vírus do mosaico, recentemente registrado pela própria estatal.

A diferença aqui é que o novo promotor patenteado foi isolado a partir de genomas vegetais, o que diminui as chances de ocorrer o que os pesquisadores chamam de "silenciamento gênico" - uma defesa natural das plantas contra invasões por vírus. Quando ocorre o silenciamento, a planta para de expressar a característica transgênica e perde os benefícios esperados.

 

No caso do feijão resistente ao mosaico dourado, a Embrapa adotou um promotor constitutivo. Mesmo assim, nenhuma proteína transgênica é manifestada no grão. Nesse caso, os pesquisadores fizeram uma intervenção para que a planta produza fragmentos de RNA idênticos aos do vírus, produzindo um efeito semelhante ao de uma vacina.

 

 



22/05/2013
AGRONEGÓCIO
MAIS TRIGO NA ARGENTINA

O Ministério da Agricultura da Argentina informou que a estimativa é que a área plantada com trigo no país cresça 40% na temporada 2013/14, para 4,5 milhões de hectares. À Reuters, o secretário de Agricultura argentino, Lorenzo Basso, explicou que o incremento se deve ao acordo para devolução de impostos, às condições de umidade do solo favoráveis e ao melhor momento do mercado para o cereal. Na temporada passada, o país vizinho semeou 3,16 milhões de hectares, uma das menores áreas das últimas décadas


22/05/2013
AGRONEGÓCIO
PRODUÇÃO DE QUEIJO TERÁ INTERCÂMBIO COM FRANCESES

REPORTAGEM LOCAL
Reconhecida como patrimônio imaterial brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a forma de produção do queijo minas artesanal feito com leite cru será destaque na Superagro 2013, de 4 a 6 de junho, no Seminário Internacional Sobre Indicações Geográficas e Queijos Artesanais. O evento terá a participação da França, com profissionais do mercado e de pesquisa, o que fomentará discussões entre os cenários da cadeia produtiva do item, levantando temas relacionados à legislação e agregação de valor ao produto.

 

Além de diversas palestras, o fórum irá sistematizar o documento final do Plano de Salvaguarda do Modo Artesanal de Fazer Queijo de Minas, que consiste no levantamento de ações e estabelecimento de parcerias, preservando o modo de produção tradicional do queijo cru. Participarão do evento representantes de instituições públicas e privadas, de ensino, pesquisa e extensão, organizações de produtores como associações, cooperativas e sindicatos e profissionais com atuação no setor, além de 70 produtores mineiros de cinco regiões do Estado reconhecidas como produtoras de queijo artesanal: Canastra, Cerrado, Araxá, Serro e Campos das Vertentes. Estima-se que atualmente existam cerca de 30 mil produtores de queijo minas artesanal no Estado.

 

Incentivos — O seminário contribuirá para reforçar as expectativas promissoras da comercialização do queijo em outros estados brasileiros e a valorização do mesmo, com o objetivo de fortalecer a cadeia produtiva do setor. '0 evento é fundamental para incentivar a legalização de muitas queijarias que ainda operam no mercado informal. O seminário abordará a importância da adesão à Portaria 1305, de 30 de abril deste ano, expedida pelo IMA, cuja resolução estabelece novas diretrizes para a produção do item", informou a coordenadora de Agregação de Valor e Geração de Renda da Seapa, Ana Helena Cunha. Segundo ela, com os estabelecimentos ajustados às regras e devidamente cadastrados, os produtores de queijo artesanal do Estado poderão conquistar novas mercados, conseguindo se adequar à legislação, contribuindo ainda para uma maior geração de renda familiar. "O momento é de trocar experiências com outros países, como a França, que já pratica a Indicação Geográfica (IG) e passou por obstáculos semelhantes aos produtores mineiros no que diz respeito à formalização, adequação sanitária e logística de comercialização do produto. Vamos apresentar no Seminário a operacionalização e os benefícios do registro IG, com a participação de técnicos e produtores franceses", disse. A participação da França no evento decorre do Protocolo de Cooperação Franco-Brasileiro sobre Indicações Geográficas, assinado em 2011 entre os ministérios da agricultura dos dois países.

Padronização — As Indicações Geográficas (IG) e as Marcas Coletivas, classificadas como "Signos Distintivos", são importantes ferramentas de desenvolvimento rural, utilizadas para identificar produtos ou serviços por meio de sua origem, qualidade, fabricante ou outra característica própria, além de representarem um fator de competitividade no setor produtivo.

 

As regiões do Serro e da Canastra já possuem o registro de IG, que deverá ser levado agora para as regiões de Araxá, Campos das Vertentes e Cerrado. "Entre os benefícios gerados pelo registro de IG estão a padronização e melhoria qualitativa do produto", destacou Ana Helena.

 

Tradição — O queijo artesanal produzido com leite cru é um dos produtos mais tradicionais da culinária mineira, cujo modo de produção nas propriedades rurais vem passando por várias gerações, desde que foi introduzido no Brasil, no século XVIII, como herança da colonização portuguesa.

 

A iniciativa é uma promoção conjunta da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa); da Superintendência do Iphan em Minas Gerais; do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa); do Ministério da Agricultura, do Agroalimentar e da Floresta da França, da Embaixada da França no Brasil, do Sebrae-MG, da Faemg, da Ocemg e ALMG.

 



22/05/2013
AGRONEGÓCIO
VAIVÉM DAS COMMODITIES

Uma dezena de pragas exóticas ameaça o Brasil Pelo menos uma dezena de pragas exóticas poderá entrar no país nos próximos anos. As consequências serão desastrosas. A afirmação é de Aldo Malavasi, professor aposentado de genética da USP e diretor da Moscamed.

As consequências são diminuição de produção, contaminação maior e perda de mercado externo. As perdas ficam para os produtores. Eles têm custos mais elevados, ao ter de utilizar novos químicos e em quantidade maior, e sofrem com a queda na produção.

Mas o país também perde porque aumentarão as barreiras comerciais devido às novas pragas. Malavasi diz que essas novas pragas entram com facilidade nas fronteiras brasileira. Um dos motivos é a omissão do
Ministério da Agricultura na fiscalização.

Esse problema existe também em outros países, mas, quando ocorrem, existe um sistema de detecção efetivo. Ele cita Nova Zelândia, Chile e Estados Unidos, onde a preocupação com a biossegurança é grande.

Malavasi diz que o país necessita de uma reforma radical da defesa vegetal. Caso contrário, o país continuará tendo a entrada de uma praga a cada dois anos. Elas podem vir de África, Venezuela, Paraguai e outros países.

O Ministério da Agricultura diz que tem 28 postos nas fronteiras, com equipes que atuam permanentemente. Mas não é possível cobrir toda a extensão dos limites do Brasil, em razão das proporções continentais do país.2

Não há omissão e não é possível a segurança absoluta, diz o ministério. Os esforços estão nos pontos críticos. Pesquisadores, especialistas e governo se reúnem amanhã em São Paulo para discutir o assunto.

EM QUEDA Usina Ivinhema (MS); os preços do etanol mantêm queda no Estado de São Paulo, onde o hidratado recuou ontem para R$ 1,024 por litro em Paulínia, valor 25% inferior ao do início da segunda quinzena de abril

Código Flerestal terá decreto nesta semana A aprovação do Código Florestal completa um ano e está na Casa Civil decreto que implantará o programa de regularização ambiental.

O decreto, que deverá ser publicado até sábado, trará as normas para o registro do produtor no CAR (Cadastro Ambiental Rural).

Serão pelo menos 5,2 milhões de CARs, e os órgãos ambientais não têm capacidade de elaborar um número tão elevado de cadastros.

Para agilizar o sistema, o governo busca acordos com outros órgãos públicos e associações do setor. É necessário um "mutirão nacional", afirmou Paulo Cabral, secretário do MMA (Ministério do Meio Ambiente).

A intenção é atingir pelo menos cem mil pessoas capacitadas, ele afirmou ontem durante encontro da Abiove (indústrias de óleos vegetais), realizado em São Paulo.

Milho Os norte-americanos conseguiram semear 40% da área que será destinada ao produto em apenas uma semana, segundo o Usda (Departamento de Agricultura dos EUA). O resultado foi uma forte redução nos preços do produto.

Suspensão 1 O serviço sanitário russo suspendeu temporariamente as importações de carne bovina de uma unidade do Marfrig e outra do Minerva, ambas em Goiás, após identificar a presença da bactéria Listeria em carregamentos desses frigoríficos.

Suspensão 2 Uma fábrica da Seara, que pertence à Marfrig, também terá as importações de frango suspensas temporariamente pelos russos pelo mesmo motivo.


22/05/2013
ECONOMIA
PARA ANALISTAS, ALIMENTOS CEDEM POUCO E IPCA SEGUIRÁ COLADO NO TETO DA META

Apesar da conjuntura favorável, com deflação de preços no atacado e desoneração de itens da cesta básica, o grupo alimentação e bebidas continua a perder força com menos intensidade do que os economistas antecipavam, o que deve manter a inflação acumulada nos últimos 12 meses encostada no teto da meta de 6,5% perseguida pelo Banco Central nas próximas leituras. Depois de alta de 0,51% em abril, as 13 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor Data projetam, em média, avanço de 0,48% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) em maio, com intervalo entre as estimativas de 0,43% a 0,51%. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga hoje o dado, uma prévia do índice oficial de inflação.

 

Se confirmado, o resultado deste mês levará o índice acumulado em 12 meses a ter leve recuo, deixando 6,51% em abril para 6,48% nesta leitura. A desaceleração, no entanto, não conforta analistas, que já passam a projetar IPCA mais próximo de 6% em 2013.

 

André Muller, economista da Quest Investimentos, afirma que esperava um número mais baixo para o IPCA-15 de maio, mas como a inflação de alimentos continua resistente, esse recuo deve ser menos intenso do que o antecipado. Para o grupo alimentação e bebidas, que subiu 1,40% em março e desacelerou para 1% em abril, Muller projeta variação de 0,75%.

 

Tatiana Pinheiro, economista do Santander, estima alta de 0,60% dos alimentos neste mês, principalmente por causa da desaceleração de produtos como os tubérculos e dos resquícios da desoneração de itens da cesta básica, que contribuíram para reduzir preços de itens como óleo, carne e açúcar, por exemplo. No piso das estimativas, Tatiana projeta alta de 0,43% do IPCA-15 neste mês.

Tatiana lembra que a estabilidade da taxa de câmbio desde o início do ano, a supersafra de grãos e a desoneração de produtos relevantes para o índice foram insuficientes para que os alimentos desacelerassem com mais intensidade até aqui. A sazonalidade, diz, tende a ser benigna até junho, quando ainda é possível que os alimentos mostrem descompressão maior e compensem, ao menos parcialmente, o reajuste de tarifas de transporte urbano em São Paulo e no Rio. Depois disso, o cenário tende a ser menos favorável.

Para a economista, a resistência dos preços dos alimentos é uma questão ligada à demanda. De acordo com estudo elaborado pelo banco, os efeitos que os aumentos de renda têm sobre a evolução desses preços não são desprezíveis e ainda geram um efeito em cadeia, pois também contribuem para aumentos de outros itens.

Para Priscila Godoy, economista da Rosenberg & Associados, a demanda tem parte nessa evolução porque permite que o varejo repasse reduções de preços em menor magnitude. No entanto, diz, a lenta transmissão da deflação de produtos agropecuários no atacado para o varejo está ligada também ao encarecimento do frete, seja por alterações na legislação, seja por causa dos reajustes do diesel neste ano. Para ela, diante desse cenário, a perspectiva de deflação de alimentos em algum momento deste trimestre também passou a parecer bem menos provável.

 

Apesar da ênfase na evolução de alimentos, grupo que mais tem contribuído para manter o IPCA pressionado, os núcleos também devem continuar elevados. Como são uma medida que procura expurgar ou suavizar as oscilações dos preços mais voláteis, indicam que a alta dos preços não está concentrada em alguns itens, e sim espalhada pela economia.

 

Outro indicador que tem sido monitorado com atenção pelo Banco Central por mensurar a porcentagem de preços em alta no mês, o índice de difusão deve acompanhar a evolução dos preços dos alimentos e desacelerar, avalia Priscila, da Rosenberg, embora continue acima de 60%, "o que ainda não é confortável".

 

No mês fechado, Priscila projeta alta em torno de 0,30% do IPCA, já que o efeito do reajuste dos medicamentos anunciado no início de abril deve perder força na leitura para o mês cheio. Já Muller, da Quest, revisou sua estimativa de 0,30% para 0,39% em função, novamente, da evolução dos preços dos alimentos. Diante do cenário de inflação mais elevada nos próximos dois meses, o economista elevou sua projeção para o IPCA neste ano de 5,7% para 5,9%.

Tatiana, do Santander, avalia que a sazonalidade positiva ainda a faz trabalhar com um número baixo para junho, inferior a 0,30%. A economista afirma, no entanto, que se a inflação continuar a subir 0,5% por mês a partir de junho, pode precisar revisar sua projeção para o IPCA em 2013, hoje em 6%.


22/05/2013
ECONOMIA
RENDA SUCUMBE Á INFLAÇÃO

VICTOR MARTINS

 

A inflação chegou ao contracheque dos trabalhadores. Nos três primeiros meses deste ano, os brasileiros conseguiram apenas acompanhar, com muito custo, a alta dos preços e se viram obrigados a frear o consumo. O rendimento real cresceu 0,18% frente ao trimestre imediatamente anterior (entre outubro e dezembro de 2012), avanço praticamente nulo, que coloca em xeque a política de expansão e de distribuição de renda do governo Dilma Rousseff. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), quando a avaliação é dividida por grupos de empregados, os funcionários públicos e os sem carteira assinada, contudo, estão bem acima dessa variação. Os servidores tiveram ganho real de 2,43%, e os informais, de 4,51% .

 

Para o governo, diante desse quadro, segurar a carestia voltou ao topo da lista de prioridades. Tanto que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve, na próxima semana, elevar os juros básicos (Selic). Na avaliação de economistas e de integrantes do Executivo, a instituição não tentará, porém, levar a inflação para o centro da meta, de 4,5%, em 2013. O ajuste, que, se confirmado, será o segundo do ano, teria como objetivo apenas dar algum alívio ao orçamento das famílias e, por conseguinte, garantir ainda que o consumo, pilar mais robusto da economia, continue a ser o principal combustível do crescimento.

 

Além da inflação, o ritmo incerto de expansão da atividade econômica e de setores importantes, como a indústria, tem afetado negativamente os ganhos salariais para algumas categorias. Os empréstimos e financiamentos mais difíceis, em função de bancos privados estarem seletivos nas concessões, também contribuem para que a venda de bens duráveis esfrie. “A renda real das famílias em desaceleração e o comportamento do crédito seguram o consumo e, por isso, esse não pode ser mais a base de sustentação do crescimento econômico do país”, argumentou Mariana Hauer, economista do banco ABC Brasil.

 

Sidnei Nehme, economista e diretor executivo da NGO Corretora, faz avaliação semelhante. Ele explica que o encarecimento do custo de vida tem afetado principalmente a população de menor renda. “A quantidade de preços em alta é grande, e não podemos perder de vista que a inflação ainda é algo muito presente no DNA do brasileiro, o que pode incentivar remarcações”, ponderou.

 

Estagflação
Na avaliação de Nehme, o Brasil sofre de estagflação, ou seja, tem baixo crescimento e carestia em alta. “O governo tem insistido em tentar controlar a inflação e o crescimento, mas essa estratégia pode resultar em duplo insucesso pela incompatibilidade das decisões”, disse. Para ele, é difícil conciliar estímulos fiscais e monetários para impulsionar o crescimento sem, com essas medidas, jogar mais combustível na inflação. O diretor executivo da NGO e outros especialistas lembram ainda que preços em alta diminuem a previsibilidade da atividade e afeta negativamente os investimentos.

O IBGE divulga hoje a prévia da inflação de maio, o IPCA-15. Para o mercado financeiro, não será nesse indicador que os trabalhadores devem encontrar algum alívio para o orçamento. A estimativa é de que a alta do índice seja de 0,49% no mês, o que o deixará, no acumulado de 12 meses, em 6,58%, muito próximo do teto da meta, de 6,50%.

