Resumo |
Este artigo tem como eixo de análise a questão de pesquisa formulada nos seguintes termos: “como as dinâmicas territoriais e os projetos coletivos presentes em territórios determinados contemplam a agricultura familiar em suas múltiplas funções e heterogeneidades?”. Duas hipóteses nortearam a reflexão e a postura teórico-metodológica. A primeira consiste em afirmar que a região de estudo apresenta uma elevada desarticulação, fragmentação e visão setorial das iniciativas formais de desenvolvimento empreendidas por instituições públicas, da sociedade civil e do setor privado. A segunda refere-se à tendência dominante de elitização dessas iniciativas, o que resulta numa baixa eficácia das ações e das políticas públicas correlatas. O lado mais visível desse mecanismo elitista se expressa na baixa capacidade de ampliar o número de beneficiados diretos, mas também pelo reduzido impacto das chamadas externalidades positivas, ou efeitos de indução indireta, na socieconomia regional. Esse mecanismo está associado ao chamado “efeito clube” das ações de desenvolvimento territorial discutido por Mollard (2006) e Pecqueur (2006), cujos impactos, considerando as condições sociais do meio rural brasileiro, são bem mais perversos quando comparados a países onde as desigualdades sociais são menos acentuadas.
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