Um aumento na participação de derivados de cana na matriz energética nacional na próxima década dos atuais 17,7% para 21,8%, conforme projeção do Ministério de Minas e Energia (MME), vai depender de investimentos significativos no setor sucroenergético, principalmente na construção de novas usinas e em tecnologias que aumentem a produtividade dos canaviais. Esta é a opinião do consultor de Emissões e Tecnologia da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Alfred Szwarc, sobre um dos aspectos do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2020), divulgado em 2011.
“Apenas a sinergia entre várias ações poderá assegurar à cana uma posição sustentável em 2020. Investimentos em novas unidades produtoras, inovação tecnológica, redução de custos e uma crescente profissionalização do setor são ações que deverão ocorrer de forma simultânea. Só assim haverá uma maior oferta de cana e de seus produtos derivados,” afirma o executivo da UNICA.
As projeções que indicam o aumento do uso do etanol e da bioeletricidade nos próximos oito anos foram reafirmadas pelo secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do MME, Altino Ventura Filho, durante participação no congresso de geração de energia EnerGen LatAm 2012, realizado no dia 30/01 no Rio de Janeiro (RJ).
Ventura enfatizou os dados publicados no PDE 2020, elaborado e em junho de 2011 pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). No documento, os dois derivados da cana e o gás natural - que subirá de 10,3% para 14,4% - serão as únicas fontes de energia a aumentarem suas participações na matriz energética brasileira na próxima década.
Outro destaque está na redução da participação de duas fontes muito utilizadas no Brasil: o petróleo e a hidroeletricidade. Os recursos fósseis cairão de 36,9% para 30,4% na matriz energética nacional, mesmo com a exploração da camada pré-sal, cujo conteúdo deverá ser exportado, segundo o MME. Já a hidroeletricidade, que hoje ocupa 14,1%, deverá ter o percentual reduzido para 12,5%, deixando de ser a terceira fonte energética do País, que passará a ter o gás natural nesta posição.
Na opinião do especialista em Emissões e Tecnologia da UNICA, estas perspectivas não vão alterar a condição do Brasil como uma das nações que mais utilizam energias renováveis em todo o mundo. Atualmente, elas representam 45,5% de todas as fontes energéticas utilizadas no País, informa o último Balanço Energético Nacional (BEN 2011).
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Fuente: Jornal Cana