 

“O Banco Central deve subir a Selic na próxima reunião para controlar os preços, mas essa gestão já mostrou claramente que a preocupação dela é com o emprego, a renda e o crescimento (da economia), não com a inflação”, criticou Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating. “Esse modelo é adotado em países desenvolvidos, mas não cabe ainda no Brasil, porque temos um setor produtivo em recessão e baixa capacidade de alimentar a demanda”, argumentou.

Enquanto o governo estimular o crescimento sem conseguir elevar o nível de investimento, o brasileiro continuará a pagar uma elevada fatura sempre que for ao supermercado ou precisar de algum serviço. Se, por um lado, a inflação no acumulado de 12 meses chegou a 6,49%, praticamente cravada no limite de tolerância, por outro, o custo de alimentos e bebidas disparou. Esse grupo de itens de consumo acumula elevação de 14% até abril — mais que o dobro do registrado em igual mês do ano passado.

 

Remédios em alta

A estimativa do mercado para o IPCA-15, divulgado hoje, é de alta de 0,49% no mês — um número considerado elevado. Segundo analistas de bancos e corretoras, o indicador deve ter captado o aumento dos preços dos remédios, o que puxou o custo da saúde em 1,51% ante o 0,63% no mês anterior. Os preços de vestuário também devem ter avançado com o lançamento de novas coleções. Já o encarecimento dos alimentos deve ter perdido força, seguindo a tendência já vista no atacado.

 



22/05/2013
INTERNACIONAL
BRASIL IMOBILIZADO PELA CRISE DO MERCOSUL

Não se pode menosprezar o papel do Mercosul na distensão geopolítica no extremo do continente, e como alavanca no comércio entre os países do bloco. Foi graças à perspicácia dos presidentes José Sarney e Raúl Alfonsin que Brasil e Argentina, no início dos respectivos processos de redemocratização, em meados da década de 80, estabeleceram as bases diplomáticas para a criação do bloco comercial, com a adesão de Uruguai e Paraguai.

Assim como é preciso reconhecer os avanços, tem-se de admitir os problemas. Faz tempo que o
Mercosul, como união aduaneira, não atende mais aos interesses brasileiros e passou a servir de camisa de força para o país. O bloco trincou, por força da crise econômica e institucional argentina, e entrou em crise pelo crescente protecionismo do vizinho. Uma contradição em termos com o conceito de união aduaneira, cujo mecanismo básico da tarifa externa comum foi jogado no lixo pela Casa Rosada.

Tanto quanto isso, o Brasil atola na anemia do
Mercosul numa fase em que no mundo se multiplicam acordos comerciais, com novos blocos e/ou acertos bilaterais, e o país, por força do tratado do qual passou a fazer parte a Venezuela, fica de mãos atadas por necessitar da aprovação de todos os parceiros para assinar algum desses tratados. O Uruguai, por exemplo, só faltou sentar-se à mesa para selar um acordo comercial com os Estados Unidos. Foi impedido pelo Mercosul.

No fim de semana, O GLOBO trouxe uma radiografia dos danos já sofridos pelo comércio exterior brasileiro no próprio mercado latino-americano, amplificados pela perda de competitividade da indústria nacional, causada por erros internos de política econômica.

O peso brasileiro nas importações no continente, entre 2008 e 2011, caiu de 11% para 9,7%, espaço ocupado por China, Estados Unidos, Índia e União Europeia. O Brasil perdeu vendas no valor de US$ 7,4 bilhões, basicamente manufaturados.

 

Entre as causas, destaca-se o protecionismo argentino, diante do qual Brasília é muito condescendente, a perda de competitividade em si brasileira e a agressividade chinesa. Com a consolidação da Aliança do Pacífico (Chile, Colômbia, México e Peru), mais aberta a acordos, e próxima aos EUA, o peso brasileiro ficará ainda menor.

O Itamaraty precisa analisar com seriedade a conversão do
Mercosul de união aduaneira numa área de livre comércio, como já foi. A integração econômica continua, mas, com o fim da tarifa externa única - como se o Mercosul fosse um único país, o que já não é -, cada membro tem liberdade para negociar acordos bilaterais com quem quiser. Sem vetos.

 

Argentina e Venezuela, refratários ao livre comércio, podem praticar o retrocesso que desejarem. Mantém-se a relativa coesão geopolítica no Cone Sul, e o Brasil fica em condições de rever sua política de inserção nas cadeias produtivas globais, algo urgente para o setor industrial.


22/05/2013
POLÍTICA
JANTAR COM DILMA SERÁ O PRIMEIRO PASSO PARA ELEIÇÃO DE 2014, DIZ TEMER

Camila Campanerut Do UOL, em Brasília

 

O vice-presidente da República e presidente nacional do PMDB, Michel Temer, afirmou nesta terça-feira (21) que o jantar que oferecerá à presidente Dilma Rousseff e aos governadores e vice-governadores do PMDB, em sua residência oficial, em Brasília, será o "primeiro passo" para o diálogo entre sua legenda e o PT para as eleições de 2014.

 

Apesar de frisar que o objetivo da reunião é confraternizar com os governadores peemedebistas e discutir as questões estaduais, Temer admitiu que o tema eleitoral não vai ficar de fora: "Vai ser um primeiro passo para as eleições do ano que vem", resumiu.

 

Com a segunda maior bancada na Câmara dos Deputados (82) e maior bancada no Senado (20), a legenda negocia com o partido da presidente Dilma Rousseff, o PT, as alianças nos Estados, municípios e em nível nacional, para repetir a chapa vencedora em 2010.

A falta de sintonia na relação entre os dois maiores partidos da base governista ficou evidenciada na semana passada durante a votação da MP (Medida Provisória) que regulamenta o setor portuário no Congresso Nacional

 

O líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), foi o responsável por modificações na matéria que contrariavam a versão que veio do Planalto. Além disso, ele também ajudou a retardar a votação na Câmara pedindo que cada uma das propostas de alteração fossem votadas nominalmente. A mesma estratégia foi adotada pela oposição para obstruir a votação.

 

Cunha chegou a dizer em plenário que a relação dos peemedebistas com o governo não era de subordinação. "Não somos vassalos. Apoiamos a maioria das propostas, mas temos nossas próprias posições e temos o direito de defendê-las", destacou na ocasião.

Já o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), colocou ainda no fim da semana passada "panos quentes" nas discussões entre os parlamentares das duas legendas. "É natural [que haja desgaste], é do processo democrático (...). Do ponto de vista da aliança política, vivemos o melhor momento. O que importa é o resultado. O Congresso Nacional aprovou a medida provisória dos portos. Era isso que a sociedade queria", disse na última sexta-feira (17).

O PMDB conta com a presidência das duas Casas Legislativas, cinco ministérios no governo Dilma - Agricultura (com
Antonio Andrade), Aviação Civil (com Moreira Franco), Minas e Energia (com Edison Lobão), Previdência (com Garibaldi Alves Jr.), Turismo (com Gastão Vieira) - e cinco governadores eleitos (MA, MT, MS, RJ e RO).

 



expandir Data: 21/05/2013   (20)
21/05/2013
AGRONEGÓCIO
CURTAS

Curtas

 

Fraude A Justiça gaúcha aceitou denúncia criminal do Ministério Público contra 13 suspeitos de participar de esquema de adulteração de leite.

 

Agroenergia Os preços do etanol hidratado recuaram 1,13% ao consumidor de São Paulo na última semana, segundo dados da ANP.

Confinamento Os
pecuaristas de Mato Grosso pretendem confinar 809,5 mil bovinos entre maio e novembro, aumento de 2,1%, segundo o Imea.



21/05/2013
AGRONEGÓCIO
IMPORTAÇÃO DO AGROTÓXICOS BATE RÉCORDE

As importações brasileiras de defensivos agrícolas (princípios ativos e produtos intermediários) bateram recorde em 2012. De acordo com dados do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola (Sindag) obtidos pelo Valor, as compras externas cresceram 10% em relação a 2011, para US$ 5,5 bilhões.

 

Os agrotóxicos são o segundo principal item da conta de importação do setor agropecuário, atrás apenas dos fertilizantes. Depois dos Estados Unidos, o Brasil é o maior mercado (em receita) para as fabricantes do produto.

 

No ano passado, o volume importado de pesticidas cresceu 25,7%, para 296,81 mil toneladas de ingrediente ativo. Só a importação de inseticidas aumentou em 47,9%, para 79,2 mil toneladas.

 

Dessa forma, os agrotóxicos importados abocanharam 56,7% do mercado brasileiro, que movimentou US$ 9,7 bilhões em 2012. Em volume, a fatia dos estrangeiros é ainda maior - no ano passado, alcançou 85,6% das 346,58 mil toneladas de ingredientes ativos vendidos no país.

 

Segundo o Sindag, as importações acompanham a expansão do mercado brasileiro - no ano passado, as vendas cresceram 14,4%, na esteira do avanço da soja e da escalada nos preços das commodities. Procuradas, Syngenta, Bayer, DuPont e Basf (empresas líderes do segmento) não comentaram o assunto. Já a Monsanto afirma que fabrica no país 100% do herbicida glifosato que comercializa no mercado interno.

 

A tendência a importar defensivos acentuou-se nos últimos anos. Em 2008, os desembarques de defensivos somavam US$ 2,8 bilhões, ou 245,6 mil toneladas de princípio ativo, que correspondiam a pouco mais de 39% do faturamento e 78% do volume comercializado naquele ano.

 

Em relação a 2011, a participação dos importados no volume total cresceu 17 pontos percentuais, embora a fatia na receita tenha recuado 2,2 pontos. Essa contradição é explicada pelo aumento das compras de produtos genéricos, mais baratos, da Índia e, sobretudo, da China.

 

De acordo com o Sindag, os genéricos responderam por 60,7% da receita do setor no ano passado, ante apenas 43% em 2011. Ou seja, a participação dos produtos protegidos por patentes - e importados principalmente de Estados Unidos, Inglaterra e Suíça - cedeu de quase 57% para 39,2%.

 

Em 2012, as importações de ingredientes ativos chineses cresceram 41%, para 68,3 mil toneladas. Com isso, o país asiático superou os Estados Unidos e se tornou o maior fornecedor do insumo para o Brasil. Sua participação no mercado doméstico cresceu de 20,4% para 23%, em volume, segundo o Sindag.

 

Já o volume importado da Índia mais do que dobrou no ano passado, para 18,8 mil toneladas. Com isso, o país superou Israel e assumiu a quinta posição no ranking, sendo responsável por 5,65% do ingrediente ativo manipulado no Brasil - logo atrás da Suíça, com 6,2%, e da Inglaterra, com 7%.

 

Embora o Brasil seja o segundo maior mercado para defensivos em todo o mundo, o país tem um papel praticamente irrelevante na produção, pesquisa e desenvolvimento de produtos. De acordo com o Sindag, o país produz localmente apenas 10% dos cerca de 300 ativos químicos usados nas lavouras.

 

O maior entrave para se expandir a produção doméstica, dizem os representantes da entidade, são os custos de produção, proporcionalmente mais altos que os chineses. De acordo com o Sindag, o piso salarial para os empregados dessa indústria no Brasil gira em torno de US$ 550, ante apenas US$ 50 na China.

O país asiático possui ainda vantagens impressionantes de escala: no ano passado, produziu mais de 3,5 milhões de toneladas de agrotóxicos, segundo o Instituto para o Controle de Agroquímicos da China, ligado ao governo. No Brasil, a produção não chegou a 50 mil toneladas, de acordo com o Sindag.

 

"Desde o fim de 2004, quando foram aprovadas as novas regras para o registro de genéricos, os empresários foram para o lugar onde tem o preço mais baixo, o maior volume de produto e número de fabricantes. A China é um grande mercado consumidor e exporta para todo o mundo", afirma Flávio Hirata, consultor da Allier Brasil, especializada em registro de agrotóxicos.


21/05/2013
AGRONEGÓCIO
VAIVÉM DAS COMMODITIES

Apesar de problemas, porto resiste à supersafra Apesar dos problemas, os portos estão resistindo à pressão da supersafra brasileira.

Os novos números de comércio exterior do Ministério do Desenvolvimento indicam que a saída de soja em grãos caminha realmente para um volume superior a 9 milhões de toneladas neste mês, um recorde mensal. O açúcar, outro produto com bom volume em trânsito pelos portos, deverá atingir 1,7 milhão de toneladas, 4% mais do que em abril.

 

O controle de fluxo de caminhões adotado pelo porto de Santos, com base na capacidade diária dos terminais --Paranaguá já adotava esse sistema--, reduziu as filas.

 

Isso demonstra que uma gestão integrada de toda a cadeia pode aliviar o sistema, o que não elimina, no entanto, as deficiências do setor.

A pressão nos portos vem também de celulose, cujo volume de embarque deste mês supera em 9% o do mês anterior. No mesmo período, as saídas de fumo em folha aumentam 77%, enquanto as de couro crescem 9%. Milho e algodão, com preços externos menos rentáveis, perdem o ritmo das exportações e cedem espaço para os demais produtos. As carnes "in natura" também melhoram o desempenho. A saída de frango, se mantido o ritmo, atingirá 323 mil toneladas neste mês, rendendo US$ 704 milhões.

 

O melhor desempenho entre as carnes fica para a suína que, após a forte desaceleração de abril, volta a atingir 40 mil toneladas neste mês e receitas próximas a US$ 110 milhões. Se confirmados esses números, o volume crescerá 38% neste mês, em relação a abril, e as receitas subirão 26% no período. As exportações de carne bovina ficam estáveis em 95 mil toneladas.

 

Confinamento de gado recua no Brasil e nos EUA O confinamento de gado recua tanto no Brasil como nos Estados Unidos. O brasileiro está cauteloso porque custos e preços a serem recebidos não fecham as contas.

Nos EUA, os custos ainda permanecem elevados, mas há também redução do rebanho. Os
pecuaristas tinham 10,74 milhões de cabeças de gado em confinamento no início deste mês.

Esse número de animais confinados é 3% inferior ao do mesmo período do ano passado e o menor em três anos, considerando os meses de maio. Em Mato Grosso, Estado que detém o maior rebanho do país, o confinamento cairá 12% neste ano, para 810 mil animais, segundo informou ontem a Acrimat (Associação de Criadores de MT).

Gás no agronegócio O Sindigás, sindicato que reúne as distribuidoras de gás LP, quer incentivar o consumo dessa fonte de energia pelo agronegócio. O sindicato lança a cartilha "Energia limpa e abundante para o agronegócio e áreas remotas".

 

Vantagens Entre as vantagens do gás, o Sindigás destaca o menor custo de produção e o baixo impacto ambiental na produção. O energético pode ser utilizado em toda a cadeia, como secagem e torrefação de grãos, esterilização e aquecimento de ambientes e combate a pragas.

 

Pouco usado Apesar do enorme potencial, o Brasil ainda está muito distante de outras grandes economias como EUA, Alemanha e Reino Unido no uso do combustível, segundo o sindicato.

 

Diesel lidera A matriz energética do setor agropecuário é composta por óleo diesel (57,3%), lenha (24,7%) e eletricidade (17,6%), de acordo com dados do ano passado do Ministério de Minas e Energia.

Concorrência Os chineses vão comprar carne de búfalo da Índia. Os dois países assinaram o acordo para que haja uma redução do deficit comercial indiano. O Brasil também busca elevar a presença no setor de carnes do gigante asiático.

 

Milho nos EUA O plantio chegou a 71%, um percentual próximo dos 79% de média dos últimos cinco anos.

 



21/05/2013
ECONOMIA
CONFIANÇA, CONFIANÇA, E CONFIANÇA

Durante muitos anos o excelente colégio Dante Alighieri cultivou uma interessante reunião anual, a "Jornada das Profissões", que ocupava a manhã de um sábado. Elas antecediam o momento da escolha das carreiras pelos seus alunos. Participavam alguns professores que expunham as excelências de suas disciplinas na construção de uma vida bem realizada e capaz de proporcionar os meios materiais para poder gozá-la. A professora Ilda Loschiavo honrou-me muitas vezes com convites para tais tertúlias. Punham-nos diante de uma plateia de jovens atentos (menos de 17 anos). Alguns, arguidores excepcionais que se tornavam objeto da atração de todos os expositores para convertê-los à sua própria profissão.

