A abertura do Seminário Pobreza Rural, Desenvolvimento e Políticas Públicas: desafios e alternativas aconteceu nesta terça-feira (23), no St. Peter Hotel, em Brasília (DF), com a presença do Representante do IICA no Brasil, Manuel Otero, e do Diretor do Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural (NEAD), Joaquim Calheiros Soriano, representando o Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA) e o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS).
O objetivo do evento é promover um debate estruturado sobre as estratégias de erradicação da pobreza rural no Brasil e buscar a construção de uma agenda de políticas públicas. Até a próxima quinta-feira (25), cerca de 150 gestores, dirigentes de movimentos sociais, pesquisadores e outras entidades participam das discussões.
Manuel Otero destacou o compromisso de se enfrentar a pobreza rural em médio prazo levando-se em conta as oito milhões de pessoas que vivem na extrema pobreza. "Temos a expectativa de novas políticas, com mais participantes e articuladores já que desde março do ano passado estamos trabalhando com o tema por meio do projeto A Nova Cara da Pobreza Rural no Brasil."
Em sua apresentação, o representante do IICA no Brasil revelou que o estudo surgiu antes mesmo da presidente Dilma Rousseff anunciar o Programa Brasil sem Miséria. "Vamos aproveitar este momento das políticas públicas sociais do governo federal para montar essa agenda política", finalizou.
O diretor do Núcleo de Estudos Agrários de Desenvolvimento (NEAD), Joaquim Soriano, completou que o Seminário encerra a primeira fase do projeto A Nova Cara da Pobreza Rural do Brasil, iniciado em março de 2010. E que as discussões visam compreender o que acontece no País com o período de desenvolvimento.
"Houve parte da população que continuou à margem, por isso a necessidade de se pensar em políticas que identifiquem a situação atual", explicou.
Palestra Magna
Para expor a conclusão de pouco mais de um ano de estudos, um dos coordenadores do projeto, Claudio Dedecca, ministrou a palestra Democracia, Cidadania e Pobreza Rural, que abordou a relação desses temas com o papel das políticas públicas. O professor do Instituto Econômico da Unicamp associou a pobreza a uma questão histórica do Brasil, já que o assunto só passou a ser tratado pelo governo na década de 90. "Quando a economia estabilizou começamos a pensar na pobreza e agora o tema passa a ganhar cada vez mais espaço", afirmou.
Claudio considerou ainda que gestores e pesquisadores passam por um processo de aprendizagem. "É preciso compreender o tamanho do desafio e que a pobreza não será resolvida em poucos anos. Temos que traçar objetivos e começar pelo mais frágil, mas, para isso, é preciso rever os recursos, ampliar a cobertura e a qualidade, além de melhorar a articulação das políticas sociais", alertou o pesquisador.
Para o professor, os instrumentos e instituições que hoje atuam nesse setor no Brasil são suficientes, porém, é preciso entender as questões desfavoráveis e elementos novos como o acesso a informação. "É visível que o pobre não tem acesso a política de pobreza. É difícil para eles chegarem aos programas, inclusive porque a informação não chega, a exemplo da população do Vale do Ribeira, em São Paulo."
Serviço
O Seminário Pobreza Rural, Desenvolvimento e Políticas Públicas: Desafios e Alternativas acontece até a quinta-feira (25), no St. Peter Hotel, localizado no Setor Hoteleiro Sul (Quadra 2, BLoco D). A realização é do IICA e do Fórum DRS, que contam com a parceria do IPEA, Secretaria de Desenvolvimento Territorial, MDA, MDS e Ministério da Educação e Cultura. A Universidade Federal de Uberlândia e Unicamp dão apoio acadêmico.
Texto: Lorena Castro
Foto: Pedro Ladeira