Resumo |
O uso da irrigação como componente de política para redução dos efeitos das secas e para promoção do desenvolvimento do Nordeste brasileiro tem sido destacado, pelo menos, desde os meados do século passado. Porém, em que pesem os esforços do Governo Federal até o final da década de 50, as iniciativas se restringiram à construção de açudes e à realização de estudos, que, evidentemente, se constituiram num capital importante para a decolagem da irrigação na região. Esta nova fase começa com o diagnóstico da economia nordestina, do que resultou a proposta de uma política de desenvolvimento economico para o Nordeste, elaborado pelo Grupo de Trabalho para o Desenvolvimento do Nordeste (GTDN), quando então se aponta a irrigação como instrumento adequado para aumentar a oferta de alimentos, absorver a mão de obra e interiorizar o desenvolvimento, tornando, portanto, o semi-árido menos vulnerável aos efeitos das secas. Em seguida, com a criação da SUDENE, incorpora-se, explìcitamente, no planejamento do desenvolvimento regional, através dos vários Planos Diretores, na década de 60, a mobilização de recursos para investimentos em projetos públicos, para assentamento de colonos e instalação de empresas, em áreas desapropriadas pelo Governo Federal. Na década seguinte, além da maturação dos investimentos anteriormente realizados, com o início de operação dos primeiros projetos, a política de irrigação passa a ser regida pelos Planos Nacionais de Desenvolvimento (1972-1979). Em ambas as décadas, predominou a ótica dos projetos públicos, cuja condução era, extremamente, concentrada nas mãos do Governo Federal, sem o envolvimento dos Governos Estaduais e com reduzida participação dos beneficiários.
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