A tarefa para um economista era ingrata. Tinha de competir com as promessas de outras disciplinas sociais que expunham, com extrema competência e elegância uma nova organização social, onde as injustiças do "capitalismo" seriam eliminadas e um homem "novo", basicamente altruísta, se realizaria plenamente. A "escolha" da profissão não era, portanto, um problema de menor importância. A concorrência mais dura era com as ciências exatas (física, química, biologia) e com a matemática, cuja sedução é conhecida.

Ingrata, mas com alguma vantagem. A economia desenvolveu um ar de "ciência" com modelos formalizados matematicamente que eram um atrativo para jovens mais ambiciosos e talentosos. A nossa "conversa" começava defensiva e conservadora: 1º) o homem só realiza plenamente a sua humanidade no exercício de sua atividade natural, o trabalho criativo. É este que estimula da melhor forma possível a explicitação dos diferentes talentos e das habilidades que cada um de nós carrega dentro de si; 2º) cada um de nós será inserido numa estrutura social produtiva historicamente construída quase por seleção natural no sentido de mais liberdade e igualdade; e 3º) mas essa mudança é lenta de forma que a escolha é importante, porque deverá proporcionar-lhe os recursos materiais para uma vida confortável.

Setor privado e governo vivem relação de desconfiança

Mas como mostrar o interesse do conhecimento da economia para um conjunto de jovens para os quais um mundo encantado aparece "pronto" nas vitrines das lojas e ao qual eles têm acesso graças às rendas de seus pais? Como desencantar esse mundo? Fazendo uma pergunta ingênua: "Vocês sabem como esse lápis que têm à mão foi parar aí?" Ele começou a ser produzido há 20 anos quando alguém plantou uma árvore na Malásia para atender a um pedido de alguém na Alemanha que, "descobriu" que juntando madeira e grafite poderia fazer um conveniente e limpo instrumento de escrita.

Que misteriosas forças se juntaram para que esse lápis fosse produzido? Que agentes e que interesses tiveram de ser mobilizados? A resposta simples, aparentemente ingênua e preliminar do "descobridor" da economia, Adam Smith (1723-1790), é que uma espécie de "mão invisível" (o lucro do plantador da Malásia, do transportador da madeira, do produtor do grafite, do produtor do lápis, da loja que o vendeu) produziu uma "coordenação" no tempo e no espaço dessa longa cadeia de atividade, que transformou uma árvore plantada na Malásia há 20 anos, num pequeno lápis que hoje está aqui nas suas mãos, na Alameda Jaú, em São Paulo!

O motivo de tudo é o "incentivo" apropriado por agentes anônimos. O "mistério" que a economia tenta explicar é como esses incentivos são traduzidos em suas ações práticas de oferta e procura em "mercados" que emergem espontaneamente organizados da interação entre todos eles. Adam Smith mostrou em 1759, na "Teoria dos Sentimentos Morais", e em 1776, na "Riqueza das Nações', que todo esse complexo sistema de relações está apoiado num fato fundamental: a existência da "confiança" entre os agentes. Na relativa certeza de que cada um cumprirá as suas promessas (os seus contratos) porque é do seu interesse. Se a confiança diminuiu os agentes deixam de responder aos estímulos, os mercados se degradam e o nível de atividade se reduz.

Essa lição era tão válida então quanto é hoje. Alguém pode ter qualquer dúvida que a grande depressão dos anos 30 do século passado e a grande recessão de 2008 foram casos absolutamente evidentes dos efeitos mortais da quebra generalizada da "confiança" entre os agentes econômicos?

O Brasil vive hoje uma relação desconfortável de desconfiança mútua entre o setor privado e o governo. O mesmo ocorre, aliás, com as relações entre o Executivo e sua base no Congresso em atritos de comunicação que não levam a nada. No Congresso toda proposição (que não fira as cláusulas pétreas da Constituição) é aceitável. Ele é o palco de todos os interesses que podem ser publicamente explicitados. A legitimidade da proposta é o Congresso que julga, mas o seu interesse nacional espera-se que seja o poder incumbente quem defina. A arbitragem final é o "veto", que pode ser aceito ou rejeitado.

No Congresso, também, é a "confiança" que permite o seu funcionamento. Ele tem as suas leis: 1º) com relação ao voto não há arrependimento; 2º) ninguém pode pedir "explicação" para o voto do outro; e 3º) a palavra vale: o que é acordado entre o governo por seus representantes e a oposição deve ser respeitado ou haverá uma paralisia crescente do processo legislativo.

Antonio Delfim Netto é professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento. Escreve às terças-feiras

E-mail: contatodelfimnetto@terra.com.br



21/05/2013
ECONOMIA
REINDUSTRIALIZAÇÃO

Nos anos 80 e início dos 90 do século passado, por conta de inúmeros tropeços na política econômica e de tenebrosas crises de hiperinflação, formou-se na sociedade brasileira o consenso de que o país deveria ter como prioridade absoluta a conquista da estabilidade.

Por razões que não vêm ao caso, diversos planos de estabilização fracassaram.

Já se passaram quase duas décadas desde que o lançamento do Plano Real trouxe a desejada estabilidade. Foi, sem dúvida, uma conquista extraordinária. Sem a inflação galopante que destruía o poder aquisitivo principalmente dos mais pobres, o país pôde avançar em produção, criação de empregos e distribuição de renda.

Vivemos hoje um novo momento na economia brasileira. Uma das perguntas mais recorrentes é "por que o Produto Interno Bruto não cresce ou cresce pouco?" Os diagnósticos são diversos e variam de acordo com a ideologia e o viés político dos especialistas.

É natural que a crise global, que já dura cinco anos e tem a maior intensidade desde a grande depressão dos anos 30, está entre as causas desse baixo crescimento. Mas não se pode colocar toda a culpa na crise externa. A novidade, nos últimos meses, é que começa a se formar o consenso de que não será possível alcançar um ritmo de expansão econômica sustentável sem uma reindustrialização do país.

O Brasil enfrentou nas últimas décadas um sensível declínio da indústria, tendência que tem sequência nos dias atuais. Um levantamento feito pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), com base em dados do Ministério do Desenvolvimento e do IBGE, mostra que continua a aumentar o coeficiente de importação da indústria brasileira, ao mesmo tempo em que diminui o coeficiente de exportação.

No início de 2007, por exemplo, as importações representavam 17,8% da produção industrial do país e as exportações, 21,1%. No primeiro trimestre deste ano, esse coeficiente havia caído para 18,2% no caso das exportações e aumentado para 24,1% no das importações. São claros sinais de desindustrialização do país, que a cada ano exporta menos manufaturados e se torna mais dependente de itens importados.

O consenso que se estabelece, seguramente benéfico para a economia, é o de que, a exemplo de outros países, o Brasil não consegui- rá alcançar níveis elevados de desenvolvimento sem um movimento vigoroso de reindustrialização.

Não é objetivo deste artigo sugerir formas pelas quais o país deve promover essa reindustrialização --pretende-se, apenas, enaltecer o surgimento da concordância ampla que se estabelece sobre isso.

Ainda que as terapias sugeridas por economistas sejam em geral bastante conflitantes, é muito importante haver aceitação geral do diagnóstico. Num interessante debate entre os professores Luiz Gonzaga Belluzzo e Edmar Bacha, publicado pelo "Valor", Bacha sugeriu o que chamou de "plano real da indústria", que teria três etapas não necessariamente sequenciais. Na primeira, seria feita forte redução da carga tributária incidente sobre as empresas, uma etapa fiscal, que exigiria controle de gastos do governo. Na segunda, haveria desvalorização do real com redução de tarifas de importação, uma espécie de troca de tarifas por câmbio. Na terceira, acordos comerciais para valer com União Europeia, Alca e outras regiões do mundo.

Belluzzo concordou com o diagnóstico, embora nem tanto com a terapia, preocupando-se principalmente com o movimento da taxa de câmbio no caso de uma flutuação livre da moeda. Eu acrescentaria uma observação sobre a necessidade de uma política industrial que pudesse levar em conta vocações nacionais, oportunidades globais e comprometimento com inovação. Não parece razoável deixar o processo de reindustrialização totalmente ao sabor do mercado.

Relevante, porém, é o consenso que se forma a respeito da necessidade de combate à desindustrialização. Afinal, o desempenho da indústria brasileira tem sido decepcionante. No ano passado, com queda de produção de 2,6%, foi o pior entre 25 emergentes, segundo a consultoria britânica Economist Intelligence Unit. Até a indústria de países fortemente atingidos por crise política, como o Egito, teve desempenho melhor que a brasileiro.

bvictoria@psi.com.br

BENJAMIN STEINBRUCH, 59, empresário, é diretor-presidente da Companhia Siderúrgica Nacional, presidente do conselho de administração da empresa e primeiro vice-presidente da Fiesp. Escreve às terças-feiras, a cada 14 dias, nesta coluna.

 



21/05/2013
INTERNACIONAL
CRESCE TEMOR NA ÁSIA DE UMA AMPLA DESACELERAÇÃO

A economia tailandesa cresceu mais lentamente do que o esperado nos primeiros três meses deste ano, somando-se a uma enorme série recente de dados decepcionantes sobre as economias asiáticas. Eles projetaram uma sombra sobre as perspectivas para uma das regiões que mais crescem no mundo.

A economia tailandesa cresceu 5,3% em relação ao mesmo trimestre do ano passado, mas teve contração de 2,2%, em percentual ajustado pela sazonalidade, em relação ao trimestre anterior.

O crescimento menor foi o resultado de fraca demanda da China, dos Estados Unidos e da zona do euro, bem como de um baht (a moeda tailandesa) valorizado, que apenas recentemente caiu em relação a uma cotação recorde em 16 anos, o que vem prejudicando as exportações.

Essa desaceleração está ocorrendo após um surto de expansão em 2012, quando a economia do país recuperou-se das enchentes devastadoras de 2011.

Os dados tailandeses foram divulgados num momento em que as exportações de muitas economias asiáticas estão desacelerando. O crescimento da China caiu para uma taxa anual de 7,7% no primeiro trimestre deste ano. Coreia do Sul, Indonésia, Taiwan, Malásia e Cingapura também reportaram, todos, um crescimento econômico mais lento nas últimas semanas.

"O quadro geral [desenhado pelos dados econômicos] é que a Ásia está esfriando, e essa tendência está sendo puxada pelo setor exportador", afirmou Daniel Martin, economista para Ásia na consultoria Capital Economics, em Cingapura.

O Japão, onde um novo governo e um novo presidente do banco central têm feito o máximo para estimular o crescimento, está dando alguma esperança à região (leia texto abaixo). Na semana passada, o governo disse que sua economia japonesa cresceu a uma taxa anual de 3,5% nos primeiros três meses deste ano. O primeiro-ministro, Shinzo Abe, também estabeleceu uma série de novas metas para tentar garantir o retorno do crescimento no longo prazo na segunda maior economia da Ásia.

Entretanto, para algumas economias do Sudeste Asiático, a política econômica de Abe no Japão representa uma faca de dois gumes, tendo em vista a enorme flexibilização monetária promovida pelo Banco do Japão (o BC japonês) como parte de sua guerra contra a deflação.

São grandes as preocupações de que o excesso de ienes contagie os mercados emergentes na Ásia, ameaçando criar bolhas de ativos. Os japoneses foram compradores líquidos de títulos estrangeiros nas três semanas até 11 de maio, segundo os dados disponíveis mais recentes.

Apesar dos sinais de desaceleração em vários países, muitos economistas continuam otimistas quanto às perspectivas de crescimento na Ásia.

"Os dados recentes têm se revelado de modo geral mais fracos do que esperava a maioria dos analistas, mas em minha opinião isso se deve ao fato de que as expectativas estavam exageradamente altas", disse Mark Williams, da Capital Economics.

"Para a Tailândia e a Malásia, por exemplo, foram fatores de curta duração que provocaram as altas taxas de crescimento recentes. Como esses fatores desapareceram, o crescimento abrandou. Mas a Tailândia e a Malásia ainda deverão crescer 4% ou 5% neste ano, o que não seria um resultado ruim, em relação ao pano de fundo de uma desaquecida economia mundial", afirmou Williams.

Na semana passada, a Malásia relatou seu mais lento ritmo de expansão desde o terceiro trimestre de 2009 e o crescimento da Indonésia no primeiro trimestre caiu para 6%, ano sobre ano


21/05/2013
MEIO AMBIENTE
AGRICULTURA DE BAIXA EMISSÃO DE CARBONO

Maio começou com duas notícias ruins para o planeta: a concentração de CO2 na atmosfera atingiu 400 partes por milhão (ppms) e 2012 foi um dos anos mais quentes desde 1850, com temperatura média dois graus centígrados acima do normal. O CO2 é um dos principais gases responsáveis pelo aquecimento global e não existem sinais de que será possível reverter esse quadro. É preciso conter a emissão dos gases de efeito estufa. Se essa concentração continuar aumentando, as previsões não são nada boas.

Em 2009, o governo brasileiro assumiu compromissos importantes em Copenhague. É preciso reduzir o desmatamento na Amazônia e no Cerrado e diminuir as emissões de veículos e do setor siderúrgico. Uma das ações estratégicas implantadas foi o Plano ABC, também conhecido como Plano de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono. Visto como ousado no lançamento, hoje é um dos poucos planos setoriais, ao lado da redução do desmatamento na Amazônia, que pode ajudar o Brasil a atingir a meta de Copenhague de manter nossas emissões em torno de dois bilhões de CO2 equivalentes em 2020.

A agropecuária brasileira pode passar a mitigadora de gases de efeito estufa, em vez de ser emissora, com práticas que permitam também aumento de renda para o produtor rural, além de recuperação de pastagens degradadas, integração lavoura-pecuária-floresta, plantio direto na palha, fixação biológica de nitrogênio, plantio de florestas e tratamento de dejetos animais. Somadas, as ações do Plano ABC podem até superar a meta prevista na Lei 12.187/2009, que estabelece a Política Nacional sobre Mudança do Clima.

 

Foi criada uma linha de crédito agrícola no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o Programa ABC, com juros de 5% ao ano, cujos recursos vêm crescendo: R$ 2 bilhões, em 2010, para R$ 3,4 bilhões, na safra 2012/2013. O desembolso também tem crescido, o que sugere que o Plano está ficando mais conhecido. Em 2010, nenhum contrato foi feito. Em 2011, pouco mais de 20% dos recursos foram disponibilizados, saltando para 40% em 2012. Ainda assim, o ritmo atual está muito lento. Por exemplo, até janeiro de 2013 foram executados cerca de 2.800 contratos para recuperação de pastagens e integração lavoura-pecuária, ações com o maior potencial de mitigação. Mas para cumprir os compromissos de Copenhagen é necessário que, até 2020, sejam estabelecidos uns 78 mil contratos.

 

Um estudo da Fundação Getúlio Vargas, para o Observatório do ABC (www.obervatorioabc.com.br), prevê que, se esse ritmo for mantido, o Plano ABC não cumprirá a meta. O principal gargalo é a limitada divulgação do Plano, dada a carência de técnicos para treinar agricultores e pecuaristas nas tecnologias de baixa emissão de carbono.

Essa baixa adesão reflete os desequilíbrios do país. Até janeiro deste ano, Norte e Nordeste, as regiões que mais precisam, detinham o menor número de contratos e o mais baixo percentual de desembolso. Sul e Sudeste ficaram com a maior fatia, embora sejam mais eficientes e usem mais tecnologia
agrícola que as outras regiões. O Centro-Oeste, principal área de expansão da agropecuária, também teve baixa adesão ao ABC.

 

É necessário reavaliar o papel do BNDES. Apesar de deter a maior parte dos recursos, até janeiro de 2013, executou apenas 14% dos contratos, contra os 86% feitos pelo Banco do Brasil. Em alguns casos, os juros do ABC são pouco atrativos. Fundos constitucionais, como o Fundo Centro-Oeste (FCO), oferecem condições mais vantajosas ao produtor. A agricultura de base familiar tem pouco acesso ao crédito do ABC, pois existem programas com juros mais atrativos. Esses problemas precisam ser rapidamente resolvidos para não morrermos na praia. O ABC é o mais completo plano do mundo para mitigação de gases de efeito estufa na agricultura, tanto em recursos quanto em escala. Sua consolidação é fundamental para o fortalecimento da agricultura brasileira e para cumprirmos nossa parte na luta pela sobrevivência do planeta.


21/05/2013
POLÍTICA
BARBOSA DIZ QUE CONGRESSO SE DESTACA PELA 'INEFICIÊNCIA

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, atacou ontem o Congresso Nacional ao dizer que ele se destaca pela "ineficiência" e é "inteiramente dominado" pelo Executivo.

Atribuindo parte do problema à fragilidade dos partidos políticos brasileiros, Barbosa disse que eles são "de mentirinha" e que a população raramente se identifica com seus representantes.

"O grosso dos brasileiros não vê consistência ideológica e programática em nenhum dos partidos. E tampouco os partidos e os seus líderes têm interesse em ter consistência programática ou ideológica. Querem o poder pelo poder", afirmou Barbosa, em palestra no Instituto de Educação Superior de Brasília (Iesb), onde é professor.

"Essa é uma das grandes deficiências, a razão pela qual o Congresso brasileiro se notabiliza pela sua ineficiência, pela incapacidade de deliberar", disse o ministro.

As declarações de Barbosa provocaram incômodo e protestos no Congresso. Em nota divulgada por sua assessoria, o presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN), considerou a manifestação "desrespeitosa" e afirmou que ela "não contribui para a harmonia" entre os Poderes.

No fim da tarde, Barbosa divulgou nota para dizer que se manifestou na "condição de acadêmico e professor" e que não teve a "intenção de criticar ou emitir juízo de valor" a respeito do Legislativo.

O Congresso e o Supremo tiveram vários atritos nas últimas semanas. O primeiro ocorreu quando a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou proposta de emenda constitucional que limitava os poderes do STF.

No mesmo dia o ministro Gilmar Mendes suspendeu a tramitação de outra proposta, patrocinada pelo Palácio do Planalto, que tem o objetivo de dificultar a criação de partidos, prejudicando possíveis concorrentes da presidente Dilma Rousseff nas eleições do ano que vem.

Barbosa foi criticado por integrantes de vários partidos durante o julgamento do mensalão, no ano passado, quando votou pela condenação de 25 réus, entre os quais quatro deputados federais.

"O problema crucial brasileiro, a debilidade mais grave do Congresso brasileiro, é que ele é inteiramente dominado pelo Poder Executivo", disse Barbosa na palestra. "Temos um órgão de representação que não exerce em sua plenitude o poder que a Constituição lhe atribui, o poder de legislar", afirmou.

Ele citou especificamente a votação da Medida Provisória dos Portos, aprovada na semana passada depois que o governo usou sua força política para que o Senado a aprovasse em tempo recorde, após 40 horas de votação e muitas disputas na Câmara.

Para Barbosa, a forma como os aliados do governo conduziram o processo tirou do Senado a capacidade de corrigir eventuais "excessos" cometidos pela Câmara na análise da medida provisória.

Congressistas reagiram às declarações de Barbosa. O vice-presidente do Congresso, deputado André Vargas (PT-PR), afirmou que o presidente do STF não está "à altura do cargo", por ter "pouco apreço pela democracia".

O líder do PSDB, senador Aloysio Nunes Ferreira (SP), negou que seu partido seja de "mentirinha". "O meu partido é de verdade", afirmou o tucano.



21/05/2013
POLÍTICA
DILMA VAI VISITAR OS ESTADOS UNIDOS EM OUTUBRO, CONFIRMA MINISTRO

Em encontro com o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, o secretário de Estado americano, John Kerry, confirmou ontem que a presidente Dilma Rousseff fará uma visita de Estado aos EUA em outubro. "É um evento não trivial, um acontecimento importante que reflete a importância estratégica que o governo do presidente Barack Obama dá ao relacionamento com o Brasil, e a aceitação do convite pela presidente Dilma ocorre nesse mesmo espírito", disse Patriota, em Washington. Uma visita de Estado do Brasil aos EUA não ocorre desde 1995, quando Fernando Henrique Cardoso visitou o país no governo Bill Clinton. Dilma chegará aos EUA em 23 de outubro. Será recebida num jantar de gala na Casa Branca e visitará o Congresso e o Judiciário.

 

"A nossa relação com o Brasil é extremamente importante, e tem significado cada vez maior. Isso fica evidente no fato de que a presidente Dilma Rousseff estará aqui em outubro visitando o presidente Barack Obama", destacou Kerry, lembrando que o vice-presidente dos EUA, Joe Biden, vai ao Brasil no fim do mês. "E eu pretendo ir para lá em breve", disse Kerry, na sede do Departamento de Estado.

 

Patriota reuniu-se também com o vice-assessor de Segurança Nacional para Assuntos Econômicos Internacionais, Michael Froman, indicado por Obama para o cargo de Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês), mas ainda não aprovado pelo Senado. O ministro falou com Froman sobre questões comerciais, como as tratativas dos EUA para se chegar a áreas de livre comércio com os países do Pacífico e com a União Europeia. "São negociações que não são destituídas de grandes desafios", disse Patriota, observando que, numa reunião no começo do ano em Santiago, Mercosul e União Europeia assumiram o compromisso de trocar "ofertas melhoradas" até o fim de 2013.

 

Mas não há o risco de o Brasil ficar isolado, já que não tem fechado acordos com outros países devido à restrição de ter de negociá-los no âmbito do Mercosul? "Acho que essa questão do isolamento não se coloca", disse o chanceler. "Os diferentes países negociam segundo as suas próprias estratégias. Eu lembrei a ele que a América do Sul, em função de negociações já levadas a cabo, vai constituir até 2019 uma zona de livre comércio entre todos os países."

 

Segundo Patriota, a política brasileira, a exemplo da americana, é "muito pragmática, visando buscar oportunidades de comércio por diversos mecanismos, com um forte investimento político no sistema multilateral de comércio".

 

O ministro lembrou que, no fim deste ano, em Bali, haverá uma reunião ministerial da OMC, manifestando a expectativa de que poderão ocorrer avanços em algumas áreas, inclusive na questão agrícola. Patriota afirmou também ter falado sobre a preocupação brasileira "com crescente déficit acumulado no comércio com os EUA e sobre o nosso interesse em obter o melhor acesso aos nossos produtos, para uma retomada num nível superior, se possível, das exportações para os EUA".

Patriota disse que há interesse dos dois países numa parceria mais intensa em tecnologia da informação, enfatizando ainda o diálogo nas áreas de ciência, tecnologia, inovação e educação. "São áreas da agenda da competitividade externa, e a presidente vê a parceria com os EUA como algo fundamental e importante", disse Patriota, lembrando ainda das negociações nas áreas de comércio, investimento e defesa.

 

Ao relatar sua conversa com Kerry, Patriota destacou que o americano "reafirmou" o compromisso dos EUA com o teor do comunicado do Grupo de Ação de Genebra, divulgado em meados de 2012, em relação à guerra civil na Síria. O documento pede um encaminhamento negociado e diplomático para o conflito, numa discussão que envolveu membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e dos principais vizinhos da Síria.

 

O ministro também se encontrou com o assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, Tom Donilon, com quem falou sobre a questão do gás de xisto, uma área em que o Brasil tem interesse em trabalhar junto com os EUA.

 

Embaixador dos EUA deixa Brasil nos próximos meses

Por Sergio Leo | De São Paulo

 

O embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon, que encerrou em fevereiro seu período regulamentar de três anos no Brasil, aguarda até hoje definições sobre seu futuro, inclusive sobre a data de saída do Brasil, não decidida até agora, segundo fontes próximas ao diplomata. Em Washington, ainda não há indicações sobre o futuro substituto de Shannon, interlocutor muito estimado pelo governo brasileiro. Ele é visto como um dos artífices da distensão entre os dois governos, depois dos atritos em 2010 com o esforço do governo Lula em intermediar um acordo com o Irã para evitar uso bélico da energia nuclear no país.

 

"Não temos ainda nenhuma comunicação sobre a saída do embaixador, nem recebemos pedido de 'agreement' para o substituto", disse o porta-voz do Itamaraty, Tovar Nunes, ao Valor. Shannon acompanhou a visita do ministro de Relações Exteriores, Antônio Patriota, a Washington, para um primeiro encontro com o secretário de Estado, John Kerry. Segundo fontes do governo americano, a saída de Shannon é prevista para os "próximos meses", como parte da rotação normal de nomes nas embaixadas, mas a data ainda não foi decidida.

 

A saída de Shannon, embora lamentada em Brasília, é esperada pelo governo brasileiro desde o fim do ano passado, quando começaram a circular rumores sobre o futuro destino do diplomata. Chegou-se a falar em um alto cargo no Departamento de Estado e na embaixada americana na Turquia.

 

Balança comercial tem déficit de US$ 47 milhões na semana

Por Lucas Marchesini | De Brasília

 

A balança comercial brasileira registrou déficit de US$ 47 milhões na terceira semana de maio, informou ontem o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic). O valor resulta de US$ 5,121 bilhões em exportações e US$ 5,168 bilhões em importações. Apesar do pequeno déficit, o desempenho na balança comercial no acumulado de maio é positivo em US$ 1,057 bilhão. No ano, o déficit é de US$ 5,095 bilhões.

 

A média diária de US$ 1,059 bilhão das exportações nas três primeiras semanas de maio é 0,4% superior à média diária de US$ 1,055 bilhão dos embarques realizados em todo o mês de maio do ano passado. Esse aumento é explicado pelo maior embarque de produtos básicos.

As exportações dessa categoria de mercadoria subiram 8,4%, de US$ 538,6 milhões da média diária de maio de 2012 para US$ 583,8 milhões no acumulado deste mês. Já os manufaturados reverteram o crescimento na média diária apurado até a segunda semana e agora apresentam queda de 1,8% na comparação da média diária no acumulado deste mês (US$ 349,1 milhões) com maio do ano passado (US$ 355,4 milhões). No caso dos semimanufaturados, a média caiu 22,6%, passando de US$ 135,9 milhões em maio de 2012 para US$ 105,1 milhões no acumulado deste mês.

 

Na outra ponta, as importações subiram 5,5% nas três primeiras semanas de maio, com média diária de US$ 971 milhões, ante US$ 920,5 milhões em todo o mês de maio do ano passado. Cresceram os gastos, principalmente, com adubos e fertilizantes (+61,6%) e plásticos e obras (+20,1%).


21/05/2013
POLÍTICA
PARTIDOS SÃO UMA FARSA, DIZ BARBOSA

Depois de silenciar durante o princípio da crise desencadeada no fim de abril entre os poderes Legislativo e Judiciário, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, fez ontem duras críticas ao Congresso Nacional. O ministro afirmou que “a ineficiência e a incapacidade de deliberar” do parlamento brasileiro estão relacionadas à fragilidade dos partidos — segundo ele, “de mentirinha” — e ao domínio exercido pelo Executivo sobre o Legislativo.
“Nós temos partidos de mentirinha. Não nos identificamos com os partidos que nos representam no Congresso, a não ser em casos excepcionais. Eu diria que o grosso dos brasileiros não vê consistência ideológica e programática em nenhum dos partidos. Querem o poder pelo poder”, disse Barbosa, na manhã de ontem, durante a 5ª Semana Jurídica do Instituto de Educação Superior de Brasília (Iesb), da qual participou como palestrante. Ele é professor de direito da instituição.

As declarações foram feitas em resposta a uma pergunta do público sobre a interferência do STF em assuntos legislativos. Horas depois, a assessoria de imprensa do Supremo divulgou nota na qual informa que Barbosa estava no evento “na condição de acadêmico e professor” e que “não houve a intenção de criticar ou emitir juízo de valor a respeito da atuação do Legislativo e de seus atuais integrantes”.
Durante a palestra, Barbosa afirmou que o Congresso é ineficiente por ser “inteiramente dominado” pelo Executivo. “Poder que não é exercido é poder que é tomado, exercido por outrem e, em grande parte no Brasil, esse poder é exercido pelo Executivo”, frisou. “O problema crucial brasileiro, a debilidade mais grave do Congresso, é que ele é inteiramente dominado pelo Poder Executivo. Há um domínio institucional sobre o Congresso Nacional. Temos um órgão de representação que não exerce em sua plenitude o poder que a Constituição lhe atribui, que é o poder de legislar”, acrescentou o presidente do STF.

O ministro criticou o sistema político brasileiro e defendeu a implantação do voto distrital, no qual o país seria dividido em distritos em que cada um elegeria seu representante para a Câmara. De acordo com Barbosa, o Congresso de hoje é representado por interesses setorizados. “Passados dois anos da eleição, ninguém sabe mais em quem votou. Isso vem do sistema proporcional.”
O senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), também presente à abertura da Semana Jurídica do Iesb, manifestou-se contra o voto distrital. Ele considera que esse modelo levaria a uma sub-representação das minorias.

Sem mencionar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 33 — que submete decisões do STF à aprovação do Congresso —, o ministro Barbosa observou que o eventual controle do Judiciário pelo Legislativo representaria “o fim da Carta de 1988”. Para ele, “se levadas adiante essas tentativas, nós teríamos destruído a Constituição brasileira, todo mecanismo de controle constitucional que o Supremo exerce sobre as leis”.

Durante a palestra, na qual também abordou o tema presidencialismo e a separação dos poderes, Barbosa alertou que a invasão de um poder sobre a esfera de outro tem potencial para levar à “destruição e à supressão desse poder e de suas prerrogativas”.
O ministro defendeu o fim do voto obrigatório no país e criticou a demora do Congresso em apreciar a reforma política, que, segundo ele, infelizmente vem sendo “postergada”. No fim da tarde, Barbosa recebeu, no STF, o advogado Márcio Thomaz Bastos e o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, para tratar do processo do mensalão. Advogado de um réu do processo, Bastos entregou um memorial ao presidente do STF. 

Delúbio interpõe  recurso no STF

O ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, condenado a oito anos e 11 meses no processo do mensalão, entrou com recurso no Supremo no qual pede que o plenário da Corte se manifeste sobre o cabimento dos embargos infringentes. Isso pode levar a um novo julgamento nos casos em que o réu tenha recebido pelo menos quatro votos pela absolvição. Em decisão individual, o presidente da Corte, Joaquim Barbosa, havia rejeitado os embargos apresentados pela defesa de Delúbio. O ex-deputado Pedro Henry também apresentou pedido ao STF. Ele quer que seu recurso seja válido para todos os réus que tiveram ao menos um voto favorável no julgamento.

 



expandir Data: 20/05/2013   (15)
20/05/2013
AGRONEGÓCIO
EMBARQUE DE SUCO CRESCE 20% NTRE JANEIRO E ABRIL

Por Fernando Lopes | De São Paulo

 

Com o forte aumento do mês passado, as exportações brasileiras de suco de laranja encerraram o quarto trimestre deste ano com um incremento de 20% em relação a igual intervalo de 2012, conforme dados da Secex compilados pela Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR).

 

Segundo a entidade, os embarques alcançaram 98.082 toneladas em abril, 173% mais do que no mesmo mês do ano passado, e somaram 428.229 toneladas nos primeiros quatro meses do ano. Os cálculos levam em conta as vendas de suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês) e de suco integral pronto para beber (NFC), não concentrado. Para facilitar as comparações, o volume de NFC é convertido ao equivalente em FCOJ.

Segundo a CitrusBR, que reúne as empresas Cutrale, Citrosuco /Citrovita e Louis Dreyfus Commodities, os saltos, sobretudo o de abril, não significam que os tempos de demanda internacional retraída acabaram. "Esse tipo de aumento em um único mês pode ser resultado da coincidência de carregamentos de suco em um período curto e não significa necessariamente que houve um aumento nas exportações de maneira geral. Será preciso acompanhar o resultado nos próximos dois meses para ver quanto desse acréscimo será preservado", disse a entidade.

 

Principal mercado para as exportações brasileiras de suco de laranja, a União Europeia absorveu 267.384 toneladas no período, 10,5% mais que entre janeiro e abril de 2012.

 



20/05/2013
AGRONEGÓCIO
MONSANTO SOFRE NOVO REVÉS EM CASO DE PATENTE

A Monsanto sofreu mais uma derrota na disputa jurídica em torno da validade de sua patente sobre a soja transgênica no Brasil. Na semana passada, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou recurso da múlti americana que pedia a prorrogação da vigência da patente da soja RR, resistente ao herbicida glifosato. Cabe recurso da decisão no próprio STJ e no Supremo Tribunal Federal (STF).

Por unanimidade, os quatro ministros da Terceira Turma referendaram a decisão inicial do ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, de fevereiro, que estabeleceu uma vigência de 20 anos a partir da data do primeiro depósito da patente no exterior, em 31 de agosto de 1990 - ou seja, até 1º de setembro de 2010. Desse modo, a companhia teria perdido os direitos econômicos sobre a tecnologia há mais de dois anos. Ela alega, porém, que seus direitos sobre a tecnologia são válidos até 2014, quando expira a última patente nos Estados Unidos.

Como a decisão não é definitiva, a cobrança de royalties poderia continuar, mas a própria empresa resolveu suspender o recolhimento junto aos produtores que se comprometerem a não pedir o reembolso dos valores pagos após setembro de 2010 em caso de derrota da empresa na Justiça. Pela proposta, os produtores ficariam isentos de pagar royalties em 2013 e 2014, mas abririam mão de questionar os valores pagos nos dois anos anteriores.

 

Apesar da suspensão da cobrança, a empresa fez uma ressalva. Afirma que "continua documentando e mantendo as informações comerciais relativas àqueles que usam a soja RR durante este período de adiamento da cobrança".

 

A Monsanto afirmou em nota que vai recorrer da decisão da Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) proferida ontem. A empresa deve entrar com um recurso no próprio STJ e, se derrotada, no Supremo Tribunal Federal (STF). A empresa afirmou que "o julgamento desta quinta-feira não é a decisão final da Justiça sobre a matéria". A múlti também afirmou que mantém suspenso o recolhimento da remuneração pelo uso da tecnologia até decisão final da justiça. "A Monsanto continua confiante no seu direito e na validade da patente da soja RR até 2014, de acordo com a legislação brasileira", afirma a companhia.

 

As associações de produtores entraram com a ação na Justiça em setembro de 2012. Para o presidente da Famato, Rui Prado, a decisão do STJ reforça que o setor produtivo vem batalhando desde o ano passado para que a Justiça reconheça o vencimento da patente. "Esta decisão do STJ nada mais é que um importante reconhecimento daquilo que defendemos. Somos a favor dos transgênicos, mas queremos uma cobrança justa e o que estiver amparado na legislação brasileira de patentes", disse Prado.

 

De acordo com o presidente da associação que representa os produtores de soja, Aprosoja, Glauber Silveira, a decisão mostra que os produtores estão no caminho certo. "O Superior Tribunal de Justiça mostrou que estamos no caminho certo, em exigir nosso direito", disse.

 



20/05/2013
COMÉRCIO EXTERIOR
BNDES REFORÇA AÇÕES NO EXTERIOR

Por Francisco Góes | Do Rio

 

O governo está definindo uma série de ações para ampliar a presença das empresas brasileiras na América Latina, Caribe e África. A estratégia considera reforçar o papel do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) como financiador de bens e serviços brasileiros para essas regiões. Com esse espírito, foi criada, no fim de abril, por determinação da presidente Dilma Rousseff, uma nova área no banco, com status de diretoria, para cuidar das três regiões geográficas, a cargo de Luiz Eduardo Melin, responsável pelas áreas internacional e de comércio exterior do banco. O plano considera ainda a criação de um sistema robusto de garantias de crédito à exportação por intermédio da recém-criada Agência Brasileira Gestora de Fundos e Garantias (ABGF), no âmbito do Ministério da Fazenda.

 

As medidas podem alavancar os financiamentos do BNDES à exportação, que totalizaram US$ 5,46 bilhões em 2012, cerca de 7% do desembolso total do banco no ano passado, de R$ 156 bilhões (US$ 78 bilhões). Mas a expansão do crédito dentro da nova estrutura de apoio à exportação no BNDES vai depender, em parte, da capacidade de realização da carteira africana pelo banco. Só com Angola, o BNDES tem em carteira US$ 7 bilhões em linhas de crédito aprovadas desde 2006.

 

Se esse modelo for replicado com sucesso para Gana, por exemplo, país com o qual o Brasil desenvolve uma relação bilateral, seria possível ter, em três anos, uma carteira com esse país semelhante à de Angola, nas estimativas de fontes do governo. Com Gana, há perspectivas para as empresas brasileiras nas áreas de infraestrutura, de etanol e agronegócios, envolvendo exportação de máquinas agrícolas, caminhões e ônibus. O agronegócio é também uma área na qual o Brasil pode oferecer cooperação técnica aos países africanos.

Com tradição comercial na América Latina, o Brasil ainda tenta decifrar a África para além de Angola, país com o qual construiu uma história de comércio bilateral. Um caminho que o Brasil poderá trilhar passa pela ampliação do modelo estabelecido com Angola, baseado em linhas de crédito garantidas por recebíveis de petróleo. Já se falou em garantir empréstimos em outros países africanos com recebíveis de carvão.

 

Em 2012, o BNDES desembolsou US$ 1 bilhão para projetos envolvendo empresas brasileiras na América Latina e outros US$ 600 milhões para obras brasileiras em países africanos. Os números do desembolso do BNDES devem se repetir neste ano tanto nos países latinos quantos nos africanos, prevê uma fonte do governo. Até agora a relação comercial do Brasil com os africanos, via apoios do BNDES, se restringe à Angola, Moçambique e Gana, mas há potencial para estender essa relação para outros países como Senegal, Namíbia e Zâmbia.

A orientação do governo é reforçar a presença brasileira também no Caribe. Na América Central, o BNDES já tem projetos com bom grau de maturidade na Nicarágua, Costa Rica, Guatemala e El Salvador. O banco também tem operações com República Dominicana e Cuba, mas ainda há muito a ser feito nas ilhas caribenhas.

O trabalho de uma maior aproximação com América Latina e África começou ainda no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas demorou a mostrar resultados e passou por mudanças no governo da presidente Dilma Rousseff. Na quinta-feira, a presidente embarca para a Etiópia para participar da reunião de cúpula da União Africana (UA).

 

A prioridade dada à África é também demonstrada pela montagem de um grupo interministerial que pretende organizar a forma de atuação do Brasil no continente africano. O Grupo Técnico de Estudos Estratégicos de Comércio Exterior, o Getex África, está em fase inicial de montagem na Casa Civil da Presidência. A realidade da África, onde há países com limitações ao endividamento, exige desenvolver outros canais institucionais e novos instrumentos para fazer financiamentos de forma sustentável.

 

A criação de uma diretoria para cuidar de América Latina, Caribe e África no BNDES deve levar a uma reorganização das áreas internacional e de comércio exterior do BNDES para fazer com que o banco consiga fazer mais e reforce a diretriz de política externa, disse a fonte do governo. Isso passa por políticas de fomento, pela relação com organismos multilaterais, com bancos africanos e com outros atores relevantes. E também pela capacidade do banco de gerar operações, fazer análises de projetos, contratar e liberar financiamentos. "Na África, a penetração das empresas brasileiras é mais incipiente do que na América Latina e o conhecimento do mercado, menor", diz a fonte.

 

A nova estrutura dentro das áreas internacional e de comércio exterior do BNDES começa a ser implementada mais de três anos depois de o governo do ex-presidente Lula ter tentando criar, sem sucesso, o Exim Brasil, subsidiária do BNDES que financiaria a exportação, mas que se manteria dentro do orçamento do banco. O Exim Brasil esbarrou, em parte, no fato de que a subsidiária teria de oferecer empréstimos e assumir o risco das próprias operações de crédito ou atuar como garantidor de recursos privados. Depois de muitas discussões, se concluiu que a alternativa melhor seria reforçar o papel do BNDES como provedor de recursos de médio e longo prazo para a exportação. Ao mesmo, identificou-se que era preciso ter um sistema reforçado de garantias de crédito à exportação, papel que caberá à Agência Brasileira Gestora de Fundos e Garantias (ABGF).

Instituída por decreto presidencial em abril, a agência vai atuar garantindo projetos de infraestrutura e também dará garantias para operações de comércio exterior por meio de dois fundos que estarão debaixo do seu guarda-chuva: o Fundo Garantidor de Infraestrutura (FGIE) e o Fundo Garantidor de Comércio Exterior (FGCE). O FGIE deverá contar com recursos da União de até R$ 11 bilhões, e o FGCE, de R$ 14 bilhões, os quais devem ser aportados pelo governo de forma gradual. Procurado, o Ministério da Fazenda disse que não iria falar sobre a ABGF neste momento. Quando da publicação do decreto, a expectativa era de que a ABGF começasse a operar no fim deste ano.

 

Fontes do setor dizem que, mesmo com a ABGF, o atual sistema de garantias de mais longo prazo (acima de dois anos), via Fundo Garantidor de Exportação (FGE), vai continuar a existir. O FGE é considerado importante, mas limitado, pois depende, em parte, do Orçamento da União e qualquer movimento para arcar com um sinistro resultante do não pagamento de crédito à exportação impacta o superávit primário do governo federal, segundo as fontes. Um especialista em seguro de crédito disse que a tendência seria o FGE continuar a cobrir riscos de Estado (risco país e político), com prazos mais longos, enquanto o FGCE ficaria com riscos mais bancáveis.

A avaliação de uma fonte do governo é de que a ABGF terá a vantagem de garantir volumes maiores de crédito ao setor privado. A fonte disse que a agência poderá atrair mais bancos privados para o financiamento à exportação uma vez que, em caso de "default" (não pagamento) do crédito, a instituição financeira seria indenizada pelo FGCE.

Banco volta a financiar obra no Equador

Por Do Rio

 

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) retomou os financiamentos com o Equador depois de ficar cerca de quatro anos sem apoiar projetos de empresas brasileiras naquele país. O banco fechou contrato para financiar a hidrelétrica de Manduriacu, um projeto da Odebrecht. A empreiteira chegou a ser expulsa do Equador, mas voltou ao país. Os problemas do Brasil com o Equador começaram em 2008, quando o governo de Rafael Correa apontou supostas falhas nas obras da hidrelétrica de San Francisco, outro projeto da Odebrecht. Correa chegou a recorrer à Corte Internacional de Arbitragem, em Paris, para não pagar parte do financiamento da hidrelétrica com o BNDES. A ameaça de calote resultou em uma crise diplomática e o BNDES fechou as torneiras de recursos para o Equador.

 

A arbitragem terminou com resultado favorável ao Brasil e, em 2012, o Equador voltou a se aproximar do país. Ao longo dos dois anos de arbitragem quatro parcelas da dívida com o BNDES venceram e foram pagas. O Equador nunca ficou inadimplente com o banco de fomento brasileiro. Mas para voltar a financiar projetos no país foram tomados certos cuidados, segundo fonte do governo.

Uma iniciativa foi modificar os termos do Convênio de Créditos Recíprocos (CCR) acertado com o Equador, via bancos centrais, de forma a dar mais segurança ao Brasil no repagamento do crédito. O CCR é um instrumento de garantia usado entre bancos centrais da América Latina nas operações de comércio exterior.

 

Outra medida foi reduzir a participação do BNDES nos percentuais máximos financiados em projetos no país. Os empréstimos do BNDES foram limitados até 85% do valor das exportações brasileiras quando, no passado, o banco chegou a financiar 100% dos projetos envolvendo empresas brasileiras no Equador. Se for analisada a carteira de exportações do BNDES, há outros países ou setores em que a participação do banco também é limitada a 85%, caso de Cuba, de Angola e do setor aeronáutico.

 

O BNDES trabalha com a possibilidade de financiar outros projetos no Equador, como um sistema de irrigação. E existe pedido dos equatorianos para que o banco apoie a construção da linha de transmissão da usina de Manduriacu. Mas a intenção do banco é trabalhar o crescimento da carteira de projetos gradualmente.

Na América Latina, os principais mercados envolvendo a exportação de bens e serviços de empresas brasileiras, com apoio do BNDES, são a Argentina e a Venezuela. As garantias para os financiamentos a projetos de infraestrutura na região envolvem o Fundo Garantidor de Exportação (FGE). Mas segundo um especialista em comércio exterior, o FGE também se vale do CCR nos mercados nos quais o Brasil tem convênios assinados com outros países, como a Argentina, Venezuela, o Equador e a República Dominicana. (FG)

 



20/05/2013
COMÉRCIO EXTERIOR
SUPERÁVIT DE GRANDES EXPORTADORES ENCOLHE 65%

As empresas de manufaturados que mais exportavam em 2007, antes da crise, perderam espaço no exterior e aumentaram as importações cinco anos depois. Somado o desempenho das 25 maiores exportadoras daquele ano, o Brasil "perdeu" US$ 9 bilhões da balança comercial, considerando as duas pontas. Levantamento feito com essas companhias mostra que apenas quatro delas aumentaram o superávit, enquanto o total de embarques caiu 11,8% e as compras subiram 36,8%.

 

Foco maior no consumo doméstico, desaceleração de mercados maduros e dificuldade de competição com os estrangeiros são os motivos apontados por analistas e empresas para a redução do superávit do grupo, de US$ 13,7 bilhões, há cinco anos, para US$ 4,7 bilhões em 2012, 65% a menos.

 

O encolhimento de dois terços no saldo positivo foi mais severo do que a contração do resultado do comércio exterior brasileiro na mesma comparação, que passou de superávit de US$ 40 bilhões para US$ 19,4 bilhões.

 

A queda, contudo, não foi generalizada entre as 25 empresas. Embraer - maior exportadora de manufaturados do país - Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração, Gerdau e Suzano Celulose conseguiram aumentar seus saldos comerciais. Ao mesmo tempo, entre as 25 companhias, seis ou se fundiram com outros grupos de seu setor ou pararam de produzir no Brasil.

 

O movimento de baixa foi puxado pelas quatro maiores montadoras do país, que passaram do azul para o vermelho na balança comercial. Há seis anos, Volkswagen, GM, Ford e Fiat fizeram um saldo positivo de US$ 3,1 bilhões para o comércio exterior. No ano passado, o resultado ficou deficitário em US$ 1,8 bilhão, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic). Procuradas, GM e Volkswagen não comentaram os números.

A Renault também não ficou de fora. Apesar de as exportações crescerem 74%, as importações aumentaram 218% e alcançaram US$ 1,59 bilhão, valor maior do que os US$ 1,2 bilhão em vendas ao exterior.

A Motorola registrou fenômeno inverso, mas também transformou um superávit em déficit. Sem exportar nem um dólar no ano passado, as importações foram da ordem de US$ 488 milhões. A multinacional americana informou que "praticamente toda a produção brasileira da empresa tem sido absorvida pelo mercado interno nos últimos anos". O resultado se deve ao crescimento da demanda doméstica, considerado significativo, e "ao aumento de barreiras comerciais de alguns países da América Latina, como Argentina e Venezuela", principais mercados consumidores da produção brasileira.

Scania e Whirlpool, por exemplo, dos setores automobilístico e de eletrodomésticos, diminuíram os embarques e aumentaram os desembarques. Procuradas, as empresas também não se pronunciaram sobre o assunto.

 

Houve também quem conseguiu aumentar as vendas ao exterior em 40%, mas mesmo assim viu o superávit encolher drasticamente. De 2007 a 2012 a Braskem importou 214% a mais, e o saldo positivo não passou de US$ 5 milhões no ano passado.

 

O movimento geral das maiores exportadoras mostra "um sinal claro de que a indústria perdeu muita competitividade no período pós-crise", analisa Julio Gomes de Almeida, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda e professor da Unicamp. Como as micros, pequenas e médias empresas brasileiras exportam pouco, o resultado das 25 maiores revela um quadro geral da indústria manufatureira do país. "Temos uma dependência forte da empresa grande. Se elas vão mal, a balança vai mal", diz.

 

Os dados apontam para três movimentos das manufaturas depois da crise de 2008. Importação maior para abastecer o mercado interno, "como é o modelo das automobilísticas", orientação maior da produção para o consumo doméstico em função da dificuldade em aumentar a presença em mercados em desaceleração ou com forte concorrência com asiáticos, ou "simplesmente diminuição da exportação por falta de competitividade", de acordo com Gomes de Almeida.

As empresas que conseguiram atrair mais divisas externas foram aquelas que tiveram êxito em acompanhar o avanço técnico da indústria global, segundo José Tavares Araujo Junior, diretor do Centro de Estudos de Integração e Desenvolvimento (Cindes).

 

Um exemplo do aumento nos níveis de comércio exterior é a Caterpillar, que elevou as exportações em 62% e as importações em 11%, fazendo o saldo positivo ir a US$ 904 milhões. De acordo com Luiz Carlos Calil, presidente da empresa no Brasil, a companhia traçou uma estratégia para se posicionar melhor no mercado de exportação, investindo na modernização do processo produtivo e aumentando o mix de máquinas oferecidas ao mercado. "Isso deu um impacto muito positivo no nosso posicionamento externo. Procuramos também desenvolver mais nossa base de fornecimento, diminuindo a dependência de importações", diz. Atualmente, a Caterpillar exporta para mais de 120 países.

 

Olhando o quadro geral, Araujo Junior diz que a indústria atualmente enfrenta dois grandes fatores que limitam o aumento do nível de produção e exportação: as barreiras tarifárias para bens de capital e insumos importados, que aumentam o custo de produção de toda a cadeia produtiva, e a ineficiência da infraestrutura, que encarece os produtos.

"Há empresas que podem ter se voltado mais ao mercado interno ou passado a comprar componentes mais sofisticados, o que indica uma melhora na qualidade e competitividade. O que precisamos mesmo é de uma política industrial que se desvincule da ideia de que o comércio exterior serve para atrair divisas internacionais. Isso permeia a política industrial brasileira desde sempre", afirma.

 

Para o diretor, um aumento no nível de importação "não é necessariamente ruim". Se as empresas estão obtendo no exterior produtos mais baratos que ajudam em uma produção mais competitiva, o ganho delas vai se espraiar para outros setores da economia. "A ideia de que a indústria é para fechar balança comercial precisa ser revista."

 

Cresce mercado para Brasil na Ásia

Por Sergio Leo | De Brasília

 

A Ásia cresceu de tamanho como mercado para o Brasil, apesar da queda nos preços de importantes produtos de exportação brasileiros neste ano. Vários países da região ajudam a compensar a perda de apetite da China por commodities. Em abril, a fatia dos asiáticos entre os compradores de mercadorias exportadas pelos brasileiros chegou a pouco menos de 36% do total, mais de 80% acima do mercado representado pela União Europeia e quatro vezes superior ao dos Estados Unidos. Embora haja expectativas de melhorar esse quadro, entre 70% a 80% do que o Brasil vende ao Oriente é de produtos de baixo valor agregado.

 

No quadrimestre, a fatia asiática entre os compradores de produtos brasileiros chegou a 31%, um terço além da absorvida pela União Europeia e mais de duas e vezes e meia superior à dos EUA. De cada dois dólares em produtos vendidos aos asiáticos, pouco mais de um dólar se destina à China, que foi, também quem mais aumentou as compras do Brasil, em termos absolutos, no primeiro quadrimestre: mais US$ 537 milhões, ou 4,6% além do que importaram do país no mesmo período do ano passado (pela média diária de exportações o aumento foi de 5,9% - em 2013 houve mais dias úteis).

Mas outros países asiáticos com peso no mercado tiveram aumentos significativos, como Japão, Coreia do Sul, Taiwan, Malásia e Indonésia. Os japoneses elevaram suas compras do Brasil em 20% no primeiro quadrimestre e em 42% em abril, comparadas com o mesmo período do ano passado, o que acrescentou US$ 447 milhões à balança comercial brasileira.

A Coreia do Sul e Taiwan aumentaram, ambas, em 32% as importações no primeiro quadrimestre, contribuindo, somadas, com mais US$ 593 milhões. O aumento das importações de produtos brasileiros na Malásia foi ainda maior, 50%, ou mais US$ 154 milhões. A Coreia exemplifica a dependência dos movimentos das commodities: o aumento de 18 mil % nas compras de milho (mais US$ 475 milhões) compensou com folga a queda de US$ 62 milhões de compras de minérios de ferro e cobre do Brasil.

 

"O Brasil exporta para a Ásia, em grande parte, produtos básicos como carne, minério, açúcar, nos quais temos vantagens comparativas", comenta o economista Rodrigo Branco, da Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex). "Ao contrário de outros mercados onde entra quem tem produtos competitivos em preço e qualidade, na Ásia a negociação é diferente, é preciso de associação com empresários locais", comenta o especialista, lembrando o valor dado pelos asiáticos à relação pessoal entre compradores e vendedores.

 

Como se passou nas exportações brasileiras aos Estados Unidos, o resultado das vendas a países como China e Índia foi severamente prejudicado pela queda nas exportações brasileiras de petróleo, provocada pela paralisação de plataformas para manutenção e também pelo crescimento do consumo no mercado interno brasileiro com o represamento dos reajustes de preço da gasolina. Nas vendas aos chineses, a exportação de óleos brutos de petróleo, terceiro item da pauta, representou 14% do total exportado entre janeiro e abril do ano passado, percentual que caiu para 9% com o corte de 35%, ou US$ 591 milhões nas exportações totais brasileiras à China.

Na Índia, a queda nas vendas de petróleo, principalmente, fez o país cair da sétima posição como mercado para o Brasil para 20ª. As exportações de petróleo reduziram-se em US$ 934 milhões, quase 70%. Somada à redução de 43% na compras de minério de cobre, essa queda fez cair à metade as compras dos indianos ao Brasil no primeiro quadrimestre, em comparação ao mesmo período de 2012. Nesse mesmo período, as vendas de açúcar em bruto para a Índia cresceram 375% (mais quase US$ 200 milhões), os aviões ingressaram na pauta de exportação àquele país, em quarto lugar (US$ 26 milhões) e houve aumento de 63 % (mais US$ 3 milhões) na exportação de peças para automóveis e tratores.

"No ano passado, o aumento das exportações à Ásia foi puxado pelo crescimento de 5% nas vendas de manufaturados", nota a secretária de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres, que atribui a queda de 3,3% na venda de produtos básicos à retração dos mercados para o minério de ferro. O governo quer aumentar a parcela inferior a 30% ocupada pelos produtos industrializados nas vendas aos asiáticos, garante ela. "Nosso esforço é subir degraus na agregação de valor; e o crescimento das vendas de óleo e farelo de soja acima das exportações de grãos é um sinal disso", relata, otimista. A venda de óleo de soja à Ásia, em 2012, aumentou 26% no ano passado. Num sinal de que a meta oficial ainda demanda muito esforço, porém, as compras de soja em grão da China aumentaram 27% no primeiro quadrimestre deste ano mas as de óleo caíram quase 30%. Já no Japão, o aumento de vendas de farelo (23%, pouco mais de US$ 9 milhões) mais que compensou a queda de quase 10% na venda de grão de soja (US$ 7,5 milhões).

 

No início de maio, o governo patrocinou a participação de exportadores brasileiros no Salão Internacional de Alimentação em Shangai, na China, com presença maciça de produtores de vinho. A China, que em 2010 não importava vinhos brasileiros, hoje é o principal mercado estrangeiro do setor, que vende para lá 20% da produção exportada. Em 2012, as vendas cresceram cerca de 60% em relação ao ano anterior. "Esse tipo de evento serve para que as empresas ganhem maior conhecimento sobre a China", diz Tatiana Prazeres.

Barreiras comerciais são grande desafio a embarque de alimentos

Por De Brasília

 

O grande desafio para as vendas aos asiáticos ainda é vencer barreiras não tarifárias a produtos como alimentos, notam empresários do setor. O setor de carnes viu fechar-se o mercado recém-aberto na China, com um caso isolado, no ano passado, de contaminação de uma rês com a doença da vaca louca, por exemplo. Mesmo com as barreiras, porém, as vendas de carne brasileira de bovino à Ásia aumentaram 122%, principalmente para Hong Kong, e as de frango, 2%, segundo levantou a Fundação Estudos de Comércio Exterior (Funcex).

"Em dois dos maiores exportadores da região, estamos fora dos mercados por protecionismo", lamenta o diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carnes, Fernando Sampaio, que acusa coreanos e japoneses de manter barreiras não
previstas nas normas internacionais por causa de casos de febre aftosa no Brasil.

 

Exportadores de carne entusiasmam-se com o mercado asiático, baseados nas previsões de que a Ásia será o maior consumidor de proteínas nos próximos 50 anos, com 56% do consumo total de 60 milhões de toneladas no mundo, a partir de 2020.

Sampaio acredita que, "em algum momento", o Brasil terá de recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as barreiras comerciais impostas pelo Japão, por Taiwan e pela Coreia do Sul. Por enquanto, porém, a demanda em locais como Hong Kong tem favorecido as exportações a ponto de fazer com que a Ásia superasse a Rússia como principal comprador no ano passado. O setor também aumentou, neste ano, em 25% as vendas aos asiáticos de couro e pele preparadas, que já são o décimo item na pauta de exportação ao Oriente.

 

Até setores sem estratégias especiais para a Ásia registram bom desempenho, como o de café, que aumentou em 15% as vendas à região neste ano. "Temos laços comerciais tradicionais com Japão e Coreia, os mercados de destaque", diz o diretor do Conselho Exportador de Café do Brasil, Guilherme Braga, que nota aumento ainda tímido em compras em países como a Malásia.

 

O que anima o governo, porém, é o forte aumento nas vendas ainda modestas de bens industriais como laminados de aço (86%, para US$ 105 milhões), compressores de refrigeração (66%, para US$ 35 milhões) e máquinas para uso geral (58%, para 23 milhões), que apontam nichos de mercado, mesmo para as cada vez menos competitivas exportações brasileiras. (S


20/05/2013
ECONOMIA
CRISE GOLBAL EM SEUS ÚLTIMOS CAPÍTULOS

Hoje, com mais clareza, posso afirmar ao leitor do Valor que estamos vivendo os últimos capítulos da crise que domina a economia americana - e mundial - há mais de cinco anos. Dois eventos recentes reforçaram essa minha percepção e tornou mais crível a observação que fiz neste espaço há alguns meses: não apostem contra o capitalismo. Em primeiro lugar, a informação de que o ajuste fiscal em curso nos Estados Unidos está sendo mais profundo do que o previsto, com o déficit no primeiro trimestre do ano reduzindo-se para 4% do PIB, em comparação aos 6% ocorrido em 2012. Nesse ritmo de ajuste, já em 2014, o desequilíbrio fiscal americano ficará abaixo dos 3% do PIB.

O presidente Obama está conseguindo fazer esse movimento com a ajuda decisiva de duas instituições de fora do governo: o Partido Republicano na Câmara dos Representantes, que fez aprovar uma Lei que obriga a redução compulsória de gastos, principalmente no orçamento da Defesa e o Federal Reserve [Fed], que com sua política monetária agressiva está permitindo que a economia cresça acima dos 2% ao ano apesar do ajuste nos gastos do governo.

Essa é a combinação dos sonhos de qualquer economista que siga o pensamento Keynesiano em situações como essa por que passa o gigante capitalista americano. As limitações políticas eleitorais, nas democracias de massa modernas, normalmente reduzem a probabilidade de se chegar a essa combinação. Por isto a importância - já percebida pelo presidente Obama - de manter a direita americana clamando por menos despesas e engessando principalmente o orçamento militar.

Neste mundo novo talvez o governo da presidente Dilma erre menos e permita que a economia saia do marasmo

O segundo evento, que reforçou o meu viés otimista, foi a mudança recente na governança de outra economia importante na cena mundial - o Japão. Depois de mais de duas décadas de uma postura política covarde em relação à deflação, a nova liderança japonesa decidiu ir à luta com todas as armas disponíveis para sair dessa armadilha. É preciso entender que isso só foi politicamente possível depois que o Fed deu o exemplo nos Estados Unidos.

Veio da ação corajosa e agressiva do Banco Central americano a legitimidade das ações recentes do Banco do Japão. Isso ficou claro na última reunião do G-'7 quando, sob pressão dos Estados Unidos, a política de combate à deflação, via emissão maciça do yen, foi sancionada pelos países mais ricos do mundo. Apenas ficaram de fora, reclamando das ações japonesas, os alemães com sua eterna fixação na hiperinflação, a China e outros países asiáticos que usaram a força do yen japonês, nas últimas décadas, como instrumento de industrialização.

A história nos ensinou que as economias de mercado criam, em intervalos variáveis, ciclos de desajustes conjunturais que acabam por interromper os períodos de crescimento e bem estar econômicos. Mas não podemos esquecer que o normal é o crescimento - e não crise e recessão - e a história nos mostra isso de maneira clara. Por razões quase sempre ligadas aos defeitos do ser humano ao lidar com as questões econômicas - ambição e ideologia sendo as mais importantes delas - algumas dessas crises se apresentam com um grau de complexidade maior. Entre estas, em função principalmente de erros de gestão da política econômica dos países centrais, algumas se transformam em situações recessivas mais graves.

Nessa verdadeira escala Richter de crises econômicas, a grande Depressão dos anos 30 figura em primeiro e destacado lugar. Afinal ela marcou o início de um desastre político de proporções gigantescas que foi o nascimento do nazismo e da Segunda Guerra Mundial.

A crise de agora tinha tudo para seguir o padrão da grande Depressão. Mas dois fatos principais evitaram que isso acontecesse. O primeiro é que a crise dos anos 30 ensinou a um grande grupo de economistas como se deve lidar com essas situações. O segundo é que, por um acidente histórico, estava no comando do Fed um especialista em situações como a vivida nos Estados Unidos a partir do colapso do mercado subprime de hipotecas. Talvez deva mencionar um terceiro fator, de natureza política, que permitiu a ação do Fed no período que se seguiu à quebra do Banco Lehman Brothers em 2008: a derrota do Partido Republicano e a eleição de um político democrata para a Casa Branca. Com esse movimento, o Tesouro americano tornou-se, na primeira fase do enfrentamento da crise, um parceiro necessário do Fed.

Por isso a importância que dou à redução do déficit americano nos últimos dois anos e a estabilização, que agora pode ser vista a olho nu, da dívida pública dos Estados Unidos. Este ajuste é que cria a ponte entre o presente e o futuro, elemento fundamental para que possamos entrar em um novo ciclo de crescimento sustentável na maior economia do mundo.

Com a economia americana deslanchando novamente tudo fica mais fácil. O crescimento chinês se consolida, criando um segundo pólo de fortalecimento da economia mundial. Se a eles adicionarmos a economia japonesa com algum grau de expansão sustentada chegaremos a um alinhamento de astros que nos levará com certeza a um novo período de dinamismo no mundo global de hoje.

Neste mundo novo talvez o governo da presidente Dilma erre menos na condução de sua política econômica e permita que a economia brasileira saia do marasmo em que se meteu nos últimos dois anos.

Luiz Carlos Mendonça de Barros, engenheiro e economista, é diretor-estrategista da Quest Investimentos. Foi presidente do BNDES e ministro das Comunicações. Escreve mensalmente às segundas

 

 



20/05/2013
INTERNACIONAL
REEMBARCAR NA RODADA DE DOHA?

Luiz Carlos Bresser-Pereira

 

Com a eleição de Roberto Azevêdo para diretor-geral, muitos pensaram que agora a Organização Mundial do Comércio (OMC) poderá sair da paralisia em que se encontra e retomar as negociações da Rodada Doha, paralisadas há cinco anos.

Mas, não obstante a reconhecida competência do embaixador, é pouco provável que isso aconteça. Desde a crise financeira global de 2008, não existe mais clima para liberalização comercial adicional. Uma maior abertura comercial, cujas vantagens para os países em desenvolvimento sempre foi duvidosa, hoje não interessa aos países ricos e também não interessa ao Brasil.

 

A OMC foi criada em 1995 no quadro da Rodada do Uruguai. Foi criada, portanto, em um momento de hegemonia ideológica neoliberal, com pleno apoio dos países ricos.

 

O pressuposto desses países era o de que só ganhariam com maior abertura comercial. Porém, quem realmente ganhou com a abertura foi a China, que combinou mão de obra barata com taxa de câmbio no equilíbrio correto, crescendo durante 30 anos a uma taxa média de 10,5%.

 

É verdade que os países ricos ganharam porque lograram o "espaço de política econômica" dos países em desenvolvimento ao proibir uma série da políticas de estímulo à industrialização que eles haviam utilizado no estágio correspondente de seu desenvolvimento.

Mas isso não compensou o custo que representou para eles a concorrência na produção de manufaturados originada não apenas da China, mas de vários países de renda média dotados da competência tecnológica necessária para isso. A crença irracional no liberalismo econômico que existiu nos países ricos durante os 30 Anos Neoliberais do Capitalismo (1979-2008) os impedia de ver que a abertura comercial deve ser sempre realizada de maneira estratégica e cuidadosa.

 

Hoje, depois do colapso do liberalismo econômico e da ortodoxia neoclássica que lhe dava justificação "científica", essa crença não mais existe, e os países ricos, a começar pelos EUA, estão preocupados em proteger suas empresas e decididos a se reindustrializar. É pouco provável, portanto, que se interessem em retomar a Rodada Doha.

 

Quanto ao Brasil, nos anos 2000, o governo Lula estava convencido de que valia a pena trocar uma redução da "tarifa consolidada" do país (a tarifa máxima que o país pode adotar), porque as tarifas efetivas eram bem menores, e porque o Brasil obtinha uma maior abertura para suas exportações de bens primários.

 

Agora, dada a enorme sobreapreciação cambial e a dificuldade que o governo tem em corrigir esse problema e fazer com que a taxa de câmbio flutue em torno do patamar de equilíbrio -aquele que viabiliza as empresas industriais brasileiras competentes-, não é o caso de reduzir os limites da tarifa consolidada.

 

Apenas perderemos mais espaço de política se o fizermos. As tarifas são um substituto parcial da taxa de câmbio. Sua elevação para compensar a sobreapreciação cambial não permite que o país exporte, mas evita que seu mercado interno seja entregue aos importadores.

Os industriais brasileiros e o governo deveriam, portanto, pensar duas vezes antes de reembarcar na Rodada Doha.

 



20/05/2013
POLÍTICA
NOVO MINISTRO DA AGRICULTURA JÁ BALANÇA NO CARGO

O ministro Antônio Andrade (Agricultura) foi nomeado há pouco mais de um mês, mas recebeu recados do líder do PMDB lembrado o prazo de 90 dias para “mostrar serviço”, entregando os cargos que prometeu à bancada. Ele é um dos ministros que nem despacham com Dilma, mas na quarta-feira (15) acabou salvo pelo gongo: foi chamado para um despacho com ela. Pelo menos é o que ele diz. Mas ninguém viu.

 

Um devedor Antonio Andrade não é expert em Agricultura, mas dá para o gasto. E a cúpula do PMDB o retirou do baixo clero para o estrelato, no ministério.

A joelhada no milho Dilma não se perdoa pela própria atitude de abrir mão do ex-ministro da Agricultura Mendes Ribeiro. Gosta dele e aprovava seu trabalho.


expandir Data: 17/05/2013   (11)
17/05/2013
AGRONEGÓCIO
CONGRESSO DOS EUA CORTA RECURSOS DA 'FARM BILL'

O Congresso americano caminha para definir uma nova versão da lei agrícola neste ano. As comissões de agricultura do Senado e da Câmara aprovaram nesta semana as suas propostas para a chamada Farm Bill, com as maiores diferenças concentradas no tamanho dos cortes do programa de vale-alimentação, que beneficia 47 milhões de americanos. Enquanto o Senado, de maioria democrata, reduziu as despesas com o programa em US$ 4,1 bilhões em dez anos, a Câmara, dominada pelos republicanos, fez um talho de US$ 20,5 bilhões nessas despesas.

 

As duas versões da lei trazem mudanças em relação aos subsídios aos produtores de algodão, o assunto que mais interessa ao Brasil, mas ainda não está claro se elas atendem aos objetivos brasileiros, segundo quem acompanha o assunto de perto. Para evitar que o Brasil aplicasse sanções anuais de cerca de US$ 830 milhões por ano, autorizados pela Organização Mundial do Comércio (OMC) por causa dos subsídios considerados ilegais, os EUA concordaram em 2010 em pagar US$ 147 milhões por ano ao Instituto Brasileiro do Algodão (IBA).

 

Diretora-executiva da Coalizão Industrial Brasileira (BIC, na sigla em inglês), Celia Feldpausch diz que a boa notícia, por enquanto, é que as chances de aprovação da lei agrícola neste ano aumentaram consideravelmente. O texto deve ser examinado pelo plenário do Senado no começo da semana que vem, nota ela. E, embora ainda não haja uma data definida para os deputados votarem a versão aprovada na comissão de agricultura, a expectativa é que isso não tardará. A Coalizão atua em Washington em defesa dos interesses da indústria brasileira.

 

Em 2012, o Senado aprovou a sua versão da lei agrícola, mas a Câmara, não. Num ano eleitoral, houve dificuldades para fazer andar a legislação. Em janeiro deste ano, o Congresso estendeu até setembro a Farm Bill que havia sido aprovada em 2008 - a lei vale por cinco anos, embora o orçamento da legislação tenha um horizonte de dez anos.

 

A versão aprovada pela comissão de agricultura Senado elimina totalmente os pagamentos diretos aos produtores, enquanto a versão que passou na comissão da câmara prevê que os cotonicultores recebam o dinheiro por mais dois anos, mas com uma diminuição do volume desses subsídios. Senadores e deputados tiraram da lei os chamados "pagamentos contracíclicos" aos produtores de algodão, o mecanismo que garantia um preço mínimo, mas de acordo com volumes de produção passados.

 

Esse é um aspecto em tese favorável aos interesses brasileiros, mas as versões do Senado e da Câmara trazem o chamado Stax (Stacked Income Protection Plan), que funciona como uma proteção adicional à receita dos agricultores. A introdução desse tipo de mecanismo torna difícil dizer se a nova versão da lei é mais ou menos prejudicial aos interesses dos cotonicultores brasileiros, por complicar a comparação com a legislação anterior.

 

Essas versões poderão ser bastante modificadas quando apreciadas pelo plenário do Senado quanto da Câmara, lembra ela. Depois disso, será necessário harmonizar as duas versões, o que pode implicar em novas mudanças.

 

O projeto aprovado na quarta-feira pela comissão de agricultura dos deputados, controlada pelos republicanos, impõe cortes bem mais pesados à lei agrícola. A versão que deverá ser examinada pelo plenário da Câmara reduz as despesas da lei agrícola em despesas em cerca de US$ 40 bilhões nos próximos dez anos. Desse valor, mais da metade se referem ao Programa de Assistência de Nutrição Suplementar (Snap, na sigla em inglês), o vale-alimentação, que consome cerca de US$ 80 bilhões dos US$ 100 bilhões do orçamento anual da Farm Bill. Se aprovado, será o maior corte do vale-alimentação desde 1996. Com a crise, um número crescente de americanos passou a receber a ajuda, que chega a 47 milhões de pessoas.

No Senado, de maioria democrata, os cortes totais na lei
agrícola em dez anos totalizam US$ 23 bilhões, dos quais apenas US$ 4,1 bilhões ligados ao Snap. Quando for necessário harmonizar as duas versões, esse deverá ser um dos pontos de maior controvérsia, segundo especialistas.


17/05/2013
AGRONEGÓCIO
MINISTRO CONFIRMA PLANO SAFRA DE R$ 135 BI

Ministro confirma Plano Safra de R$ 135 bi

O próximo Plano Agrícola e Pecuário vai disponibilizar R$ 135 bilhões para financiar o plantio, a comercialização e os investimentos da safra 2013/14 - um aumento de 17,4% sobre o montante do ano anterior - e mecanismos para incentivar a produção de alimentos básicos, antecipou ao Valor o ministro da Agricultura, Antônio Andrade. O "Plano Safra", como é conhecido, será anunciado oficialmente em 4 de junho.

 

A princípio, o governo estuda reajustar os preços mínimos de garantia de produtos como arroz, feijão e hortaliças a fim de estimular a oferta desses produtos, que ajudaram a puxar a inflação nos últimos anos. Outras medidas com o objetivo de controlar os preços devem ser avaliadas mesmo após a divulgação do plano.

 

"Em determinados anos, temos excesso de produção de uma cultura e escassez de outra. Vamos ter um plano diretor para definir isso. Temos de fazer com que nosso produtor seja informado do que ele deve plantar na próxima safra. Vamos dar uma compensação para esse direcionamento e garantir a segurança alimentar", disse.
Para aumentar a produção e o
abastecimento, o governo deve conceder incentivos fiscais ou tributários. "Vamos discutir como incentivar as culturas que precisamos produzir, como as hortaliças. Se chove muito, temos uma baixa produção, como foi o caso do tomate. Se incentivarmos as culturas produtivas, vamos evitar as variações no preço", disse.

 

Em apenas dois meses no cargo, Andrade já enfrentou duas denúncias. A primeira, de vender gado bovino para um abatedouro clandestino e a segunda, de transferir uma doação de campanha para um partido rival sem declarar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O ministro e seu grupo político rechaçam as acusações, e Andrade agora busca consolidar uma agenda positiva para deixar sua marca frente ao Ministério da Agricultura.

 

Uma das iniciativas é assumir a dianteira da formulação das políticas de produção. Hoje, é consenso no setor produtivo que o ministério trabalha atendendo a demandas imediatistas em vez de guiar os rumos do setor. "A agropecuária está crescendo de forma muito rápida, sem perder a qualidade. Na safra passada, colhemos 166 milhões de toneladas e na atual devemos ultrapassar as 184 milhões. Enquanto nos preparamos para participar da formulação de políticas futuras do setor, estamos atendemos às demandas do produtor".

No cargo desde 18 de março, o mineiro Andrade disse que, por determinação da presidente Dilma Rousseff, a armazenagem vai receber uma atenção especial no Plano Safra. Serão duas formas de investimento. A primeira é um aporte de R$ 730 milhões para a construção de 21 armazéns públicos, que praticamente duplicarão a capacidade atual da
Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

A segunda é a criação de uma linha de financiamento com R$ 5 bilhões para a construção de armazéns particulares. Segundo o ministro, os empréstimos terão juros próximos a 3,5% ao ano, com três anos de carência e pagamento em 15 anos. "A presidente passa muito tempo discutindo as ações do ministério e do setor, além de liberar mais recursos do que inicialmente pedido. Eu, como ministro e produtor, me sinto contemplado", disse.

 

No mesmo dia da divulgação do Plano Safra, deve ser finalmente anunciada a criação da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), proposta lançada pela presidente Dilma há quase um ano, durante o lançamento do Plano Safra 2012/13. Segundo Andrade, a agência terá uma estrutura enxuta. O plano é que ela contrate outras empresas para dar assistência técnica aos produtores. "A novidade é a contratação de dois tipos de empresas. Uma para fazer a assistência técnica e a outra para fazer uma auditoria dos trabalhos das agências prestadoras do serviço", explicou Andrade.

Diferentemente do que pediu o setor produtivo, o Plano Safra continuará tendo vigência de 12 meses. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) sugeriu expandir a duração do plano para 18 meses. Segundo o ministro, a modificação não será feita nesta safra, mas a mudança deve vir a partir do ciclo 2014/15.

As taxas de juros devem ficar estáveis. No ano passado, quando a inflação era mais baixa e havia previsão de queda na Selic, os juros do crédito rural foram reduzidos. Atualmente, o custo de financiamento dos grandes produtores rurais é de 5,5% ao ano. Para os médios, que se enquadram no Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), os juros são de 5%.

Em um discurso sem as palavras "trocas" nem " reformas", Andrade descarta, por enquanto, mudanças de secretários ou o "loteamento" do ministério com nomes do PMDB, seu partido. "A tendência é que as pessoas que estão hoje continuem. Se pode haver mudança? Pode. Mas a tranquilidade de cada um está na qualidade do trabalho que ele faz. Todo mundo pode ficar tranquilo se estiver prestando um bom serviço", disse.

 

Andrade, que deve deixar o cargo ano que vem para concorrer às eleições, também vai anunciar, em junho, o reconhecimento como livres de febre aftosa com vacinação os rebanhos bovinos dos Estados de Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí, Maranhão e norte do Pará. Hoje, esses Estados são classificados como zona não livre de médio risco.

Mas o prazo para que o Brasil obtenha o status de livre de aftosa com vacinação passou de 2014 para 2015. "Vamos preparar nossos laboratórios para dar uma resposta rápida à população no caso de algum surto de doença. Não podemos deixar que o suposto caso da vaca louca, que demorou dois anos para ser comunicado, se repita".

Mais contido que seu antecessor, Andrade descarta a abertura de contenciosos na Organização Mundial do Comércio (OMC), mesmo com os vários embargos vigentes contra produtos do agronegócio brasileiro. Ontem, o setor de suínos, um dos mais atingidos, divulgou que as exportações registraram queda de 25% em abril ante o mesmo período do ano passado. A Ucrânia, que havia tomado a dianteira da Rússia nas compras reduziu o ímpeto e causou a queda. "Em junho e julho, embarco para outros países para mostrar a qualidade dos nossos produtos".

Além da carne suína, o setor de bovinos tenta recuperar os mercados dos países que impuseram embargos contra a carne brasileira após a descoberta de um caso não clássico de "vaca louca" no fim de 2012. O secretários de Relações Internacionais do Agronegócio, Célio Porto, e o secretário de Defesa Agropecuária, Ênio Marques, irão participar de diversos encontros em Paris, Ucrânia e Rússia a partir de junho para negociar a suspensão dos embargos vigentes.

 

Valor da produção agrícola será recorde; tomate é destaque

 

O Valor Bruto da Produção (VBP) das 20 principais culturas agrícolas do país tende a alcançar o recorde de R$ 271,084 bilhões em 2013, segundo estimativa concluída ontem pelo Ministério da Agricultura. Em relação à projeção divulgada em março, o novo número é 0,3% superior. Na comparação com o cálculo para 2012, o crescimento chega a 10,2%.

 

O avanço previsto é influenciado principalmente pelo aumento da colheita de grãos, das boas perspectivas para a produção de cana e de uma controversa previsão de recuperação no mercado de laranja. O VBP mensura a renda dos produtores "da porteira para dentro".

Cultura de maior VBP do país há mais de uma década, a soja tende a ampliar sua liderança nesse ranking em 2013. O montante previsto para a oleaginosa neste ano chega a R$ 80,507 bilhões, 18,3% mais que em 2012, em virtude da recuperação da produção depois da seca que derrubou a colheita na região Sul no ciclo 2011/12. Nesta safra 2012/13, que está em fase final de colheita, a produção deverá bater um novo recorde histórico.

 

A cana aparece em segundo lugar no ranking do ministério, com VBP projetado em R$ 47,809 bilhões em 2013, 9,7% mais que no ano passado, já que as perspectivas para a produção também são positivas. Com mais uma supersafra em andamento, o milho vem em terceiro lugar, com R$ 36,857 bilhões, um crescimento de 11,9% sobre 2012.

Assim, as três culturas de maior VBP do país tendem a responder por 60,9% do total previsto para o ano, ante 58,7% no ano passado. A participação da soja deverá crescer de 27,6% do total para 29,7%.

Outro destaque do ranking é o tomate. Depois da queda da oferta, provocada por preços baixos no ano passado e adversidades climáticas, os preços dispararam e o VBP da cultura deverá atingir R$ 10,721 bilhões, 76,2% mais que em 2012.

 

Se confirmada a projeção, o tomate perderá apenas para soja, cana, milho, laranja (R$ 17,968 bilhões) e café em grão (R$ 15,019 bilhões) no ranking das maiores culturas em VBP do ministério. Mas vai superar banana (R$ 10,076 bilhões), feijão (R$ 8,726 bilhões), algodão (R$ 8,017 bilhões), arroz em casca (R$ 7,844 bilhões) e fumo em folha (R$ 6,445 bilhões), que nos últimos anos tiveram valores da produção maiores que os da hortaliça.

 

E mesmo a diferença em relação ao VBP da laranja poderá recuar nas próximas estimativas do ministério, uma vez que a produção prevista pelo governo para São Paulo e Triângulo Mineiro, que abastecem as grandes indústrias de suco, é muito superior às estimativas privadas, e fontes do segmento acreditam que, com o andamento da colheita, os números oficiais vão encolher.

Na divisão do VBP por regiões do país, o Sudeste, puxado pela cana paulista, tende a manter sua liderança, com R$ 79,21 bilhões em 2013, 13,9% mais que no ano passado. Sul e Centro-Oeste aparecem em seguida


17/05/2013
ECONOMIA
AS NOVAS CERTEZAS DO MUNDO

Há uma novidade no ar. Ela encerra um impulso ordenador tão incisivo quanto os efeitos da crise, que desde 2008 condiciona a sorte dos povos e a economia do planeta. As nações em desenvolvimento já não aceitam o papel de uma folha em branco, sobre a qual se escreveu a subordinação do seu destino a interesses que, frequentemente, não eram os de sua sociedade.

 

Bem antes do colapso financeiro, a agenda da segurança alimentar já havia aglutinado a consciência das nações em torno dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), pactuados em 2000.

Uma nova governança deve ser construída. Seus atores são as nações que precisam se ancorar na justiça para crescer; seu idioma é o multilateralismo que reconhece a soberania dos povos e faz da parceria entre iguais o novo eixo ordenador da cooperação para o desenvolvimento.

A menos de mil dias de se esgotar o prazo dos ODMs, vemos progresso em direção à primeira meta do milênio de reduzir à metade a proporção de pessoas com fome no planeta entre 1990 e 2015, mas ainda há um grande desafio pela frente: existem 870 milhões de famintos no planeta. Os números frios poderiam sugerir que o passado não passa. No entanto, 40 países, entre os quais o Brasil, já alcançaram a meta.

 

Há algo mais que desalento no discernimento das nações em desenvolvimento. A pedagogia da crise acelerou uma promissora alavanca de iniciativas, baseadas na convicção de que a reconstrução da ordem mundial não pode ser dissociada das prioridades de quem luta contra a pobreza e a fome. A centralidade do desenvolvimento tornou-se o apanágio das nações que tem na equidade social a mola propulsora obrigatória de sua engrenagem de crescimento.

 

Essa visão de mundo já se traduz em um redesenho institucional, onde o multilateralismo em defesa de um desenvolvimento cooperativo e socialmente convergente interliga a emergência de uma nova constelação geopolítica.

 

A recente vitória da candidatura brasileira à direção da Organização Mundial do Comércio (OMC), com o embaixador Roberto Azevêdo, foi ancorada na mesma articulação de propósitos que, em 2012, conduziu o nosso nome para a diretoria-geral da FAO.

Desde o final dos anos 70, a segurança alimentar e o fomento
agrícola perderam progressivamente o espaço que haviam conquistado nas políticas de cooperação para o desenvolvimento.

Não foi apenas um eclipse da solidariedade em benefício da suposta autossuficiência dos mercados. Uma parte da responsabilidade deve ser buscada no interior das próprias nações em desenvolvimento. Ainda que muitas vezes tangidas por imposições comerciais, a verdade é que em muitos a atenção à agricultura local foi negligenciada.

A estratégia brasileira de segurança alimentar implantada a partir do governo Lula trilhou um caminho oposto que deu certo e que tornou-se agora um dos mais valiosos instrumentos cooperativos na reconstrução da ordem internacional. Nesse ínterim, o Brasil transformou-se na sétima economia mundial, deixando de ser visto como um receptor de ajuda internacional e passando a ser identificado como um doador e, especialmente, um fornecedor de assistência técnica em áreas nas quais acumulou inegável expertise entre as quais se destaca a agricultura.

Ser a ponte de um novo multilateralismo implica, porém, erguer pilares institucionais que o sustentem. Dotar a Agência Brasileira de Cooperação (ABC) de um marco jurídico e um orçamento condizente com esse novo horizonte geopolítico é um imperativo.

A
Embrapa terá que intensificar sua ramificação internacional para desempenhar seu papel como o maior banco de tecnologia e pesquisa em agricultura tropical do planeta. Ao Consea cumpre equipar-se para compartilhar sua experiência naquele que é o principal desafio da luta contra a fome: a participação ativa da cidadania na formulação das políticas que garantam o acesso de todos ao direito a uma alimentação adequada.

 

Entendendo a importância da luta contra a fome nesse esforço, a Cimeira de Maputo em 2012 adotou a segurança alimentar como a primeira política comum dos países de língua portuguesa. Essa decisão lembra a União Europeia, que fez o mesmo nos seus primórdios ha mais de 50 anos. Nesse compromisso assumido, os países do bloco citaram o Brasil como exemplo e reconheceram o papel da sociedade na construção e implantação de políticas de segurança alimentar.

 

A maior novidade de todos esses processos, porém, é que eles não apenas resgatam a palavra cooperação, mas devolvem a ela sua dimensão intrinsecamente multilateral, nem sempre contemplada na política internacional nas últimas décadas.

Um exemplo prático desse novo entendimento é a aliança em prol da segurança alimentar na África, selada pela Comissão da União Africana e a FAO, com o apoio de outros atores - governos e fundações, como o Instituto Lula. Trata-se de um mutirão conduzido pelos próprios líderes africanos, que se reunirão em torno da agenda da segurança alimentar em Adis Abeba, na Etiópia, nos dias 30 de junho e 1 de julho.

 

A África está convencida de que não existe qualquer hipótese de desenvolvimento para seus povos que não venha associada à conquista da segurança alimentar, hoje indisponível para 240 milhões de pessoas no continente. O encontro de Adis Abeba respira as novas certezas do mundo.

 

A crise financeira instalou a insegurança como eixo de rotação da economia internacional, mas simultaneamente aprofundou a convicção de que uma nova governança deve ser construída no século XXI. Seus atores são as nações que precisam se ancorar na justiça para crescer; seu idioma é o multilateralismo que reconhece a soberania dos povos e faz da parceria entre iguais o novo eixo ordenador da cooperação para o desenvolvimento.

 

Depois de comemorar tantas vitorias, chegou a hora do Brasil assegurar que poderá pagar a conta da sua nova dimensão internacional duramente conquistada. José Graziano da Silva é diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO)


17/05/2013
ECONOMIA
INVESTIMENTO E AGRICULTURA PUXAM REAÇÃO DA ECONOMIA

CAROLINA OMS DE BRASÍLIA ÉRICA FRAGA DE SÃO PAULO

 

O crescimento da economia brasileira ganhou força no primeiro trimestre deste ano, mas o ritmo da atividade menor do que o esperado em março reforça as projeções mais moderadas de expansão em 2013.

 

A atividade medida pelo índice IBC-BR (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) cresceu 1,05% entre janeiro e março com relação ao último trimestre de 2012, impulsionada principalmente pelo bom desempenho do setor agrícola e por uma recuperação dos investimentos. Foi a alta mais forte desde o primeiro trimestre de 2011.

 

Em março, o crescimento foi de 0,72% em comparação com fevereiro (descontados efeitos sazonais). O resultado ficou abaixo do esperado por economistas, que apostavam em alta próxima a 0,85%.

Embora o desvio em relação à expectativa não tenha sido grande, representa mais uma frustração em relação ao ritmo de atividade. O crescimento de 0,7% da produção industrial em março ante fevereiro também havia ficado abaixo das estimativas.

 

O desempenho fraco, apesar de uma modesta melhora, do setor manufatureiro ainda é considerado o principal entrave a uma expansão mais robusta da economia.

 

RECUPERAÇÃO MODESTA

Embora o resultado esperado para o PIB em 2013 represente aceleração frente ao crescimento de apenas 0,9% em 2012, a recuperação é considerada moderada.

 

"Não é nada espetacular, mas não é ruim como vinha sendo desde 2011", afirmou Carlos Kawall, economista-chefe do Banco Safra.

O ritmo lento da retomada somado ao cenário externo ruim, com a recessão europeia e a forte desaceleração da Argentina, motivou uma nova rodada de revisões para baixo nas expectativas de crescimento em 2013. No início de dezembro passado, em média, analistas projetavam expansão de 3,5% em 2013 e agora apostam em 3%. Os mais otimistas esperam que os investimentos, que parecem ter registrado expansão firme no primeiro trimestre, perdurarão.

OTIMISMO
Essa é a aposta da LCA Consultores, que resolveu manter sua projeção de crescimento de 3,5% do PIB em 2013. A consultoria ressalta que a recuperação do investimento ocorreu em diversos setores, o que é positivo. Outras instituições veem o bom resultado do investimento no primeiro trimestre com maior cautela, principalmente em consequência da persistente baixa confiança dos empresários.

O Itaú Unibanco prevê que o desempenho do investimento não se sustentará no restante do ano. O banco revisou sua projeção de expansão do PIB em 2013 de 3% para 2,8%. Analistas destacam, por exemplo, que a forte alta na produção e ônibus e caminhões tende a perder fôlego.

 



17/05/2013
ECONOMIA
PREÇO DE ALIMENTO CAI NO VAREJO E DEVE ALIVIAR INFLAÇÃO DE MAIO

Por Juliana Elias e Alessandra Saraiva | De São Paulo e do Rio

Depois de cinco meses seguidos de queda no atacado, os preços dos alimentos começam a cair também no varejo e apontam para um alívio à inflação em maio. O IPC-S, índice de preço ao consumidor semanal da Fundação Getulio Vargas (FGV) chegou à segunda semana de maio em 0,38%, depois de fechar abril em 0,52% e março em 0,72%. A desaceleração foi puxada principalmente pelo grupo alimentação, que saiu de 0,68% na primeira semana do mês para 0,51% na segunda. Em abril, o grupo havia subido 0,98%.

"Itens que já vinham tendo deflação no atacado começam agora a aparecer no varejo também. É um processo que chega ao consumidor com uma certa defasagem", explicou Paulo Picchetti, coordenador do IPC na FGV. No IPA, indicador da FGV que mede os preços dos produtos no atacado, os itens
agrícolas tiveram em maio deflação de 2,80%, quinta redução seguida no ano, enquanto, no IPC, essa queda estava resistindo em aparecer e o grupo alimentação seguia subindo e figurando como o principal motor da inflação alta.

 

É o caso do grupo de hortaliças e legumes, que, liderado pelo tomate, era um dos que mais pressionavam e agora já aparece em queda no IPC-S: 2,11% no levantamento da segunda quadrissemana de maio, ante alta de 0,70% na semana anterior. Com queda de 15,42%, o tomate saiu da liderança da lista de maiores altas do IPC-S para figurar como a principal influência de retração agora.

Enquanto a inflação do grupo alimentação perde fôlego ao consumidor, os dados do Índice Geral de Preços-10 (IGP-10) mostraram que os preços dos alimentos processados no atacado pararam de cair, o que pode dar fim aos sinais negativos nos IGPs. O forte recuo das matérias-primas agropecuárias, contudo, foi determinante para a deflação do indicador em maio (-0,09%).

Os alimentos processados saíram de queda de 0,56% em abril para alta de 0,15% em maio. A menor intensidade de deflação da soja, no período (de -5,56% para -0,40%) influenciou o resultado, bem como queda mais fraca no preço do arroz (de -5,76% para -0,30%), e aceleração de preço em leite in natura (de 2,67% para 3,66%). Isso, na prática, pode sinalizar retorno de aumentos nos preços dos alimentos no varejo - visto que indicações de inflação futura mais forte no grupo alimentação costumam aparecer primeiro no atacado.

Tendo isso em vista, Salomão Quadros, superintendente adjunto de Inflação do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), preferiu não arriscar previsões sobre a continuidade da deflação na família dos IGPs. Ele admitiu que o IGP-10 de maio foi o segundo indicador desse tipo a mostrar queda - o primeiro foi o IGP-DI de abril, divulgado na semana passada, com recuo de 0,06%. Se isso vai continuar, é uma incógnita. "Mesmo com os alimentos in natura em queda agora, se a soja, por exemplo, começar a subir muito no atacado, isso muda o índice todo", afirmou, lembrando que o grão é o que tem maior peso na inflação do atacado. "Além disso, a variação dos preços dos in natura é muito volátil, e pode mudar rapidamente", disse. "Não me arrisco a prever sobre novas deflações nos IGPs."

 

Em maio, o aprofundamento da deflação nas matérias-primas agropecuárias no atacado (de -2,65% em abril para -3,26%) levou ao recuo de 0,09% no IGP-10 deste mês, segundo Quadros. O impacto foi tão grande que derrubou a variação de preços atacadistas no índice de maio (-0,39%). O atacado representa 60% do total dos Índices Gerais de Preços (IGPs), frisou o especialista.

 

Um dos fatores que contribuíram para essa queda foi o comportamento dos preços dos alimentos in natura, que mostraram recuo de 0,37% em maio, diante de alta de 7,46% em abril. Esses itens subiram muito de preço no começo do ano, devido à queda da oferta decorrente de problemas climáticos. Agora, com regularização da oferta, os preços começam a cair novamente, afirmou Quadros.

Os alimentos in natura também ficaram mais baratos no varejo. No IGP-10 de maio, os preços das hortaliças e legumes caíram 0,89%, ante expansão de 11,10% em abril. Já a alta das frutas desacelerou de 5,44% para 3% entre abril e maio, observou o técnico. "O destaque absoluto ficou com o tomate, cujos preços caíram 14,70% [no IGP-10 de maio], após subirem 15,77% em abril", afirmou.

 



17/05/2013
ECONOMIA
UM TÍMIDO SINAL DE MELHORA

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, reagiu com cautela ao mais novo indício de reativação da economia nacional, a alta de 0,72% do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), em março, divulgado ontem. Esse indicador é considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB) divulgado a cada três meses pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

 

Se a prévia estiver correta, a produção de janeiro a março terá sido 1,05% maior que a do trimestre final de 2012. Mantido até o fim do ano, esse desempenho resultará em um crescimento econômico de 4,27% em 2013, bem maior que as estimativas do próprio governo. O número do Banco Central é "muito bom", segundo o ministro, mas ele preferiu evitar maiores comentários até o fim de maio, quando o IBGE publicará sua estimativa inicial do PIB do primeiro trimestre.

A prudência do ministro foi acertada, pelo menos por dois motivos. Em primeiro lugar, porque os fatos pulverizaram as previsões oficiais em dois anos de crescimento pífio - 2,7% em 2011 e 0,9% em 2012. Em segundo, porque o nível de atividade tem oscilado com frequência, há mais de um ano, tornando muito insegura qualquer previsão. Na série do BC, a expansão de 0,72% em março ocorreu depois de um recuo de 0,36% no mês anterior. Oscilações semelhantes ocorreram ao longo de 2012.

 

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, foi mais aberto em seu otimismo, ao falar sobre a situação econômica do Brasil em um seminário sobre metas de inflação. Segundo ele, o crescimento tem-se disseminado entre os vários segmentos da indústria e essa tendência deve manter-se no segundo semestre.

 

Ele mencionou, entre outros pontos positivos, a produção recorde do setor automobilístico em abril e a reação dos fabricantes de máquinas e equipamentos agrícolas às boas perspectivas da atividade rural. Todos esses dados, afirmou Tombini, reforçam a expectativa de um crescimento econômico em torno de 3% neste ano.

O presidente do BC pode estar certo em sua avaliação, até porque o aumento da produção do setor industrial, se confirmado, ocorrerá sobre uma base muito baixa. Apesar da expansão de 0,7% em março, o setor ainda produziu 3,3% menos que no mês correspondente de 2012. O resultado do ano continuou 0,5% inferior ao do primeiro trimestre do ano passado e o acumulado em 12 meses permaneceu 2% menor que o do período anterior, segundo o IBGE.

O detalhe mais animador foi o avanço da fabricação de bens de capital, isto é, de máquinas e equipamentos. O total de janeiro a março ficou 9,8% acima do estimado um ano antes. Mas a variação acumulada em 12 meses foi ainda negativa, com redução de 6,7%. Falta ainda um bom caminho para o investimento em bens de produção igualar o registrado nos 12 meses anteriores e retomar o crescimento efetivo.

 

Além disso, boa parte da fabricação adicional de máquinas e equipamentos ocorreu, nos últimos meses, nos segmentos de material de transporte, tratores e colheitadeiras - um efeito evidente dos bons resultados da agricultura.

 

A melhora do indicador do BC reflete, quase certamente, os dados setoriais já publicados pelo IBGE, especialmente a lenta reação da indústria e o avanço do agronegócio. Mas qualquer previsão otimista baseada nessas informações é arriscada. A agropecuária vai bem, mas o desempenho da indústria ainda é sujeito a tropeços.

Além disso, é difícil prever até quando uma política baseada principalmente no estímulo ao consumo poderá beneficiar a economia. A criação de empregos na indústria tem sido decepcionante, como comprovam os últimos dados da Fiesp. Apesar da contratação de 26,5 mil empregados em abril, o nível de emprego, descontados os fatores sazonais, diminuiu 0,4%. A indústria paulista provavelmente reduzirá sua previsão de crescimento econômico, disse o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da entidade, Paulo Francini. Todos esses dados justificam muita prudência nas projeções, mesmo diante de boas novidades como o IBC-Br de março.


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